sexta-feira, 11 de novembro de 2016

EM BUSCA DE SENTIDO- UM PSICÓLOGO NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO, VIKTOR E. FRANKL

Por dudu Oliva




Frankl compartilha suas experiências e de outros indivíduos prisioneiros de campos de concentração no período da Segunda Guerra Mundial.

No primeiro momento faz até um recorte de seu objeto de estudo: “ Este livro não se trata de fatos e acontecimentos externos, mas de experiências pessoas que milhares de  prisioneiros viveram de muitas formas.  É a história de um campo de concentração visto de dentro, contado por seus sobreviventes.”. Portanto, o autor pretende expor que não quer dar conta de tudo, mas, mostrar seu entendimento e o método terapêutico que ele desenvolveu, a logoterapia. Na primeira parte do livro há os relatos no campo de concentração e no segundo, uma introdução à logoterapia.

O que me impressionou foi a franqueza de Frankl ao mostrar como a natureza humana é muito mais complexa que os estereótipos. Relata a violência dos nazistas e ao mesmo tempo mostra como outros judeus foram algozes de seus próprios “irmãos”, para terem privilégios e salvarem a própria pele. Foram designados como Kapos, os quais os alemães designavam tarefas especiais nos guetos e campos de concentração. Atuavam no conselho e polícia judaicos, e nos campos como comandantes, chefes de alojamentos, e nos crematórios. Entretanto, houve oficiais alemães que ajudaram muito mais os prisioneiros que os próprios Kapos. 

A partir dessas experiências, o autor percebeu que muitos ficaram embrutecidos ou apáticos ou se agarravam ao passado. Não tinham mais sentido para viver. A logoterapia mostra o contrário, podem-se encontrar novos sentidos de viver e aprender a lidar com a dor, tornando-a produtiva. “O termo "logos" é uma palavra grega que significa "sentido". Assim, a "Logoterapia concentra-se no sentido da existência humana, bem como na busca da pessoa por este sentido" (Frankl). "Para a Logoterapia, a busca de sentido na vida da pessoa é a principal força motivadora no ser humano..." A Logoterapia é considerada e desenhada como terapia centrada no sentido. Vê o homem como um ser orientado para o sentido". (Frankl).

Este método terapêutico procura estruturar e colocar o paciente no ponto central do seu ser, que é, inclusive, o ponto mais alto:

“O  escritor  e  psiquiatra  Viktor  Frankl  costuma  perguntar  a  seus  pacientes  quando estão  sofrendo  muitos  tormentos  grandes  e  pequenos  "Por  que  não  opta  pelo suicídio?"  É  a  partir  das  respostas  a  esta  pergunta  que  ele  encontra, freqüentemente,  as  linhas  centrais  da  psicoterapia  a  ser  usada.  Num  caso,  a  pessoa se  agarra  ao  amor  pelos  filhos;  em  outro,  há  um  talento  para  ser  usado,  e,  num terceiro  caso,  velhas  recordações  que  vale  a  pena  preservar.  Costurar  estes  débeis filamentos  de  uma  vida  semi-destruída  e  construir  com  eles,  um  padrão  firme,  com um  significado  e  uma  responsabilidade  -  este  é  o  objetivo  e  o  desafio  da  logoterapia, versão da moderna análise existencial elaborada pelo próprio Dr. Frankl.”( Prefácio- Edição Norte Americana- de 1984)

 É desnecessário buscar provas teóricas do sentido da vida: ele não é una para todos. Cada um precisa se transcender para encontrar seu sentido da vida, uma vez que, cada um de nós possuiu uma individualidade e não existe uma receita de bolo de um sentido da vida para todos. Precisam-se regatar as lembranças e os momentos de tudo que se viveu e seguir em frente. 

 O livro expõe que o ser humano precisa encontrar seu sentido na vida e perceber que o sofrimento ou a dor há algo positivo, fortalecendo o indivíduo continuar a viver.






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