domingo, 31 de outubro de 2010

AS HISTÓRIAS DO AMADEU - SORTE

Por Ed Santos

HISTÓRIAS DO AMADEU - Nº 3






Eu já disse que o Amadeu é supersticioso? Não? Pois ele é. E muito! O Amadeu não saia de casa sem colocar sua moeda da sorte no bolso. Era daqueles que fazia da superstição uma religião. Nas peladas de terça-feira à noite, só entrava em campo com o pé direito. E fazia o sinal da cruz três vezes quando o juiz apitava o início da partida. Que coisa!

Quando o Amadeu saiu – escondido da Marilda – para se encontrar com a Flavinha e irem juntos comprar o computador, ele sofreu um acidente. Foi atropelado por uma moto. Foi tudo muito rápido, meio inexplicável.

No hospital, a Marilda pergunta como aquilo foi acontecer. E ele explica:

- Tava andando pela calçada e quando dobrei a esquina do bar do Arnaldo, tinha um cara pendurado numa escada. Sei lá que ele tava fazendo, pintando a fachada talvez. Num vi direito. Só vi que a escada era uma dessas bem grandes, e aberta ocupava toda a calçada. Eu como não sou bobo nem nada, claro que não ia passar debaixo da escada, desviei e tive que andar no meio fio. Meu, o semáforo tava fechado, e o único espaço que havia, era justamente onde eu estava. Por azar o mesmo lugar que os motoboys chamam de corredor. Aí já era!

- E ele te socorreu? Alguém te ajudou? Quem te trouxe pra cá?

- Vim de ambulância. O cara chamou. Deu a maior assistência. Gente boa ele. Se vê que é honesto, trabalhador.

- Amadeu, Amadeu!

- Fazer o que, aconteceu. Nem meu amuleto me salvou dessa.

- E agora, como você está? Dói muito?

- Não. Tô bem. Acho que daqui uns dias já tiro o gesso e começo a fisioterapia. Pelo menos foi isso que o médico disse.

É. O Amadeu passou por uma que não estava nos planos. Com todo aquele cuidado, não conseguiu sair ileso. Mas, tem nada não. Isso passa. Ele mesmo disse que logo vai começar a fisioterapia. E o médico confirmou. No acidente ele torceu o tornozelo e teve algumas escoriações. Coisa pouca.

- Vâmo embora? – perguntou a esposa.

- Tem que chamar um táxi.

- Não precisa, laguei pra Flavinha e ela ta lá embaixo estacionando o carro. Aliás, ela até falou que vocês iam se encontrar. Pra quê?

- Vâmo embora que depois eu explico. Cuidado aí com meu pé.

No outro dia, lá vai o Amadeu pra clínica carregado pela filha e pela esposa.

- E aí, tá longe?

- Não, é logo ali do lado daquele veterinário – respondeu Flavinha.

- Onde?

- Ali! Tá vendo aquela moça com um gato preto no colo?

- Filha! Gato Preto não, né!

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