quinta-feira, 13 de junho de 2013

Rota das Catedrais - Parte final

João Paulo Mesquita Simões

A série que compõe esta coleção, é de um conjunto de seis selos. No entanto, refiro aqui só os selos relativos à cidade de Coimbra, cidade onde vivi, trabalho, estudo, e onde nasceu a minha filha.
Para terminar então a Rota das Catedrais, é mencionada hoje a Sé nova de Coimbra, situada junto da Universidade.
O texto abaixo, foi retirado de http://www.regiaocentro.net/lugares/coimbra/monumentos/senova.html que, embora extenso, é interessante de ser lido. 
Como diz o ditado, o saber não ocupa lugar!


Antiga igreja do Colégio da Companhia de Jesus, de que faz parte integrante, outrora conhecida por Igreja do Santo Nome de Jesus.

Actual sede episcopal e da Paróquia da Sé Nova. O seu orago é S. Tomás de Vila Nova. Situada no largo da Feira dos Estudantes, actualmente mais conhecido como Largo da Sé Nova.

Em 7 de Agosto de 1598 é lançada a primeira pedra da igreja, pelo bispo Dom Afonso Castelo Branco, tendo-se as obras prolongado por vários decénios. A sagração dá-se em 1 de Janeiro de 1640.

Os cinco candelabros de suspensão são desta época, executados em latão. Também na parte interior da parede da fachada e nas paredes laterais de algumas capelas, foram colocados azulejos policromos, de fabrico lisbonense.

Em 31 de Julho de 1698 a capela mor e o transepto são abertos ao culto. A igreja é abandonada com a supressão da Companhia de Jesus em 1759. Portaria de el-rei Dom José, firmada no palácio de Mafra em 11 de Outubro de 1772, para o Marquês de Pombal, diz que el-rei, tendo prestado o seu régio assentimento aos piedosos rogos do Vigário Capitular, declara que o Marquês, de acordo com o Vigário, fizesse aplicar a igreja do colégio dos Jesuítas a Sé Catedral. Esta Portaria vem corresponder ao apelo do então Vigário Capitular, Dom Francisco de Lopes Pereira Coutinho, e do Cabido, para transferirem a Sé para a igreja dos Jesuítas, dado que esta estava abandonada e a corporação capitular sentia-se constrangida pois era demasiado pequena para o grande número de Cónegos e para as funções litúrgicas. Provisão de 16 de Outubro vem confirmar esta transferência. No dia 19 de Outubro de 1772, fez-se a transferência jurídica da Sé Velha para esta igreja que passou a chamar-se Sé Nova. Fez a transferência, por parte do Estado, o Corregedor da Comarca de Coimbra José Gil Tojo Borga e Quinhones e receberam-na o Vigário Capitular Dom Francisco de Lemos Pereira Coutinho por parte da mitra (o bispo Dom Miguel da Anunciação estava preso em Lisboa) e os cónegos Nuno Pereira Coutinho e Rodrigo de Almeida, procuradores do Cabido. No dia 21 trasladou-se solenemente o Santíssimo Sacramento da Sé Velha para a Sé Nova.

Os Estatutos dos Beneficiados, contidos em portaria assinada por Dom Francisco de Lemos em 7 de Setembro de 1796, dizem "que o novo pároco tenha o título de reitor, uma murça com capuz, botões e forro, tudo de cor preta e ocupe o primeiro assento no banco dos Beneficiados, da parte do Coro no lado da Epístola".

No terceiro quartel do século XIX D. Manuel Correia de Bastos Pina faz grandes obras de reparação. O Padre Manuel José da Cunha foi o primeiro pároco da Paróquia da Sé Nova. A fachada compõe-se de dois corpos sobrepostos. O primeiro corpo, mais largo e mais alto, em forma de quadrilátero, tem seis grupos de pilastras dóricas, três portas e três janelas centrais, ladeadas por quatro nichos com as imagens de santos da Companhia de Jesus: nos dois grupos laterais à direita, Santo Inácio e S. Luís Gonzaga; nos dois à esquerda S. Francisco Xavier e S. Francisco de Borja. O corpo superior é mais estreito e tem dois conjuntos de pilastras jónicas sustentando frontões interrompidos.

O frontão principal, mais elevado, tem as armas da nação. Por cima e nos extremos do corpo inferior, duas aletas e, na base destas, duas esculturas dos santos Pedro e Paulo, com o dobro do tamanho natural, harmonizam as diferenças de largura.

