segunda-feira, 1 de abril de 2013

OI, TUDO BEM?


Conto de Gustavo do Carmo

— Oi?
— Oi.
— Tudo bem?
— Tudo bem.
— Como vai a família?
— Bem.
— Tem certeza?
— Claro que sim.
— Não parece.
— Por quê?
— Pela sua voz, sua fisionomia cansada.
— E vai adiantar se eu disser que não está, a não ser te tomar mais tempo?
— Claro que vai. Eu posso te dar uma força.
— Ah, não precisa. Você não será capaz de resolver os meus problemas.
— Então não está nada bem.
— Não. Não está.
— O que houve?
— Meu pai está falido. Minha mãe doente. Minha irmã está se separando do marido. E eu estou desempregado.
— É. Realmente não está bem mesmo.
— Pois é. Por que, então, queria saber dos meus problemas?
— É porque todo mundo diz que está bem quando, na verdade, não está. Fala isso para não prender os outros com os seus problemas. Prazer, sou psicólogo.
— Eu não falei que você não seria capaz de resolver os meus problemas?

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