domingo, 7 de março de 2010

Sua carenagem e minha porta

Por Ed Santos



É chover no molhado dizer que o sempre apressado motoboy contribui em muito para o desenvolvimento do país, visto sua facilidade de locomoção e a agilidade na execução de suas tarefas. Também seria redundância dizer que a pressa é inimiga da perfeição. Basta ver os números de acidentes em que eles se envolvem.
Esse dias me envolvi em um ATSV (acidente de trânsito sem vítima). Dirigia meu carro na Radial Leste no fim da tarde, quando ao mudar da faixa direita para a faixa esquerda, sinalizando exatamente como determina o código nacional de trânsito, fui ultrapassado repentinamente pela esquerda por um motociclista. Percebi a tempo de não jogar o cara na mureta de proteção, mas ao desviar, outra motocicleta tentava me ultrapassar pelo “corredor” da direita. Conclusão: ASTV. Derrubei o motociclista e o garupa. O fato de desviar do motociclista da esquerda foi o motivo da queda do da direita.
Depois de nos certificarmos que não havia nenhuma lesão grave em ninguém – ainda bem, tratamos de tirar os veículos do local e liberar a pista. Desde aí, ainda com os ânimos alterados, houve tentativa de conversa para verificar os danos nos veículos, mas sem sucesso. A carenagem da moto do rapaz quebrou e a porta do meu carro ficou amassada. Quem iria arcar com as despesas? Eu que fechei o corredor atrapalhando o motociclista, ou ele, que bateu no meu carro?
Sem resposta para as perguntas e sem conseguir acalmar os ânimos, as autoridades de trânsito foram acionadas. A motocicleta apresentava algumas irregularidades que comprometeriam o condutor e seria apreendida se eu quisesse. Resolvemos por trocar telefones e o rapaz iria me ligar. Até agora nada. E sendo assim cada um ficou com seu prejuízo. Segue diálogo do momento:
- Poxa, se a gente for levar isso à diante, minha moto vai ser apreendida e eu preciso dela pra trabalhar.
- Olha, eu não tô aqui pra prejudicar ninguém.
- Então. Me dá seu telefone que eu vou ver o preço da carenagem nova na loja. Só vende na Honda.
- E a minha porta?
- Meu tio é funileiro. Ele arruma pra você. Você só vai pagar o material.
- Então faz o seguinte. Você vê o preço da sua carenagem na Honda que eu pago, tá? Mas seu tio não põe a mão no meu carro porque eu também quero uma porta nova, e só vende na Volks. Eu vou ligar lá e depois te falo o preço, tá?
Porque será que ninguém me ligou até agora?

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