sábado, 29 de janeiro de 2011


Por Gustavo do Carmo

A notícia caiu como uma bomba na Multiflex. O recém-empossado presidente da multinacional de tecnologia de informação renunciou ao cargo para cuidar da mãe.

Os vice-presidentes e gerentes não acreditaram. As belas secretárias e os tímidos estagiários até louvaram a nobre decisão do demissionário dirigente. Só não entenderam o que levou um executivo, que havia acabado de ser nomeado presidente, abandonar a profissão para virar enfermeiro da mãe.

Douglas chegou aonde chegou graças a muito esforço e dedicação. Formado em informática, começou a trabalhar ainda adolescente como vendedor de uma loja de roupas esportivas. Começou a estagiar no laboratório da faculdade. Depois ingressou na Multiflex como auxiliar de escritório. Ia ao banco e servia cafezinho para os diretores e clientes esnobes.

Logo passou exercer a função dentro da sua formação. Daí foi subindo: assistente de tecnologia, chefe de setor júnior, gerente de setor regional, gerente de setor nacional, vice-diretor nacional, diretor, vice-presidente nacional e finalmente a presidência.

Duas semanas depois da posse a sede mundial na Califórnia recebeu uma carta de renúncia e demissão. Já esperava ser de algum executivo sessentão, com quarenta anos de casa, solicitando aposentadoria. Ou renunciando depois de um escândalo público. Repetiram a mesma surpresa de toda equipe da filial brasileira quando notaram que a carta vinha do seu mais jovem e talentoso executivo.

Na carta Douglas anunciava claramente que estava deixando a empresa, mesmo pondo em risco uma carreira promissora, para cuidar da mãe doente. Enviaram até um representante para tentar demovê-lo da idéia. Ofereceram os melhores tratamentos psicológicos para Dona Clotilde, com médicos e enfermeiros vinte e quatro horas por dia. Tudo para que Douglas continuasse na corporação. O jovem presidente ficou profundamente comovido e agradecido pela consideração e a preocupação. Mesmo com todos esses benefícios recusou. Para ele, nada disso substitui o carinho de um filho.

O também recém-nomeado vice-presidente Jackson, um coroa amigo de Dona Clotilde e depois de Douglas, foi mais um que tentou convencer o rapaz a não abdicar do cargo máximo.

— Deixa de loucura, rapaz! A sua mãe não está tão mal assim. Você recebe muito bem. Pode pagar ótimos enfermeiros para ela.

— Os enfermeiros não cuidam tão bem como um filho. E ainda assim tenho medo desses enfermeiros agressivos.

— Não tem perigo nenhum. Deixa de paranóia. E eu conheço a sua mãe. Ela é muito dengosa. Vai acabar com a sua carreira só por causa de um capricho dela? E se, Deus me perdoe, ela morrer? Já vai ter gente no seu lugar. Vai ser difícil reconquistar o seu posto de novo com a idade que você tem.

— Não me importo. Pela minha mãe eu faço tudo.

E não teve jeito. O recém-empossado novo presidente mundial da Multiflex, Douglas Miranda, que ia comandar as setenta filiais da empresa no planeta, deixou a empresa para cuidar da mãe, Dona Clotilde.

Dona Clotilde era uma senhora bondosa e religiosa. Mimou bastante Douglas, que era o filho único. Mãe solteira e tardia, criou-o com muito carinho e dedicação. Advogada, renunciou a uma bem-sucedida carreira de promotora para cuidar de Douglas quando ele tinha seis anos. Tomou a decisão depois de sofrer algumas ameaças de morte e de seqüestro. Tinha acabado de ser nomeada para a promotoria quando pediu aposentadoria. Começou a costurar para fora para manter a boa renda da família – que se resumia a ela e o filho - e passar o tempo.

Quando Douglas cresceu, Dona Clotilde abriu uma loja de aviamentos para matar a solidão, pois o filho já trabalhava na loja de roupas e começava a construir sua carreira profissional. Estudava de manhã e trabalhava o resto do dia. Não tinha tempo para dar atenção à mãe. Douglas foi mimado, mas nunca se deixou mimar.

Com a renda da loja de aviamentos, da costura e da aposentadoria da justiça tinha um bom padrão de vida e não precisava do alto salário do filho. Mas ainda se sentia sozinha com a prioridade que o filho dava ao trabalho. Começou a procurar novas amigas e até um namorado na internet. Conheceu algumas e alguns, mas logo enjoou e ficou solitária.

