quinta-feira, 10 de março de 2016

Castelos de Portugal - Parte 1


Retirado de "Álbum filatélico de Carlos Kulberg, pp. 78 e 79" [em linha] Consultado em 10 de março de 2016.


João Paulo Mesquita Simões


Começa hoje uma nova rubrica sobre os castelos de Portugal.

A primeira emissão de selos sobre este tema, data de 1946. Desenhos de Cottinelli Telmo em fonte directa das fortalezas, e gravuras a talhe doce de Karl Bickel. Impressos por Courvoisier S. A. (Suíça) sobre papel liso, em folhas de 25 selos com denteado 11,5. Foram emitidos 4 milhões de selos de $10 violeta claro, 1,5 milhões de selos de $30 castanho vermelho,1 milhão de selos de $35 verde, 10 milhões de selos de $50 cinzento, 1,5 milhões de selos de 1$00 vermelho, 1,5 milhões de selos de 1$75 azul, 1 milhão de selos de 2$00 verde escuro, e 1 milhão de selos de 3$50 castanho. 

Circularam de 1 de Junho de 1946 a 7 de Agosto de 1950.

A coleção é composta por nove selos, que representam o Castelo de Silves, que foi fundado antes da era cristã, foi conquistado aos mouros em 1060 por Fernando Magno rei de Castela e Leão, sendo reconquistado pelos mouros pouco depois. Em 3 de Setembro de1189 foi conquistado aos mouros por D. Sancho I voltando a cair em poder destes em 1191. Em 1242 no reinado de D. Sancho II, Paio Peres Correia toma Silves, de surpresa a Almançor, mantendo-se então sob a coroa de Portugal. O fortíssimo castelo que abraçava toda a povoação de Silves, é formado por altas muralhas guarnecidas de fortes torres pouco distantes umas das outras e protegidas por muros e fossos, sendo a sua porta em bronze. 

O castelo de Leiria não está desvendada a sua fundação, que uns atribuem aos colímbrios nos anos 300/350 AC, e outros aos romanos que tiveram a sua posse até 414 DC, data em que foi conquistado pelos suevos. Em 715 foi conquistado pelos mouros, sendo em 753 reconquistado pelos suevos, que o perderam a favor do rei de Córdoba em 850. Em 1134, foi o castelo conquistado por D. Afonso Henriques, que o reconstruiu. Em 1140 foi tomado pelos reis mouros, sendo reconquistado por D. Afonso Henriques em 1141/1142. Em 1194, no reinado de D. Sancho I os mouros tornaram a conquista-lo, mas pouco depois, o mesmo soberano o reconquistou para não mais sair das mãos dos portugueses. Construído no cimo dum monte, domina todas as terras em redor, e as suas muralhas abraçavam o Paço Real construído por D. Afonso Henriques.

O Castelo da Feira não está determinada a sua fundação, que é no entanto atribuída aos godos, quando no século IX estas invadiram a Lusitânia. Esteve sob o domínio romano e árabe até que em 990 passou para a posse do rei de Castela. Em 1093 passou para o domínio do Conde D. Henrique, mantendo-se em poder dos portugueses. O castelo tipo moradia feudal, compõe-se duma cerca de muralhas com ameias e seteiras, tendo duas portas e um postigo. A torre de menagem é quadrada, com um torreão a cada canto, sendo a sua construção atribuída aos mouros, por se tratar dum verdadeiro alcácer. Tem uma enorme cisterna, e um singular poço quadrado de grande profundidade e construído de pedra de cantaria. 

