sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Fragmentos particulares sobre a memória

Por dudu oliva

Resgate

Recordo-me que quando era muito pequeno, acordei e fugi sozinho para o mar. Minha mãe foi até mim para não me afogar e fiquei zangado. Agora, percebo que ela estava-me a proteger das profundezas do mar.

Aliás, até hoje ela me resgata através desta recordação antiga.

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Refúgio

Existem lembranças tão antigas, mas as recordo como se aconteceram ontem. Por exemplo, quando minha mãe fazia o bolo de chocolate com recheio de doce de leite. Ela me dava as latas de leite condensado e a panela para eu raspar. Ficava num canto esperando e impaciente. O natal da minha infância era mais brilhante e mágico, ficava doido para abrir meus presentes que ficavam debaixo da árvore de natal. Recordações lindas que servem como refúgio para descansar um pouco e, depois, com as baterias restabelecidas continuar a travessia.

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Pena que não tem curso

Têm coisas que marcam não é mesmo? Lembro-me que eu brincava com uma menina negra e ela me contou que sua mãe lhe disse que quando crescesse, ficaria que nem a Xuxa: Loira e de olho azul. Olhei para ela sem ação, sua mãe não fez por maldade, talvez, não queria chatear a filha. Amar é muito complicado, pena que não tem curso.

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Na memória dos outros

Tornar-me um personagem na memória alheia me assusta, pois sinto uma impotência de não poder controlar minha imagem na mente do outro. Por isso, sempre me pergunto o que as pessoas acham de mim e se o que pensam fazem da parte da verdade da minha existência. Até quando sou responsável e inocente sobre as opiniões que têm ao meu respeito? Tenho a consciência limpa de que sou correto nas minhas atitudes e se outro pensa qualquer coisa sobre mim, o problema exclusivamente nele. Não tenho nada a ver com isto.


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