Um mês antes de Douglas ser nomeado presidente da Multiflex, Dona Clotilde sofreu uma queda e fraturou a bacia. Mesmo precisando dar assistência à mãe, Douglas não precisou faltar nenhum dia de trabalho. Estava de férias. Quando terminaram, Douglas foi nomeado presidente mundial da empresa. Ia ser transferido para os Estados Unidos.

Mesmo depois de curada da fratura, Dona Clotilde caiu numa depressão profunda. Não queria comer e se recusava a levantar da cama. Nem mesmo para fazer as necessidades fisiológicas. Quando o filho lhe contou que fora nomeado presidente da multinacional, usou um olhar tão profundo, triste e carente que Douglas se sentiu culpado por ter priorizado a carreira profissional e deixar a mãe para morar no exterior.

Com uma voz já fragilizada pela prostração, Dona Clotilde ainda tentou demover o filho da decisão de se desligar da Multiflex para cuidar dela, embora, no fundo, queria exatamente isso. Mas Douglas lembrou que ela fez o mesmo para cuidar dele. Se sentia obrigado a retribuir o gesto da mãe.

E assim ficou explicado porque Douglas pediu demissão do cargo de presidente mundial da Multiflex, deixando de se mudar para a Califórnia.

No fim do primeiro dia como enfermeiro da mãe, após um cansativo expediente de aplicação de remédios, refeições, limpeza e banho, Douglas perguntou:

— Ainda vai precisar de mim por hoje, mãe?

— Não, meu filho. Pode ir dormir. Respondeu Dona Clotilde com uma voz sussurrante.

— Vou mesmo, mãe. Estou morto de cansaço. Boa noite e dorme com Deus.

— Boa noite, meu filho. Desejou a senhora com o mesmo sussurro.

Douglas já roncava quando Dona Clotilde se levantou, pegou o notebook, conectou-se ao messenger e teclou:

Clô Fatal disse:

Oi Jackson, meu amor! Parabéns! Você conseguiu. É o novo presidente da Multiflex. Mas vou ficar com saudades.

Tchutchoco disse:

Obrigado, minha querida! Como o seu filho, que retribuiu o seu abandono da carreira de advogada em prol dele, também vou retribuir o que você fez por mim. Mandarei a sua pensão e uma passagem para você vir me visitar aqui na Califórnia. Estava sonhando com esse cargo há décadas, que ia ser meu. Quase morri quando aquele frangote imaturo passou na minha frente. Sorte minha que ele tem uma mãe como você.

Clô Fatal disse:

Além de querer essa retribuição, eu também não queria meu filho indo morar com aquela Rafaelle. Além de divorciada tem cara de piranha!

Não havia nenhum sinal de depressão nos olhos brilhantes de Dona Clotilde. Apenas um sorriso malicioso em seus lábios secos e enrugados.


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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011


João Paulo Mesquita Simões



Um erro, em gramática, é um solecismo; em teologia pode chegar a ser uma heresia; em poesia chama-se “pé-quebrado”; em música é uma desafinação ou fífia; em pintura é causa de riso; em arquitectura, de ruína; no comércio pode invalidar um contrato; em filatelia pode valer uma fortuna.



Com efeito, ter um selo com um erro, pode valer uma fortuna dependendo desse erro.

Ao longo de alguns artigos, irei falar desses erros na Filatelia Portuguesa.

Comecemos com a emissão de D. Carlos.

Na emissão de D. Carlos (1895-1896), aparecem exemplares sem algarismos do valor facial ou com algarismos invertidos (na imagem, deslizamento do valor à direita).

São emissões raras, pois quando o erro é detectado, é corrigido, tendo saído só um número restrito de exemplares daquele selo com erro.

Ora uma vez que são poucos os selos com esse erro, o seu valor é muito superior do que um selo de igual valor, mas sem erro ou seja, perfeito.

É aqui que os coleccionadores procuram e compram - ou lhes aparece nas colecções - alguns exemplares de selos com erros.

Estes erros surgem se a matriz do selo não for bem feita. Aí a cunhagem vai sair com um erro. A partir do memento em que se detecta que a cunhagem foi mal feita, outra lhe é substituida continuando a produção daquela série até ao seu terminus.

