segunda-feira, 24 de novembro de 2014

CADÊ AS VERDADEIRAS CELEBRIDADES, PLAYBOY?

Crônica de Gustavo do Carmo

A primeira Playboy que eu comprei pessoalmente na minha vida foi a do primeiro ensaio da Núbia Oliveira (que hoje assina Núbia Óliiver), em 1993.
Foi em uma pequena banca de Arraial do Cabo, cidadezinha da Região dos Lagos fluminense. Senti um misto de vergonha (por me sentir um tarado precoce) e orgulho (por já estar crescendo e poder comprar sozinho uma revista de adulto).
Se fosse hoje eu não compraria. Não sou muito fã de mulheres de seios pequenos (que ela tinha na época). Além disso, Núbia ainda era uma jovem desconhecida. Mas seu corpo atual está um espetáculo, tanto que eu comprei o seu último ensaio na Sexy em 2011.

Gosto de mulheres de seios grandes, naturais e com muitos pelos pubianos. E que sejam mais famosas. Pois tenho mais prazer em ver a nudez de uma mulher bem vestida do que uma desconhecida que vive se exibindo sem roupa só para aparecer. 

Mas na inocência dos meus 16 anos incompletos (ainda maior que hoje) eu ficava excitado com qualquer coisa.

No ano anterior, eu já tinha pedido para o meu pai comprar a primeira Playboy pra chamar de minha. Foi a da atriz Cristiana Oliveira, que fez sucesso em Pantanal, na TV Manchete, e, na época, estava se transferindo para a Globo, onde iria atuar na novela De Corpo e Alma.

Também tinha pouco peito, mas era mais atraente que a Núbia por ser mais famosa e despertava mais curiosidade, embora tenha aparecido nua várias vezes em Pantanal. Hoje cairia bem um novo ensaio com ela.

Ainda em 1992, novamente pedi para o meu pai comprar as Playboys das trigêmeas gaúchas Porto (Marilise, Lilian e Renata) e da Marinara (na época casada com o apresentador então global Fernando Vanucci).

Eu também “tomei posse” das Playboys do meu pai com a Renée de Vielmond, Suzana Mattos (então esposa do trapalhão Dedé Santana), Maitê Proença (de 1987), Lídia Brondi e da falecida fogueteira Rosenery (aquela que quase tirou o Brasil da Copa do Mundo de 1990, ao lançar um rojão no Maracanã, mas a CBF foi salva pela farsa do goleiro chileno Rojas) na capa.

Depois da Playboy da Núbia de Oliveira passei a comprar outras com mais frequência. De junho de 1995, com a Dominique Scudera (por onde anda?) até a ex-jogadora de vôlei Ida (setembro de 1996) comprei ininterruptamente. Só boicotei a primeira da Carla Perez porque eu já não gostava de pagode indecente. Mas o meu pai fez o “favor” de comprar e foi parar na minha biblioteca, que está guardada num canto obscuro do meu apartamento.

Já não lembro quando eu parei de comprar todo mês. Mas andei comprando muitas nos sebos da praça Tiradentes. A última nova que eu tenho foi a da atriz Nanda Costa, já com o juramento de que só compro Playboy de mulheres de verdade: atrizes, cantoras, escritoras e, quem sabe?, jornalistas.

O problema é que desde o final do século passado, a Playboy brasileira está convidando muitas mulheres de baixo interesse para as suas capas. A deterioração cultural do Brasil é a maior culpada.

Aquela primeira Playboy da Carla Perez já era um primeiro sinal da decadência social brasileira. Mas a coisa ficou pior a partir de 1999, com a proliferação programas de TV como H (hoje Caldeirão do Huck), No Limite, Casa dos Artistas, Big Brother Brasil, A Fazenda e Pânico na TV. Mesmo assim, Tiazinha (Suzana Alves) e Feiticeira (Joana Prado) aparecem como as Playboys mais vendidas do Brasil de todos os tempos. Elas eram dançarinas do programa do apresentador da Globo Luciano Huck, então na TV Bandeirantes.

Até garotas-propaganda de refrigerante (Michelle Marchi, a vizinha do Tio Sukita) e cervejas como Brahma (Garotas da Brahma e Maryeva), Skol (Luize Altenhofen e Daniella Cecconello) e Kaiser (Pietra Ferrari) já foram capas.

Ritmos musicais de baixo calão como o pagode (não confunda com o ritmo feito por um grupo de verdadeiros sambistas), axé music e o funk (não confundir com o funk norte-americano) também banalizaram a Playboy brasileira. Além de Carla Perez, Sheila Carvalho, Sheila Mello, Mulher Melancia e Enfermeira do Funk são os exemplos desta degradação.

O corpo das mulheres também está mais artificial com o excesso de silicone, photoshop e a depilação total íntima, o que eu acho nojento e um incentivo à pedofilia. Nem as atrizes mostradas são tão desejadas e de destaque como antes.

Tudo bem que Fernanda Paes Leme, Regiane Alves, o segundo ensaio de Danielle Winits e Luciana Vendramini, Grazi Massafera (antes de virar atriz), Mariana Kupfer (que não é atriz), Ticiane Pinheiro (que ainda não era apresentadora de TV) com a mãe Helô (ex-Garota de Ipanema que hoje mora em São Paulo), Bárbara Paz, Ana Paula Tabalipa, Cléo Pires, Nathalia Rodrigues, Leona Cavalli, Letícia Birkheuer, a roteirista Fernanda Young, Bárbara Borges, Flavia Alessandra (as duas últimas duas vezes) e Nanda Costa foram boas exceções.

