quinta-feira, 3 de março de 2011

Festas Tradicionais Portuguesas

João Paulo Mesquita Simões




A festa moldada pelos parâmetros de uma sociedade rural e tradicional, que nos anos do êxodo rural da década de 60 parecia desaparecer, adquiriu, no final do século XX, outras expressividades. A década de 80 trouxe a revitalização de muitas festas, que apresentam novos contornos. Houve uma tomada de consciência, por parte das populações, do valor das tradições locais, do tão falado «património etnográfico» e da importância da defesa da autenticidade. Face à industrialização, à modernização e à crescente urbanização, as sociedades criam (ou recriam) celebrações, momentos de lazer que refazem identidades. Temos hoje em dia uma multiplicidade de novas formas festivas no mundo urbano e no espaço rural.
As festas dos Tabuleiros de Tomar e a Festa da Flor na Madeira, exemplos do ciclo festivo da Primavera, o São João do Porto, pertencente ao ciclo do Verão, e o Carnaval de Loulé, marcando o final do ciclo festivo do Inverno, possuem todas elas elementos herdados de uma longa tradição, a que se foram juntando caracterísiticas mais recentes que as transformaram em cartazes turísticos e símbolos identitários das várias localidades e regiões em que se celebram.
A festa dos Tabuleiros de Tomar, que se celebra de quatro em quatro anos, é uma forma de culto ao Divino Espírito Santo. Inicia-se no Domingo de Páscoa com a Festa das Coroas. As restantes cerimónias - que englobam o Cortejo dos Rapazes (também conhecido como Chegada dos Bois do Espírito Santo) , o Cortejo do Mordomo, a abertura das ruas ornamentadas, os Cortejos Parciais, os jogos populares, o Cortejo dos Tabuleiros e o Bodo (ou Pêza) - vão tendo lugar em dias marcados até ao mês de Julho. Os tabuleiros, oferendas para o Divino com trinta pães enfiados em canas e encimados por uma coroa com a Pomba do Espírito Santo ou pela Cruz de Cristo, são transportados pelas mulheres. No cortejo principal da festa estão representadas as dezasseis freguesias do concelho.
A festa da flor na Madeira, celebrada em Abril, é um exemplo de uma festa criada recentemente, reforçando aspectos lúdicos ligados ao turismo e recuperando temáticas mais antigas da celebração do rejuvenescimento primaveril da natureza. É também um caso em que se explora a beleza e o valor plástico da arte efémera que as flores constituem, patente nos carros dos cortejos, nos dançarinos disfarçados de flores, nos tapetes de flores pelas ruas, e na atribuição de prémios às montras mais bem decoradas.
O São João do Porto integra-se no ciclo festivo de Junho, em que a elementos vindos de uma longa tradição europeia se juntam novas componentes da festa. Nos bairros tradicionais encontram-se os arraiais e as cascatas do São João, com as fogueiras e os vasos de plantas aromáticas, como o manjerico e os ramos de cidreira e de limonete. Na noite de São João, considerada mágica por quantos a conhecem, plantas, fogo e água adquirem propriedades fantásticas e apotropaicas, relacionadas com a fertilidade, a saúde e a felicidade.Os alhos porros, claros símbolos sexuais, hoje em dia trocados pelos martelos, o lançamento de balões de ar quente e o fogo de artíficio à meia noite, junto ao rio Douro e à ponte Dom Luís, são marcos importantes da festa.
O carnaval de Loulé é um ex-líbris centenário da cidade, famoso pelo seu corso repleto de foliões, gigantones e cabeçudos, carros alegóricos, grupos de animação, escolas de samba e convidados célebres. Os carros alegóricos são o palco de encenações de sátiras políticas, sociais e desportivas, em que são revistos criticamente acontecimentos recentes da vida nacional. O desfile dos carros e a Batalha das Flores constituem dois momentos de destaque.

(In: www.ctt.pt)

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