Há coleccionadores que se dedicam sómente a este tipo de colecções com erros. Além de gastarem grandes fortunas, possuem também uma grande fortuna em casa.

Depois, é expor, se o filatelista assim o entender, competir com outras colecções ou simplesmente expor para dar a conhecer aos outros filatelistas e público em geral a sua colecção de erros filatélicos.

Na nossa filatelia, há alguns erros de vária natureza que, ao longo destes dias, irei abordar.
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

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sábado, 22 de janeiro de 2011


Gustavo do Carmo

Trinta minutos do segundo tempo. Presente e Futuro decidem o Campeonato Nacional. Jogo empatado em 0 a 0. Disputado. Violento, com muitas faltas. A torcida do Atlético Esportivo Presente é maioria. É o time mais popular do país e está na disputa pelo décimo-sexto título. Já o Futuro Futebol Clube é um time novo, recém-promovido da segunda divisão, e em busca do seu primeiro campeonato.

Apesar da tradição, o Presente chegou à final aos trancos e barrancos. Classificou-se para a fase de mata-mata no número de gols marcados e graças a uma combinação de resultados na rodada final da preliminar. Já o Futuro é o favorito para levar o título. Teve 100% de aproveitamento na fase classificatória. Mais precisamente, vinte e cinco jogos, 25 vitórias.

Por causa da campanha irregular, o técnico do Presente, Floriano de Jesus, foi várias vezes ameaçado de demissão durante o campeonato. A cada três jogos que perdia, ganhava três, somando pontos preciosos para se classificar. E chegou à final.

O primeiro jogo terminou empatado em 2x2. E Floriano quase foi demitido após estar ganhando por 2 a 0. Só ficou a pedido do time, que entraria em campo ainda mais desorientado. Agora, o Futuro tem a vantagem do empate e vai levando o título.

De estilo disciplinador e paternal, Floriano está nervoso no banco de reservas. Vocifera com os seus jogadores. Xinga o juiz. Chuta o banco de reservas a cada lance perdido.

— O ADÍLSON!!! NÃO SEGURA A BOLA!!!

— JAMIR! NÃO FAZ FALTA BOBA!!!!!

— APRENDE A CHUTAR, VANDEIR!!! PORRA! ISSO É NÃO GOL QUE SE PERCA!

— QUE MERDA DE JUIZ! FOI FALTA, PORRA!

O árbitro, Ernesto de Almeida Pereira, ameaça expulsá-lo se ele não sossegar. Floriano Vandeir, que aparenta cansaço. Ele já havia mandado recado para o jogador titular de que ia substituí-lo.

Floriano orienta enquanto Vandernílson se aquece. O treinador procura o regra-três para comunicar a última substituição. Enquanto o reserva assina a súmula, Vandeir recebe uma bola mal passada do adversário na intermediária sai correndo e velocidade e toca precisamente para o fundo do gol, abrindo o placar do jogo e dando o título, por enquanto, ao Atlético Esportivo Presente.

Floriano pula como um jumento. Corre desorientado com os braços levantados. Aponta as mãos para o céu. Abraça Vandernílson, depois o auxiliar técnico e, por fim, recebe o abraço do autor do gol, Vandeir, que havia corrido até ele.

Mesmo satisfeito, feliz e aliviado, Floriano falou ao pé do ouvido do craque:

— Vou te substituir mesmo assim.

— Pô, professor! Deixa eu fazer o segundo gol!

— Não dá! O Vandernílson já assinou a súmula.

— Então tá! Você que sabe. Resignou o autor do gol, como se estivesse lavando as mãos e dizendo que fez a sua parte.

E finalmente, aos trinta e cinco minutos, o árbitro Ernesto autoriza a substituição. O regra-três levanta a placa eletrônica com o número 10 a sair para a entrada no número 23. Ao aparecer a substituição no placar eletrônico, a torcida do Presente começa a vaiar e a gritar em uníssono:

— BURRO! BURRO! BURRO! BURRO! BURRO!

A partir de então, um misto de revolta, sentimento de ingratidão, um pouco de culpa, orgulho e saudade toma conta de Floriano. Ele começa a relembrar o seu passado de criador e tratador de burros em Fortaleza, onde foi morar aos treze anos com os pais.

