quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O inevitável poderá acontecer

João Paulo Mesquita Simões
Anteontem, estava eu a almoçar no refeitório da Instituição em que trabalho, quando uma colega minha tirou do bolso dois selos retirados de envelopes.
É ela que me arranja grande parte dos selos usados, pois vai fazer umas horas de limpeza à Ordem dos Advogados, e todos os envelopes que encontra com selos nos cestos dos papéis, recorta-os e dá-mos.
Já há muito tempo que não me trazia nada e confesso que nem de tal coisa me lembrava até à passada terça-feira.
Sendo ela uma pessoa com pouca instrução, soube dizer-me que já não tem visto tantos selos nas cartas como antigamente. "Agora vêm todas com etiquetas dos correios. Por isso não te tenho trazido nada" - confessou-me ela.
Fiquei a pensar naquelas palavras e durante parte do almoço, naquela mesa, falou-se de selos.
Argumentei que o selo, embora me custe dizê-lo, poderá estar mesmo ameaçado, indo só para os coleccionadores inscritos nos Correios dos seus países.
Vejamos o seguinte:
Quantas cartas escrevem vocês Leitores, aos vossos familiares e amigos?
Quantas cartas seladas, recebem vocês Leitores em casa?
A resposta é quase nula.
Hoje, são poucos aqueles que escrevem a alguém, se dirigem ao correio, compram o selo e metem no marco.
Hoje, temos as Novas Tecnologias, que num ápice enviam a informação para qualquer ponto do Mundo.
Exemplo disso, é o e-mail. E as cartas que recebemos do Banco, da Água, ou da Luz, vêm com "TAXA PAGA".
E mesmo estes, já avisam para se aderir à factura electrónica para proteger o Ambiente, evitando assim o derrube de mais árvores.
Por isso meus amigos, daqui a uma dezena de anos, quando o "Tudo Cultural" estiver a festejar os seus 15 anos, não sei se estarei a falar-vos de selos, ou de outro assunto qualquer.
Hoje, começo a acreditar, infelizmente, que o inevitável poderá mesmo acontecer.

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