Mas sinto falta de mulheres do nível das primeiras Playboys que eu tive e de nomes já consagrados como a americana Charlotte Rampling, as brasileiras Regina Duarte, Ítala Nandi, Djenane Machado, Maria Cláudia, a jornalista Cynira Arruda, Tamara Taxman, Alcione Mazzeo, Sônia Braga, as irmãs Simone e Suzane Carvalho, Matilde Mastrangi, Christiane Torloni, Carla Camuratti, Silvia Bandeira, Lucinha Lins, Cláudia Ohana, Betty Faria, Suzana Vieira,  Maitê Proença, Xuxa, Cláudia Raia, Luiza Brunet, Monique Evans, das irmãs Ísis e Luma de Oliveira, Isadora Ribeiro, Luciana Vendramini, a rainha do basquete Hortência, Lúcia Veríssimo, Vera Fischer, Tássia Camargo, Yoná Magalhães, Carla Marins, Bruna Lombardi, Isabel Fillardis, Ângela Vieira, Marisa Orth, Alessandra Negrini, a saudosa velejadora Dora Bria e até a discreta cantora Marina Lima, sem esquecer de revelações como Mari Alexandre, Vanusa Splinder e Carina Girardi.

As últimas boas revelações da Playboy foram o trio de coelhinhas Thaiz Schmidt, Ana Lúcia Fernandes (apesar do pouco seio) e Márcia Spézia. Isso em 2008. Já faz seis anos.

A fase da Playboy brasileira anda tão ruim que a capa da edição do último aniversário trouxe uma atriz coadjuvante, que fez papel de babá na novela Em Família. Jéssika Alves é muito bonita, claro, mas não é aquela mulher para posar nua.

Nem as Misses Brasil estão aceitando a sair na Playboy. A última foi Joseane Oliveira, que só posou porque participou do BBB e ainda perdeu o título quando foi descoberto que ela era casada em 2002.

O lamentável é que participantes do Big Brother Brasil e assistentes de palco do Pânico na TV e outros programas de auditório estão dominando o ano das capas da nossa Playboy. E o pior, elas exigem demais para posar e as verdadeiras estrelas, que merecem mais, pedem o que a revista já não pode mais pagar por causa das baixas vendas.

Para piorar, ainda fiquei sabendo que a ex-assistente de palco do Pânico, Nicole Bahls recusou uma proposta milionária para posar nua (pela segunda vez). Agora que as celebridades autênticas não vão querer posar mesmo.

Neste fraquíssimo ano de 2014, tivemos o trio Veridiana Freitas, Fernanda Lacerda e Aricia Silva (garotas desconhecidas do verão em janeiro); um ensaio importado da modelo inglesa Kate Moss no mesmo mês; a ex mulata Globeleza Aline Prado em fevereiro; Mari Silvestre (assistente de palco de Luciano Huck) em março;  duas assistentes de palco do programa de Rodrigo Faro na TV Record em abril; a ex-BBB Amanda Gontijo em maio; uma moça apontada como paquera do Neymar em junho, mês da trágica Copa do Mundo (por que não a então namorada titular Bruna Marquezine?); outra ex-BBB, Vanessa Mesquita, em julho; a tímida babá Jéssika Alves em agosto (por que não a patroa Vanessa Gerbelli?); Natália Inoue, uma participante de traços orientais d’A Fazenda de Verão (o BBB da Record), em setembro; a panicat Fernanda Lacerda (de novo, depois de posar em janeiro), chamada de Mendigata em outubro e Marcela Pignatari, figurante do seriado O Negócio, em novembro. Por que não chamaram o trio de protagonistas do seriado da HBO?

No balanço, duas atrizes coadjuvantes, uma modelo internacional, outra de vinheta de abertura de carnaval, uma oportunista (no bom sentido), três participantes de reality-show e seis assistentes de palco.  Não foi à toa que no passado, a Editora Abril cogitou se desfazer dos direitos da Playboy no Brasil.

A Playboy brasileira ainda segue o conceito criado por Hugh Hefner nas melhores dicas de estilo de vida, viagens e moda para os homens, nas entrevistas e nos contos e crônicas dos melhores escritores do país. Mas está devendo uma verdadeira celebridade.

Minhas mulheres de sonho são as atrizes Guilhermina Guinle, Alinne Moraes, Giulia Gam, Mariana Ximenes, Marina Ruy Barbosa e Sophia Abrahão, as cantoras Maria Rita e Paula Fernandes, a atriz e ex-integrante do humorístico Casseta e Planeta, Maria Paula, as apresentadoras Fernanda Lima, Luciana Gimenez, Xuxa (por que não?), Renata Fan, Ana Hickmann e algumas jornalistas.

Mas apresentadoras de informativos não podem posar nuas senão somem da mídia, né? Até entendo e respeito o tabu. É o caso de Cléo Brandão, que somente agora está voltando a exercer a sua profissão, e Mônica Apor. O curioso é que mulheres que fizeram vídeos bem mais picantes podem apresentar um telejornal de TV.

Só voltarei a comprar a Playboy quando as minhas sugestões forem atendidas ou a revista apresentar na capa uma mulher estreante e que não seja participante de reality-show, assistente de palco, figurante de programa humorístico, funkeira ou dançarina de pagode e axé music. Neste último caso, só se for Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e Daniela Mercury.

Somente assim, a Playboy brasileira volta a ter a qualidade de antes e não precisa usar a desculpa de que a pirataria na internet reduz as vendas. Afinal, revista com celebridade de grande repercussão todo mundo vai querer comprar, principalmente adolescentes ingênuos como eu era quando adquiri a minha primeira Playboy.



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