Floriano nasceu na cidade cearense de Baixio. Seu pai tinha um emprego humilde de tratador de burros que puxavam as carroças da companhia de limpeza urbana. Morava numa pequena casa de apenas um quarto com oito irmãos. Teve infância difícil. Seu pai ganhava muito pouco, mesmo trabalhando para a prefeitura.

Aos 11 anos, começou a trabalhar com o pai. Dois anos depois, seu pai deixou Baixio e foi criar burros e jumentos na capital do estado, Fortaleza. Ganhou informalmente uma concorrência e passou a fornecer seus animais para a prefeitura, também na companhia de limpeza urbana. Ganhava um pouco mais,melhorando de vida, mas ainda manteve a família na classe D.

Antes de completar 14 anos, Floriano teve a primeira grande perda da sua vida : o pai, que não resistiu a um acidente vascular cerebral e deixou a família aos 40 anos. O filho mais velho da família de Jesus assumiu os burros do pai e passou a sustentar a família.

O dinheiro diminuiu porque Floriano passou a ganhar menos que o pai, que não deixou pensão, por não ter contribuído para a Previdência Social. O então criador de burros não só administrava a criação como também lavava os dez animais que o pai deixou.

Aos 15, nas raras folgas do trabalho, jogava pelada com os vizinhos. Num desses escassos jogos de fim de semana, teve a sorte de se destacar fazendo quatro gols e ser assistido por um olheiro do Fortaleza, que lhe chamou para fazer um teste no clube.

Foi aprovado e começou a carreira nos juniores. Participou da campanha do título estadual na categoria. Disputou também um torneio nacional de aspirantes. Sagrou-se campeão e foi o artilheiro. Chegou ao profissional.

Deixou a criação de burros e jegues para o primeiro irmão mais novo que ele. Com o primeiro salário,mais o bicho pelo título estadual que ganhou no Fortaleza,regularizou a empresa para a família. No segundo ano, comprou uma casa maior para a mãe e os outros oito irmãos.

Com a empresa de criação de burros formalizada, seu irmão recuperou a licença de fornecimento para a prefeitura. Por pouco tempo. A coleta de lixo na capital passou a ser motorizada por caminhões. Florêncio, o irmão, conseguiu contratos com cidades turísticas, como passeio e puxador de charretes.

Assim como a empresa de burros, a carreira profissional de jogador de Floriano também foi crescendo. Ele transferiu-se para São Paulo para atuar pelo Passado Esporte Clube. Foi campeão brasileiro. Transferiu-se para o exterior para defender o Esperanza, da Itália. Brilhou por lá. Voltou com o título italiano.

Mesmo no exterior, continuou administrando a empresa da família. Chegou à Seleção Brasileira e disputou uma Copa do Mundo. Só que exatamente o maior torneio de futebol do mundo colaborou para o início do fim da sua carreira.

Num jogo em que o Brasil foi eliminado da Copa, levou uma cabeçada dura e violenta de um zagueiro italiano, que o deixou em coma por uma semana. Ficou nove meses afastado do futebol. Quando voltou ao Esperanza, não era mais o mesmo. Foi vendido para um clube da segunda divisão espanhola: o Decepción.

Girou o mundo e atuou na Turquia, na Arábia Saudita, na Tunísia, no México e Chile até voltar ao Brasil, exatamente no Fortaleza, seu primeiro clube. Reencontrou o seu futebol, mas perdeu a sua mãe. Mais uma vez, caiu de rendimento. Pediu para sair do time. Quis mudar de ares para superar a perda da mãe.

Transferiu-se para o Atlético Esportivo Presente, do Rio de Janeiro. Foi morar em Copacabana. Mais uma vez reencontrou o seu futebol. E conheceu sua esposa, com quem teve dois filhos. Voltou a ser convocado para a Seleção.

Estava perto dos trinta anos quando foi fazer exame médico para mais uma pré-temporada no início do ano. Teve uma triste notícia: descobriu que tinha um aneurisma no cérebro. Foi obrigado a encerrar a carreira de jogador. Só não mergulhou no vício do álcool porque teve o apoio da mulher, dos filhos e dos irmãos, que já crescidos, continuavam administrando a empresa de criação de burros, que era o seu porto seguro e garantia o seu sustento toda a vez que ficava sem contrato.

