quinta-feira, 14 de abril de 2016

Castelos de Portugal - Parte 5 - Castelos de Évora-Monte e Silves

João Paulo Mesquita Simões






Desenho de José Luís Tinoco apresentando os Castelos de Évora-Monte e Silves, e de José Benard Guedes apresentando os respectivos Brasões. Impressão a off-set pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda sobre papel esmalte, em folhas de 50 seios com denteado 12 X 12-1/2. Foram emitidos 1 milhão de selos da taxa de 25$00 tijolo castanho e amarelo (Castelo de Évora-Monte) e 1 milhão de selos da taxa de 25$00 azul castanho amarelo e verde (Castelo de Silves). Sobre estes selos foi impressa uma tala fosforescente. Foram igualmente emitidas carteiras com 4 exemplares de cada um destes selos ao centro dos quais foi impresso o Brasão da respectiva cidade. Postos em circulação a 16 de Janeiro de 1987.

CASTELO DE ÉVORA-MONTE 

Implantado num dos pontos mais elevados da Serra de Ossa, o Castelo de Évora-Monte remonta ao século XII, altura em que a localidade foi conquistada aos mouros por Geraldo Sem Pavor. No século XIII, foi-lhe concedido o primeiro foral (1248), posteriormente renovado em 1271. Ambas estas tentativas de estabelecer o povoamento não parecem ter tido grande sucesso, e D. Dinis, em 1306, ordenou a fortificação da vila, restando dessa campanha a cerca amuralhada e as portas dionisinas.
Com a subida ao trono de D. João I, o Castelo passou para a posse de D. Nuno Álvares Pereira. Da campanha de reconstrução do tempo de D. Manuel I (a quem se deve, em 1516, a renovação da carta de foral), data o célebre Paço fortificado, com quatro torreões cilíndricos definindo um perímetro quadrangular, de eminente gosto italianizante, e decorado nos panos com nós pétreos, que lhe conferem particular sabor. Esta campanha palaciana foi dirigida por Francisco de Arruda em 1531.
Ao longo dos séculos da modernidade a povoação perdeu importância e poder, e a 24 de Outubro de 1855 o seu concelho foi definitivamente extinto, sendo o seu antigo termo repartido pelos concelhos vizinhos de Estremoz, Évora, Arraiolos e Redondo. As primeiras obras de restauro acontecem nas décadas de 30 e 40 do século XX, e um projecto global de intervenção foi realizado já nos anos 80.

In: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70670/ 





CASTELO DE SILVES 

O castelo de Silves é uma das principais fortificações
Cercando uma área de aproximadamente 12 hectares, a muralha possuía três portas e uma rede viária interna cruzada, com duas ruas principais. Associada à porta principal - a Porta da Almedina, ou de Loulé - o magnífico Palácio das Varandas, tão celebrado na poesia do rei-poeta Al-Mutamide, dominava toda a cidade.
Mas se a disposição geral do perímetro amuralhado pode ser atribuída ao período das taifas, o mesmo não acontece com a construção em altura, cuja tipologia aponta para a época almóada. Nessa altura, praticamente nas vésperas da conquista cristã da cidade, uma campanha de obras conferiu o aspecto geral dos volumes da fortaleza. De 1227 é uma lápide, identificada nas ruínas da Porta do Sol e originalmente associada a uma torre quadrangular que defendia esta passagem, que data a última grande reforma islâmica do castelo, fomentada pelo último rei muçulmano, Ibn al-Mahfur (GOMES, 1989, p.36).
O complexo sistema defensivo então delineado manteve a organização em duas grandes áreas, a alcáçova e a medina. A primeira, erguida no alto do cerro, era protegida por onze torres quadrangulares, duas das quais albarrãs, salientes do pano de muralha, mas comunicando com ele através de uma passagem superior, o que permitia uma mais eficaz defesa dos panos rectilíneos. No interior da alcáçova destaca-se a magnífica cisterna da Moura, um enorme depósito de água, datável do século XI, e que ocupa uma área de 820 metros quadrados, elevando-se a uma altura de 10 metros (TORRES, 1997, p.441).
A medina ligava-se à alcáçova através de uma porta protegida por duas poderosas torres. Rodeia praticamente toda a cidade, e possuía três portas, sendo que apenas a de Loulé se mantém praticamente íntegra, com o seu duplo passadiço de altos arcos de volta perfeita, protegido por uma torre albarrã, e uma estrutura inferior muito provavelmente em cotovelo (CORREIA, 2002, p.84).
As alterações que posteriormente se efectuaram no castelo de Silves não parecem ter desvirtuado a concepção geral muçulmana. Sabemos que D. Fernando e D. João I realizaram obras pontuais na fortaleza, desconhecendo-se, contudo, a amplitude dessas intervenções. Bastante mais radical foi o restauro efectuado pela DGEMN, nas décadas de 30 e de 40 do século XX. Nessa altura desobstruiram-se os panos de muralhas e refizeram-se algumas torres que ameaçavam ruir. Foi um restauro algo fantasista que destruiu, entre outros elementos, os restos do Palácio das Varandas, que Domingues Garcia ainda viu. Tal facto, contudo, não foi suficiente para afastar o estatuto desta fortaleza como uma das principais obras de arquitectura militar islâmica, ainda que tardia, que chegaram até hoje, no território nacional.
muçulmanas em território nacional, e uma das que em melhor estado chegou até aos nossos dias. A sua construção remonta aos inícios da dominação islâmica na península, como o parece provar as descobertas arqueológicas de espólio datável dos séculos VIII-IX (GOMES, 1989, p.34). Sucederam-se as reformulações até ao século XI, altura em que Silves atingiu o seu apogeu e ultrapassou a antiga cidade de Ossónoba, elevando-se à categoria de principal cidade do Algarve. Com efeito, sob o governo de Al-Mutamide, Silves passou a ser capital de uma taifa (reino islâmico independente), e deve datar desse período a configuração geral do perímetro amuralhado, em planta, que ainda hoje se mantém.

In: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70541/

 




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