quinta-feira, 8 de julho de 2010

Aristides de Sousa Mendes

João Paulo Mesquita Simões



Duas emissões, três selos, dois países, o mesmo objectivo. Foi assim que Portugal e Israel quiseram perpetuar a memória daquele que salvou milhares de vidas do Holocausto.

Com o título “Europa 95 – Paz e Liberdade”, os Correios de Portugal distinguiram Aristides de Sousa Mendes. Com desenho de Luís Duran e Carlos Leitão, estes selos circularam de 5 de Maio de 1995 a 30 de Setembro de 2001.

Diplomata, de seu nome completo Aristides de Sousa Mendes do Ameal e Abranches, nasceu a 19 de Julho de 1885. Licenciado em Direito, foi nomeado cônsul de 2ª classe em 12 de Maio de 1910 indo ocupar o seu posto em Demerara. No ano seguinte, ocupou lugar na Galiza, seguindo-se o Brasil e, finalmente, Bordéus (França). (Baseado na Enciclopédia Portuguesa Brasileira de Cultura, vol. 16).

Homem extremamente humano, concedeu milhares de vistos aos Judeus perseguidos por Hitler, para fugirem ao Holocausto, sendo muitos deles de nacionalidade israelita. A sua assinatura salvou milhares de vidas. Custou-lhe o lugar e a posição que ocupava como Cônsul, pois o governo de Salazar mandou-o regressar a Portugal ficando Aristides de Sousa Mendes impossibilitado de exercer qualquer cargo político, vivendo na sua casa em Cabanas de Viriato na mais completa miséria.

O selo de Israel é bem o testemunho de como este Povo respeita o Cônsul Português. Nele se podem observar vários rostos e nomes daqueles que tiveram a sorte de ter consigo uma assinatura deste Homem, podendo assim salvar as suas vidas. Do lado esquerdo, a figura do Diplomata.

Num destes fins de semana quentes e soalheiros, fui passear com a família até aos lados de Nelas. Fiz questão de fazer um desvio para Cabanas de Viriato para visitar a casa de Aristides de Sousa Mendes.

Está cada vez mais degradada, conforme se pode constactar pela imagem.

Já que a Fundação Aristides de Sousa Mendes não tem dinheiro para recuperar o edifício, o que é pena, alguém poderia reconstruí-lo, até mesmo o Estado, e fazer dele uma Casa-Museu, aberta ao público, para honrar e perpectuar a memória daquele que, em seu próprio prejuízo e abraçando uma causa nobre, salvou tanta, mas tanta gente de ser extreminada pelos nazis.

Nem um fato tinha para lhe vestirem quando faleceu. Levou um hábito franciscano, pois Salazar, adepto de Hitler, conseguiu que um homem tão nobre de princípios, ficasse à míngua.

E como neste país só se valorizam as pessoas depois de mortas, neste caso após o 25 de Abril de 1974, era bom que a sua casa fosse recuperada, e que se falasse mais nas escolas sobre Aristides de Sousa Mendes, para que não caia no esquecimento dos Portugueses, aquilo que fez em prol da Humanidade.

Um comentário:

Miguel Angel disse...

...era bom que a sua casa fosse recuperada, e que se falasse mais nas escolas sobre Aristides de Sousa Mendes, para que não caia no esquecimento dos Portugueses, aquilo que fez em prol da Humanidade.

Nada desculpa a omissão, essa indiferença, para mim, é cumplicidade implícita com o mal. Aristides imortal!!
Excelente matéria, irmão!
Abçsssss,
Miguel

Arquivo do blog