segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Farsa do Perdão

Crônica de Gustavo do Carmo



Tem umas pessoas “cheias de paz” por aí que ficam dizendo que o perdão faz bem...  que o ódio faz mal para a saúde... Pura balela. Quando essa gente fica magoada não perdoa de jeito nenhum. Sequer pede desculpas. Se disser que perdoou está mentindo.


Eu mesmo passei por essa situação. Falo por experiência própria de quem não foi perdoado. Quem eu realmente magoei, até compreendo. Já briguei com um amigo de bobeira, culpa minha, e pedi perdão logo em seguida. Ele teve a humildade de responder que não queria retomar a amizade naquele momento. Esperei. No aniversário dele, meses depois da briga, tomei coragem e lhe desejei felicidades. Ele aceitou e fizemos as pazes. Ele foi exceção.

Antes, fiquei magoado com uma colega da primeira pós-graduação que eu fiz e única que eu terminei. Procurei-a como se não tivesse acontecido nada. Ela respondeu educadamente. Mas não me procurou mais. A amizade que a gente tinha não era mais a mesma. Lembrei daquele ditado “Amizade é igual pata de cavalo. Quando quebra não é mais a mesma”. Ah! Tem aquele também que diz “Amizade é igual papel: quando você amassa e depois desamassa nunca mais fica como era antes”. Nunca mais a procurei. Mesma coisa para o meu principal colega na faculdade de jornalismo, que não me procurava depois que nos formamos, e quando eu procurava me tratava com frieza.

Com outra colega de outra pós-graduação, que, aliás, eu abandonei no final, também me desentendi. Ela me boicotava nos trabalhos de grupo. Fazia corpo mole. Mesmo tendo razão na minha mágoa pedi desculpas. A primeira ela aceitou, mas me enganou de novo, repetindo o corpo mole. Na segunda, ela disse que aceitou, mas foi fria demais. Foi mais calorosa pra falar das afinidades com outro colega da turma do que pra me perdoar. Fiquei com tanta raiva desse suposto envolvimento amoroso entre eles que eu nem respondi ao tal e-mail.

Meses depois, tentei readicioná-los no Facebook, como se não tivesse acontecido nada. Eles não aceitaram. Aí caí na asneira de reclamar. Fui dizer que o ódio estava me fazendo mal. Encerrei a mensagem os chamando de traidores. Nem se deram ao trabalho de responder à minha mensagem suplicante e raivosa ao mesmo tempo. Não sei foi por causa do teor da mensagem ou porque são falsos mesmo.

No ano passado, por causa de uma ironia com o tempo de gravidez feita por um seguidor no Twitter que eu fiz questão de replicar para os meus seguidores (o famoso Retweet), um cara que se dizia meu amigo, metido a jornalista esportivo, disse que bloqueou o cara só porque não gostou da mensagem. Respondi de blague que ele estava sendo mal-humorado, que não estava levando na brincadeira. E o jornalista me bloqueou. Eu também o bloqueei e nunca mais visitei o site caseiro dele. Até agora não veio me pedir desculpas. Deve estar achando que eu não respeitei a opinião dele. Dane-se. Não vou procurá-lo. Eu tenho razão.

Foi com esses dois casos que eu cheguei à conclusão de que esse discurso de que perdão faz bem pro coração é pura balela. Ódio e rancor só fazem mal para quem é fraco ou não tem amigos. Porque essas pessoas “cheias de paz”, que têm uma rede de relacionamentos enorme e estão estabilizadas no emprego nem precisam sentir ódio e pedir perdão de gente que eles mesmos desprezam, porque não vai lhes fazer falta nenhuma, pois têm um milhão de amigos. Falsos, mas têm.  

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