sábado, 28 de março de 2015

TUDO NA CABECEIRA - LIGHT: A HISTÓRIA DA EMPRESA QUE MODERNIZOU O BRASIL

TEXTO E FOTOS: GUSTAVO DO CARMO


Depois de quase quatro anos decidi voltar a escrever resenhas literárias. Além da baixa audiência do blog eu não estava escrevendo porque só leio livros que realmente me interessam e eu também demoro a ler. Sem falar na enorme fila de títulos impressos na minha cabeceira. Agora passei a ler também e-books no tablet, onde a fila (mental) é menor. Outra coisa é que eu me sinto constrangido em resenhar um livro antigo, do qual todos já conhecem. 

Tudo bem que eu ainda não encontrei uma fórmula exata de resenhar livros e nesta volta estou fazendo mais uma experiência. Assim, agora vou compartilhar o que eu estou lendo no momento e fazer um comentário breve, dizendo se estou gostando ou não. Assim que puder vou atualizando e postar a resenha completa quando acabar de ler. E faço o convite aos outros colaboradores do Tudo Cultural a fazerem o mesmo. O Dudu Oliva já faz isso há um bom tempo. 

Reestreio a seção Tudo na Cabeceira com o livro impresso Light - A História da Empresa que Modernizou o Brasil, do canadense Duncan McDowall, especialista em história econômica, com tradução de Helena Maria Andrade do Nascimento e edição da Ediouro, patrocinada pela Light com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Mas por que a biografia da concessionária que fornece energia elétrica para metade do estado do Rio de Janeiro foi escrita por um canadense? 


É que a Light foi criada no Canadá, como uma subsidiária da Toronto Street Railway Company, empresa que prestava o serviço de bondes puxados por burros na metrópole canadense. Quando decidiu modernizar os veículos, passando a impulsioná-los com energia elétrica, a concessionária se fundiu à companhia ferroviária do empreiteiro William Mackenzie, que colocou o seu sobrenome na frente da pomposa denominação citada acima. A companhia decidiu crescer para outros países e investiu no Brasil.

Apesar de ser uma empresa símbolo do Rio, a primeira investida da Light no país foi em São Paulo, com a criação, em Toronto, da São Paulo Tranway, Light and Power Company, em 1899. A energia viria da usina de Santana do Parnaíba, em 1901. A primeira concessão para explorar o serviço em São Paulo foi obtida pelo engenheiro italiano radicado em Montreal Antônio Gualco, em parceria com o seu sócio brasileiro Antônio de Souza, sogro de Carlos de Campos, amigo do italiano e filho do presidente de São Paulo Bernardino de Campos. Com a morte de Gualco, a Toronto Railway herdou a concessão, que se estendeu à distribuição de energia à cidade. 

Somente em 1904 a Light chegou ao Rio, com a criação da Rio de Janeiro Tranway Light and Power Company e o fornecimento vindo da usina de Ribeirão das Lajes. Para ganhar a concessão de bondes e luz aqui teve que enfrentar poderosos lobbys políticos a favor da família Guinle, que também tentou operar em São Paulo. Aliás, os Guinle aparecem sempre como os vilões da história da Light. Em 1912 as duas companhias se fundiram e criaram a Brazilian Traction Light and Power. A Light inicialmente também distribuiu gás e telefone. A herdeira desta empresa é a Brascan - Brasil-Canadá Ltda. - que hoje administra o Shopping Rio Sul.


O livro de 498 páginas de texto (mais 62 páginas de apêndices, notas, agradecimentos e índice) tem letras pequenas e muita informação política, técnica, acionária e de valores e algumas histórias. Confesso que venho enfrentando dificuldades de ler e de assimilar estas informações. E também pulei alguns trechos para adiantar a leitura. Senão ainda estaria no primeiro capítulo. 

Não é um livro que você tem prazer de ler ou ficar enrolando para não acabar tão rápido. Pelo contrário. Dá até preguiça por causa de tanta complexidade. Está mais próximo de um livro técnico. 

Light tem dez capítulos além da apresentação, prefácio, introdução, pósfácio, apêndices, notas, agradecimentos e índices. Pelo sumário percebo que a história da empresa para na Segunda Guerra Mundial. Ou seja, o livro não é completo. A saída da Light de São Paulo foi falada de forma breve na introdução. 

Estou no sexto capítulo, que fala das dificuldades da empresa durante a Primeira Guerra Mundial, exatamente na página 268. Nas próximas semanas vou atualizando. 

Comprei o livro há quatro anos em uma feira literária na Praça Porto Rocha, aqui em Cabo Frio, onde estou morando nos últimos quatro meses. E em promoção: por 10 reais. Na ocasião eu também comprei o livro Aconteceu na Manchete. Seu preço atual de capa é de R$ 81.90, mas na Saraiva está em promoção por R$ 77,81. Por esse preço, é claro que eu não compraria. 


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