terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Corra


Quando você acha que viu um vampiro, é melhor não ficar de bobeira. Isso vale para qualquer tipo de assassino psicopata em qualquer forma mitológica possível. Não pense duas vezes. Corra. É melhor do que esperar para ver. Foi o que Nicole fez.


Saiu do trabalho e ao passar por uma rua mal iluminada, ela avistou uma figura. Poderia ter sido uma alucinação, talvez causada pelas histórias de terror que ouvia quando era criança. Sim, poderia. Mas ela é uma das minhas, e fez o melhor nessa situação. Começou a correr.

Correu. Tropeçou. Levantou-se. Não olhou para trás. Ok, ela tentou não fazer isso. Mas fez, e foi nesse momento que ela tropeçou de novo e caiu. Esfolou o joelho e a mão esquerda. Com medo de que o sangue fresco ativasse alguma coisa na criatura, ela continuou.

Ao chegar à fachada do prédio onde ela morava, seus nervos estavam à flor da pele. Com muita dificuldade abriu a bolsa e pegou a chave. Conseguiu colocá-la na fechadura na terceira tentativa. Girou. Mas antes de encostar a mão na maçaneta, ela virou a cabeça e viu a figura dobrando a esquina, debaixo de uma árvore densa que encobria a luz do poste. Abriu a porta e entrou.

Nada de ficar encostada na parede para recuperar o fôlego. Continuou a correr. O seu apartamento ficava no segundo andar e as escadas naquela hora pareciam a melhor decisão. Com passos rápidos, e os pulmões a beira de um colapso, Nicole chegou à porta de seu apartamento. Sua colega de quarto já devia estar em casa e simplesmente apertou a campainha. Nada de toda aquela tremedeira e procura pela outra chave.

Apertou outra vez. A amiga estava lá dentro. Conseguia ouvir a televisão ligada. Mais uma vez. Ouviu os passos e a voz da amiga.

“Esqueceu a chave de novo, Nicole?”

A porta foi aberta. Ela entrou tão rápido que quase tropeçou na beirada do sofá.

“Meu Deus, o que aconteceu? Parece que viu um fantasma.”

A colega de quarto fechou a porta.

“Tranca. Tranca tudo!”, disse Nicole, indo em direção aos quartos.

Fechou as janelas de todos os cômodos.

A amiga estranhou seu comportamento. Cruzou os braços e a observou. Nicole fechou a janela da sala, as cortinas, e depois olhou por uma fresta a rua.

“O que está acontecendo, Nicole?”

Ela não tirava os olhos arregalados da rua.

“Nicole?”

Toc, Toc, Toc...

A amiga foi em direção ao olho mágico. Seria algum vizinho?

A porta foi arrombada com um tremendo estrondo.


Infelizmente Nicole cruzou com uma vampira que não era violenta, mas que não estava a fim de roubar sangue doado no hospital naquele dia.

Conto de Lucas Beça


Esse conto teve como ponto de partida a palavra muitas vezes dita pelo Doutor na série britânica de ficção-científica Doctor Who: “Run!”, e depois descambou para uma coisa um pouquinho diferente...

Gostaria também de agradecer ao Gustavo do Carmo e toda a equipe do blog pelo espaço no Tudo Cultural.

2 comentários:

Weverton Galease disse...

Bem vindo ao time Lucas!
Sou um grande fã de Doctor Who!
Ótimo conto!
Abraço!

Lucas Beça disse...

Muito obrigado, Weverton.

Arquivo do blog