quarta-feira, 26 de outubro de 2011

QUARTA POÉTICA: VOANDO, DESLIZANDO



Voando, deslizando.

Minha mãe disse que já sou homem
e posso voar, à procura de diamantes
escondidos nas nuvens deslocadas
pelos ares de intensos transparentes.

Minha mãe disse que já posso deslizar
as mãos nas pernas finas da menina
passeante das tardes à frente da casa
embaixo do  único viaduto dessa cidade.

Ah, minha mãe, você é tão ingênua
quanto aquela bola de sabão
que viaja sem rumo pelos ares,
passando pertos das nuvens
onde se escondem os diamantes.

Ah, minha mãe, você é tão ingênua
quanto aquelas  bolas de sabão...
Você desconhece que já fujo
da casa embaixo do viaduto
e saio por aí, voando, deslizando...

Vôo sem rumo que nem um ingênuo,
menino acriançado de visão embaçada,
deslizando minhas mãos pequenas
que procuram as pernas da menina
feia, azeda, mas quisera linda comigo.

Vôo sem rumo por aí, mãe.
Vou à procura de diamantes
escondidos nas nuvens
deslocadas pelos ares
dessa cidade não nossa.

Vôo sem rumo, minha mãe.
Vou à procura de diamantes
para dá-los àquela menina
passeante à frente da casa,
e só assim, deslizar minhas mãos
em suas finas pernas infantis.

Pois, mamãe, já sou homem.
Já sou homem, como diz.
E viajar pelos ares,
deslizar nas pernas,
foi o que sempre quis.


                                                           Rogerleo.
                                               

                                                                                                                                                                    

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