Castelo de Guimarães - Marcado pelos episódios que deram origem a Nação Portuguesa, o Castelo de Guimarães terá assistido também ao nascimento do primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques. A primeira estrutura militar construída em Vimaranes, (Guimarães) data provavelmente do século X, mandada edificar por, Mumadona Dias, que herdara do seu marido o governo das terras de Portucale. Esta estrutura defensiva tinha como finalidade a recolha da população em caso de ataque e a defesa do mosteiro que, Mumadona, também ali mandou edificar. Este mosteiro viria a ser alvo de muitas doações de Mumadona, nomeadamente terras, gado, rendas, objectos de culto e livros religiosos e também o próprio castelo, que na época não devia ser mais do que uma estrutura simples.  Estas terras são doadas, por volta do ano de 1100, pelo rei Afonso VI de Leão, a D. Henrique de Borgonha, pelos serviços prestados na luta contra os árabes, formando o Condado Portucalense. O conde D. Henrique e sua esposa, D. Teresa de Leão, instalam-se em Vimaranes, supondo-se que terão erguido um novo castelo, nomeadamente a torre de menagem e melhorado as estruturas defensivas à sua volta, passando a ser a sua residência. Neste castelo terá nascido D. Afonso Henriques, nele resistiu, já na sua luta pela independência, ao ataque das forças do rei Afonso VII, de Leão, em 1127, e no campo de S. Mamede, nas imediações da fortaleza, derrotou, no ano seguinte, as forças de D. Teresa, sua mãe. O castelo manteve a sua importância ao longo de vários séculos de disputas entre Portugal e Castela. Já no reinado de D. João I, em 1389, após mais um confronto com Castela, são executadas obras de reforço defensivo da cidade, que passou a designar-se Guimarães. Com os progresso militares, as muralhas e os castelos perdem importância e no século XVI, o castelo de Guimarães funcionava como prisão, função que um grupo de vimaranenses, em 1836, usou como justificação para pedirem a sua demolição, o que não seria aceite, e já no reinado de D. Luís, em 1881, o castelo é classificado como Monumento Histórico de Primeira Classe. Actualmente está classificado como Monumento Nacional.  

O Castelo de Almourol não se sabe a quem pertence a sua fundação, que uns atribuem aos Lusitanos e outros aos Romanos. Foi reedificado por D. Gualdim Pais em 1160, ficando na posse da Ordem dos Templários. Está situado num ilhéu no rio Tejo, na região de Constância, Tancos e Vila Nova da Barquinha. O castelo é formado por altas muralhas guarnecidas de ameias, a oeste com quatro torres circulares colocadas a distâncias iguais, no centro tem a sua torre de menagem igualmente ameada, e a leste mais cinco torres circulares, tendo junto á torre de menagem, mais uma torre quadrada. O desembarque no ilhéu é feito a Norte, mas a Sul há vestígios dum antigo cais. CASTELO DE LISBOA - Chama-do de S. Jorge, datando as suas primeiras fortificações do ano de 48 AC, quando da conquista da Península por Júlio César. Passou mais tarde para a posse dos bárbaros, e seguidamente dos árabes que muito melhoraram esta fortificação, construindo um castelo e uma cintura de muralhas que o cercavam e defendiam (cerca moira). Quando em 1147 D. Afonso Henriques conquistou Lisboa, já o castelo era uma poderosa fortificação militar, defendida por espessas e fortes muralhas, tendo no interior um alcácer onde residia a governador mouro, e três torres de grande altura e forte edificação (Torre de Menagem, Torre Ulisses e Torre de Abarrã ou do Haver, mais tarde chamada Torre do Tombo). D. Dinis nele edificou a Paço das Alcáçovas, que foi residência real até ao reinado de D. Manuel I. D. João I também realizou notáveis melhoramentos neste castelo, pondo-o sob a protecção de S. Jorge. Servindo longo tempo como aquartelamento e prisão, foi considerado monumento nacional em 1910, e completamente reconstruído em 1938.

Castelo de Bragança -  Parece ter sido fundado por D. Sancho no século XIII, e mais tarde restaurado por D. Dinis, tendo sido ampliado e novamente restaurado em 1390 por D. João I. Formado por duas tas de muros, de base geométrica diferente, atalaiados de torres e cubelos de formas variadas que cercam a sóbria e imponente torre de menagem de 33 metros de altura, coroada de merlões simples, flanqueada superiormente por quatro cantoneiras de ressalto, com “matacães” ressaindo do paramento. Janelaria e frestas de ogiva, e seteiras longitudinais e cruciformes. A porta ogival que se vê na face Norte, deveria ter acesso por uma ponte levadiça. CASTELO DE OUREM - Mandado construir por D. Afonso Henriques, que em 1158 o doou a sua filha D. Teresa, foi um forte baluarte, considerado quase como inexpugnável pelos da época. A sua bela torre de menagem com janelas em ogiva, sobressai como senhora das restantes torres que guarnecem as suas muralhas.





 

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