O interior é de uma só nave, à maneira jesuítica, com quatro tramos divididos por pares de pilastras dóricas encimadas por um grande entablamento, com capelas laterais entre as pilastras, comunicando entre si, cúpula no cruzeiro, transepto pouco profundo e capela-mor rectangular.

O coro é suportado por duas colunas. Na abóbada existem três ordens de arcos torais por cada tramo, do mesmo teor das pilastras. As abóbadas do transepto e da capela-mor têm tramos mais curtos, apenas de duas ordens de treze quartelas. Ainda no transepto, estão duas grandes telas do século XVII, retiradas das capelas que evocam a Adoração dos Magos e o Presépio. No cruzeiro, uma cúpula sem tambor intermédio, semi-esférica e com cinco ordens de caixotões "assenta num entablamento circular que se apoia nos arcos por intermédio de triângulos esféricos. Um lanternim remata a cúpula. São famosos os retábulos da igreja, todos do barroco, de madeira entalhada e dourada: retábulo do altar mor; retábulos do transepto dedicados à Sagrada Família e à Assunção e ainda dois outros pequenos retábulos também no transepto e colocados nas paredes do lado da capela-mor; retábulos da nave do lado direito nas capelas do Sacramento, de S. Tomás de Vila Nova e de Nossa Senhora das Neves; retábulos da nave do lado esquerdo nas capelas de Santo Inácio, da Vida da Virgem e de Santo António. De notar que as capelas "têm grades de madeira exótica, de balaústres torneados ou espiralados, com bronzes recortados em chapa". (Cfr. Inventário Artístico de Portugal - Cidade de Coimbra). De interesse também os vários anjos tocheiros existentes.

O chamado Tesouro da Sé vindo da Sé Velha para esta catedral, foi parar ao Museu Nacional de Machado de Castro, ficaram, no entanto, algumas espécies correntes de diversos séculos, tais como a grande banqueta de prata (primeiro quartel do século XVII) composta de cruz e sete castiçais e quatro imagens bustos representando S. Pedro, S. Paulo, S. Francisco e Santa Luzia. Alguns sinos vieram da Sé Velha, outros são do tempo dos jesuítas e outros ainda são de datas posteriores. Na parte interior da parede da fachada e nas paredes laterais de algumas capelas, foram colocados azulejos policromos, do século XVII, de fabrico lisbonense.

O cadeiral é de finais do século XVII, fica na capela mor e foi mandado construir pelo bispo D. João de Melo para a Sé Velha. As cadeiras são de madeira exótica com grande parte dos bronzes desaparecidos. O espaldar é de talha dourada com telas entre as consolas. Catorze dessas telas narram a Vida da Virgem.

No século XVIII fez-se um acrescento com duas telas de muito fraca qualidade, de Manuel da Silva, representando evangelistas. Pouco depois de cedida a igreja ao cabido catedralício para sé, "a capela-mor foi ampliada para o dobro do tamanho, no sentido do comprimento. O retábulo, de madeira entalhada e dourada, do fim do século XVII tem duas colunas torcidas de cada lado, enramadas de pâmpanos. De cada lado entre a abertura central e os pares de colunas, ficam quatro nichos de santos: do lado esquerdo; Santo Inácio e S. Francisco de Borja e, do lado direito, S. Francisco Xavier e Santo Estanislau Kotska, esculturas de nível artístico que as dos retábulos do transepto.

Na parte central do retábulo há um presépio e um trono de prata, ambos do século XVII. Capela de Nossa Senhora das Neves fica à entrada da igreja do lado direito e pertence à primeira metade do século XVIII. As colunas são joaninas, torcidas com grinaldas de flores. No nicho central, em tamanho natural, está a imagem de Nossa Senhora das Neves. Em cada um dos lados estão as imagens de Santa Ana e de S. Miguel, em tamanho médio.

A capela da Pia Baptismal fica sob o coro, do lado esquerdo. O retábulo é da Segunda metade do século XVII, com duas pilastras coríntias. Sob o arco médio encontramos a escultura de Cristo Crucificado com Madalena ajoelhada. Dos lados uma imagem de S. João e outra da Virgem, não estão proporcionadas em relação ao Cristo. No frontão, a figura do Padre Eterno.

