domingo, 29 de agosto de 2010

TRÍADE

Por Ed Santos

Eles se conheceram num curso. Passaram a descobrir alguns valores juntos. Ela adorava estar na presença dos amigos. Sempre um pouco mais reservada, o que ajudava a atraí-lo. Mas isso era inocente, era o jeito dela. O outro amigo era sonhador, poeta. Vivia listando trechos de música e divertia os amigos com suas várias palavras. Mas passava o ar de ser meio desligado das coisas. Algumas das atividades do curso sempre faziam juntos. Vez por outra a Giane participava. Num dia saíram os quatro, ficou marcado. Estavam na biblioteca municipal e ao saírem pra lanchar, ouviram uma música que a Giane imediatamente disse adorar. Passou.

Depois de um tempo, foram juntos em uma entidade externa conhecer as instalações de uma mineradora. A paisagem era linda e num momento estavam só os dois amigos por ali. O resto da sala havia ido ver um outro local. Ficaram contemplando a paisagem e de repente começou a chover no caminho até o abrigo. Se abraçaram e subiram a trilha cantarolando (essa cena marcou). Foi ai que aconteceu. Ele então percebeu que havia algo ali. Havia algo maior que a amizade. Ela o beijou e não trocaram nenhuma palavra após. Continuaram andando e encontraram a Giane. Uma música começou a tocar e nos primeiros acordes ele vira e diz:

- Essa você adora né Giane? A música nem começou direito e você já sabe qual é!

Ele realmente havia acertado. A Giane começou a chorar.

- Choro porque sei que vocês estão apaixonados.

- O que você está falando?

- Vi vocês se beijando. Vi a reação dos dois. Nenhuma palavra. Olha, sei que é difícil pra entender mas eu sinto um amor muito grande por vocês dois.

- Como assim?

- Não sei. Só sei que sinto. Amo você com todas as forças que tenho, e amo você também Edite, na mesma proporção.

- Que? – perguntou Edite confusa.

- É isso mesmo! Sinto que estou numa enorme confusão sentimental aqui comigo. Sinto meu peito acelerar toda vez que vejo cada um de vocês. Nossas vidas tiveram esse encontro mágico e não sei mais pensar em outra coisa durante o dia todo a não ser vir pro colégio pra encontrar com vocês.

- Giane, olha aqui. Primeiro, você não viu nada. Não aconteceu nada que você possa ter visto. Segundo, a gente é amigo, só amigo, e você está com essa conversa fiada aí de amor! Ora, faz favor!

- Sei que você não entende Edite, mas é o que eu sinto. Toda noite quando deito em minha cama é em você que penso, e depois, me lembro de você Chico. Fico numa confusão danada aqui dentro e isso estava me matando. Precisava contar pra vocês. Ainda mais agora que vi vocês dois se beijando. Ai como queria estar no lugar de um de vocês.

- O Giane, pode para com essa palhaçada aí. Não tem esse papo de beijo. Você ta vendo coisa.

E com o semblante de quem estava se convencendo da situação, Edite diz:

- Sabe Giane. Eu estava quase ficando meio doida com essa história ai. Mas ouvindo você falar e deixando de lado meu egoísmo, vi que você tem até um pouco de razão.

- O que que é isso Edite? – diz Chico, meio assustado.

- É isso mesmo Chico. A gente sempre foi muito amigo desde que nos conhecemos. A gente sempre tá junto e é natural que isso aconteça, ainda mais na nossa idade, nessa fase de descoberta. Eu mesma confesso que já pensei em algo assim. Me diz aí Chico, se você nunca pensou eu ficar com as duas ao mesmo tempo?

- Você bebeu?

- A Chico para de coisa, assume logo, vai!

- Nada a ver Edite! Imagina, eu ficar pensando nessas coisas!

- Giane amiga, homem é assim ta vendo? Não conseguem assumir suas emoções.

- Não é isso! Na verdade até já pensei em ficar com as duas, mas uma de cada vez.

- Bom eu até acredito, e peço pra gente tentar fazer um acordo.

- Acordo, que acordo? – perguntou Chico.

- Olha Edite, eu prometo que se vocês quiserem eu não conto esse meu sentimento pra ninguém. Também não fala nada que vi vocês dois se beijando.

- Não é nada disso Giane. O que eu quero dizer é: por que a gente não tenta viver essa situação? Por que que a gente não namora os três? Já pensou Chico você com duas namoradas?

Um comentário:

Joao Paulo Mesquita Simoes disse...

Bigamia!
Também quero outra mulher!
Dizem que há sete mulheres e meia para cada homem. Esse já tem duas. Faltam cinco!

Abraços!

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