quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Uma outra forma de entregar o correio

João Paulo Mesquita Simões


Sempre modesto leal e dedicado, o pombo correio foi protagonista de muitos e diversos episódios da História da Humanidade, desde tempos imemoriais até ao Sec XXI.


Ave sensível e pacífica, de voo sereno e alegre, o pombo foi visto como uma ave sagrada por alguns povos e enaltecido por outros como animal protector. A pomba é hoje universalmente conhecida como símbolo da paz.

Darwin afirmava que o pombo doméstico já é mencionado durante a 5ª dinastia egípcia, ou seja 4.000 anos antes da nossa era. Mas, de facto, ninguém sabe dizer com certeza quando é que o pombo foi domesticado e utilizado pelo homem como portador de mensagens. Mas, sabe-se, que já Salomão mandou espalhar pombais por vários sítios do seu império para assim ser informado rapidamente do que se passava. Por sua vez, os gregos, que tinham aprendido com os caldeus e com os israelitas as vantagens dos pombos mensageiros, organizaram serviços de correspondência que lhes permitiram passar informação entre locais distantes. Esta rede era particularmente relevante durante os jogos olímpicos, para comunicar os resultados das competições. Dois mil e quinhentos anos depois, nas primeiras décadas do Sec.XX, quando o futebol se estava a implantar, também foram usados os pombos correios para comunicar resultados dos desafios.


Na 1ª Grande Guerra (1914/18) o estabelecimento de comunicações atravez dos pombos foi imprescindível. E na 2ª Guerra Mundial (1939/45) os serviços do Pacífico da BBC difundiram uma palestra em que se disse, a dado passo:” É um pouco irritante pensar que nestes dias de maravilhas científicas, especialmente no que diz respeito às comunicações globais via rádio, ainda dependamos tanto do simples facto de uma certa ave, cinzenta, pequena e elegante, estar sempre a querer ir para casa”.

A conveniência do emprego destas aves para a troca de informações também não passou despercebida em Portugal.

Em 1880 foram construídos os primeiros pombais militares, constituindo uma rede de apoio ao telégrafo. O primeiro foi instalado na Penha de França, em Lx. Até 1898 foram criados pombais em Elvas, Tancos, Ajuda, Setúbal, Vendas Novas, Coimbra, Viseu, Mafra e Évora. E também em Angola, Moçambique e Guiné.
Fazer a história do pombo-correio é desfiar um extenso rosário de episódios de todos os matizes. É também uma forma de percorrer múltiplos acontecimentos marcantes da História Universal.

Nota - Penso que hoje em dia o pombo correio está já “dispensado do serviço militar”, sendo a sua missão apenas civil. É utilizado nos concursos de columbofilia, onde vamos encontrar milhares de entusiastas que continuam a fazer dele o seu animal de estimação. Ouvi, em tempos, um columbófilo designá-los, curiosamente, como atletas voadores!

Excerto de um artigo, não assinado, publicado na revista do Club do Coleccionador.


In: http://simecqcultura.blogspot.pt/2008/09/pombo-correio-o-mensageiro-da-histria.html

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