Decidiu arriscar uma cirurgia. E sobreviveu sem sequelas. Iniciou a carreira de técnico no mesmo Atlético Esportivo Presente que orienta nesta final tensa, em que acaba de ser chamado de burro pela torcida.

Antes de reagir aos xingamentos, lembrou, ainda, dos seus vinte anos de carreira, que não foram dedicados integralmente ao Presente. Floriano treinou também o Atual e o Agora, também do Rio de Janeiro, o Passado, o Antigamente e o Foi-Foi, de São Paulo, o É Mesmo de Minas, o Gelecek, da Turquia, onde havia jogado, e também as seleções da Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein e Catar. Quase treinou a Seleção Brasileira, mas o médico lhe recomendou que evitasse o estresse de receber a opinião de 150 milhões de torcedores. Seu aneurisma poderia voltar. Só conquistou títulos como técnico no Presente.

Começou o ano no seu Fortaleza. Acabou demitido após perder o Campeonato Cearense e foi contratado pelo Presente para disputar o Campeonato Nacional. Fez a campanha aos trancos e barrancos até chegar à decisão em que o seu time está ganhando o jogo. Estava.

Antes de reagir aos xingamentos, o Futuro Futebol Clube, também do Rio de Janeiro, empatou o jogo em uma cobrança de pênalti nos acréscimos. O lance que originou a falta gerou uma confusão em campo com o árbitro que expulsou o goleiro pela regra do futebol – o último homem da área – e... Vandernílson, que acabara de entrar, no lugar do próprio irmão, autor do gol do Presente. O zagueiro Jamir não conseguiu evitar o empate que deu o título imediatamente para o adversário.

A torcida chegou a dar uma aliviada no coro de burro para Floriano para pegar no pé do juiz Ernesto de Almeida Pereira, lhe xingando de filho da puta. Voltou a chamar o técnico do próprio time com mais intensidade pelo mesmo apelido tradicionalmente aplicado aos treinadores.

Depois de dar um pescoção em Vandernílson pela expulsão infantil por ter ameaçado o árbitro, consolar o goleiro, que tentou fazer a sua parte para evitar o gol e apoiar o zagueiro Jamir, que tentou defender o pênalti, Floriano foi cercado por repórteres de campo, de rádio, televisão e internet.

Um deles perguntou:

— Floriano, vimos que a torcida chamou você de burro na hora da substituição e do gol do Futuro. Você reconhece que não fez a estratégia certa, que deveria ter cancelado a substituição?

— Eu tirei o Vandeir porque ele estava cansado, perdendo gol bobo. Não tenho culpa que ele conseguiu fazer o gol na hora que ia sair. Não deu pra cancelar a substituição. A súmula já estava assinada. Fiz o que deveria ter feito, mesmo.

— E o que você diria para a torcida?

— Para quem torceu de verdade e respeitou a minha estratégia de jogo eu peço desculpas por decepcioná-los. Vou ficar devendo esse título. Mas para esse pessoal ingrato que me xingou em coro eu quero dizer que tratador de burros eu sou com muito orgulho. Meu pai criava burros e comecei a trabalhar com eles. Mas burro, mesmo, é a mãe deles!

Foi a última declaração de Floriano como técnico do Atlético Esportivo Presente.

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sábado, 1 de janeiro de 2011


Por Gustavo do Carmo


Regressiva
Cinco! Quatro! Três! Dois! Um! O novo ano começou e a sua vida entrou em contagem regressiva.


Morte
O Ano Velho teve um enfarte em junho. O planeta girou vago até o Ano Novo tomar posse no dia 1 de janeiro. O Ano Velho pode, enfim, ser enterrado.


Eleição
Sempre prometia fazer uma dieta e arrumar um emprego no ano novo. Finalmente, foi eleito deputado federal em algum ano. Era especialista em não cumprir promessas.


Mentalidade
A cada ano novo ele ficava velho. Mas a sua mentalidade não muda desde os dez anos de idade.


Superstição
O escritor frustrado já não tinha mais ideias novas para contos de ano novo no seu blog. Repetiu uma história. O ano passou e sua vida andou para trás.
O Tudo Cultural deseja aos seus leitores um 2011 de muita alegria e sucesso! Voltamos com a programação normal no dia 22 de janeiro.
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