domingo, 19 de abril de 2015

OS INFERNOS DE ELLROY



TEXTO : WEVERTON GALEASE
COLABORAÇÃO : AZKUNA ZENTROA

 Há muito tempo que James Ellroy (Los Angeles, 1948) tem se posicionado como mais do que apenas um romancista dos crimes. Tudo graças a um trabalho apoiado em três elementos: a deterioração da cidade de Los Angeles, 'matando até hoje (e sem revólver) o assassino de sua mãe, e sua vida solitária. 

 O que despertou Ellroy ou o que combina com suas obras. O barulho de Los Angeles, onde Ellroy vive além de sua vida, uma cidade infectada com a corrupção e a violência no geral. Autor de 16 livros, teve grande sucesso com 'Dália Negra' (1987).

 Ellroy chegou a se mudar de Los Angeles em 1995, quando se casou e foi viver no Kansas, mas com o fim do matrimônio, retornou em 2006 para sua cidade, a cidade que segundo ele descreve, ser muito multicultural, Ellroy deixa muito claro em seus livros, que vive uma relação de amor e ódio com a cidade de Los Angeles.

 Cenas e mais cenas, Ellroy teve uma juventude assassinada, mergulhou nos piores bairros da cidade, caiu no alto consumo de álcool, ao que por sorte, acabou internado com pneumonia, e pôde tentar ajeitar a vida.

 Mas, tudo começou em junho de 1958, quando o corpo de sua mãe foi encontrado em um aterro, nas proximidades de uma estrada, seus pais estavam separados, Ellroy com apenas 10 anos, vivia com o pai e visitava sua mãe aos finais de semana. O que se sabe pela investigação da polícia, é que sua mãe havia ido com um homem comer algo, em um restaurante, e sumiu logo após a saída, em que estava junto a este homem no carro, dias depois, garotos que jogavam beisebol acharam o corpo, o caso está em aberto até os dias atuais, a polícia nunca encontrou o assassino e nem o porquê do acontecido, mistério que ronda a cabeça de Ellroy, ao qual virou um cronista de primeira linha, nos assuntos policiais.

 Ellroy participa deste Festival Internacional de Letras de Bilbao, para descrever em conversas, como vê a cidade onde vive, desde os tempos de sua juventude, a prostituição é a qual levou-o a este festival para falar sobre o erotismo, porém um erotismo criminal. O que deve dar um outro 'ar' ao festival.



  O romance é muito mais do que uma mera colagem criativa de fatos retirados dos jornais. Ellroy cria em torno do crime de sua mãe, uma galeria de grandes personagens, a começar pelos dois detetives que investigam o caso, dois ex-pugilistas com problemas sexuais que lutam contra o próprio passado para solucionar os crimes. Mais ou menos como o próprio Ellroy. Tudo se passa em Los Angeles, logo depois da Guerra, um cenário sórdido e sem esperança que Ellroy recria muito bem. Juntando a isso jogos de política, perversões sexuais, drogas, violência e muita corrupção, Ellroy criou um policial antológico, que na época de lançamento, nem parecia ser livro de autor estreante.

 Para a Conversação, Ellroy terá a sua frente o poeta, Justo Navarro Velilla (Granada, 1953). Atualmente, Justo Navarro exerce o jornalismo, porém dedicado a literatura, tem um 'canto' só pra ele no jornal espanhol EL PAÍS (pode acessar a página no link a seguir http://elpais.com/autor/justo_navarro/a/ ), e já que o festival aborda o erotismo na literatura, nada melhor do que indicar o premiadíssimo romance 'Acidentes Íntimos', (pode ver um texto-especial desta premiação nos arquivos do jornal EL PAÍS, no link a seguir http://elpais.com/diario/1990/11/06/cultura/657846004_850215.html ).



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