A capela da Ressurreição fica do lado esquerdo, entre a capela de Santo António e a de Santo Inácio. É a Segunda a contar do transepto. Pertence à Segunda metade do século XVII, tem oito colunas coríntias com o terço inferior das mesmas ornado com hastes de acanto. Ao centro de cada dois pares de colunas está: na parte superior uma tela representando o Aparecimento de Cristo à Virgem e na parte inferior a tela da Ressurreição. Sobre o altar podemos observar duas esculturas do século XVII, Santa Bárbara e Santa Catarina e uma do século XVIII que representa S. Pantaleão ligado a uma cruz em X. Sobre uma mísula está a escultura da mártir de Coimbra Santa Comba.

A capela de S. Tomás de Vila Nova fica do lado direito da nave central da igreja, imediatamente antes da capela do Sacramento. É o mais rico altar do templo, com revestimento completo do espaço da capela em talha dourada barroca de finais do século XVII, incluindo o tecto. Quando foi colocado ficou sob a invocação de S. Francisco Xavier. A invocação de S. Tomás de Vila Nova deve-se ao facto de aqui ter sido colocada a imagem deste santo, obra espanhola do século XVII, vinda da Sé Velha quando o cabido tomou posse da Sé Nova.. Também aqui se encontram, em nichos das paredes laterais, as imagens de S. Estanislau Kotkta e S. Luís de Gonzaga.

A capela do Sacramento fica na nave central do lado direito, junto ao transepto. O retábulo proto-barroco, do século XVII, tem quatro pares de colunas coríntias, sendo os dois pares de baixo decorados com enrolamentos de acanto no seu terço inferior. Na parte central e por cima, uma tela do século XVII da Trindade e por baixo outra tela de Nossa Senhora da Conceição, da mesma época. O sacrário é de fabrico posterior.

A capela de Santo António fica do lado esquerdo, antes da capela da Ressurreição. O retábulo é da Segunda metade do século XVII, em madeira dourada, com colunas coríntias em dois corpos, sendo as quatro colunas inferiores revestidas com enrolamentos de acantos. No centro do corpo inferior está uma má réplica da Senhora do Pópulo, de Roma em forma oval, com a moldura cercada de anjos desnudos. A imagem de Santo António foi colocada em frente e na parte inferior da pintura oval. Não tinha o Menino que foi acrescentado em 1945. Na parte superior vemos, ao centro, Nossa Senhora da Assunção e, dos lados, S. João Baptista e S. João Evangelista. Na parede, do lado direito, há uma tela representando a Adoração dos Magos, do século XVIII. Sobre o altar vemos duas pequenas esculturas em madeira, do fim do século XVII: Santa Cecília e Santa Quitéria.

A capela de Santo Inácio fica do lado esquerdo imediatamente antes do transepto. É de meados do século XVII, tem dois corpos com quatro colunas coríntias cada um, com folhagens no terço inferior e nos frisos do entablamento. Tem ao todo dez nichos, sendo dois maiores no centro de cada corpo, com Nossa Senhora da Conceição no superior e Santo Inácio no inferior. Os restantes oito, mais pequenos tem as seguintes imagens: no corpo superior S. Jorge, S. João Baptista, S. Francisco de Assis e S. Cristóvão, e no corpo inferior, S. Francisco Xavier, Santo Estanislau Kotska, S. Francisco de Borja e S. Luís de Gonzaga. Na base estão quatro baixos-relevos alusivos a Santo Inácio.

A capela da Vida da Virgem é da Segunda metade do século XVII e fica, do lado direito, antes da capela de S. Tomás de Vila Nova. O retábulo tem colunas coríntias, sobrepostas, com o fuste decorado de folhas de acanto. Tem vários altos relevos, sendo os de baixo de grande valor artístico. Representam a Coroação da Virgem, ao centro, ladeado pela Assunção e Anunciação da Virgem. Os relevos da parte superior, de menor qualidade, são dedicados à Sagrada Família, à Senhora da Conceição e à Visitação. Na base do retábulo, pequenos relevos evocam o Nascimento, a Apresentação e o Casamento da Virgem. Mármores de várias qualidades revestem a parte inferior das paredes laterais. Os Claustros estão divididos entre departamentos da Faculdade de Ciências e anexos da Igreja da Sé Nova. São obra do século XVII, com pilastras abrangendo os dois pisos de que é composto, rematadas pelo entablamento de suporte do beiral, sobre o qual assentam os fogaréus. A parte inferior é composta por duas alas com sete arcos e outras duas com seis, cobertos por abóbadas com arestas em tijolo. O piso superior é composto por janelas rasgadas, uma por cima de cada arco.

Rota das Catedrais - 1a Parte 

Nenhum comentário:

Arquivo do blog