domingo, 21 de março de 2010

SEM CULPA

Por Ed Santos



Quinta-feira passada estava eu na fila do cartório, na hora do almoço pra tirar umas cópias autenticadas que seriam arquivadas num processo de pequenas causas que tenho contra uma prestadora de serviço, que obviamente não prestou serviço com qualidade.
Precisava correr porque tinha uma reunião às 14:30 e já eram 13:45. Até ser atendido e chegar no escritório...
Já comecei bem o horário de almoço. Quando eu estava saindo da sala, já fechando a porta, o telefone tocou e não tive como não atender. Depois, no estacionamento, um carro travou o meu e eu não conseguia sair. Tive que pedir pro segurança chamar o dono. Ele só conseguiu tirar depois que o segurança e eu ajudamos a empurrar o carro com a bateria arriada. Enfim sai e graças à Deus não peguei transito no caminho.
14:00. Eu nem almocei ainda e pelo visto nem vou. Eram 13 pessoas para serem atendidas antes de mim, e por um único atendente. Ele recolhia os documentos, falava alguma coisa, dava uma senha e pedia para as pessoas aguardarem a moça do caixa chamar.
Só olhei no relógio para conferir a hora depois que fui atendido porque não queria ficar nervoso. Eram 14:13 e é óbvio que fiquei nervoso.
Enquanto aguardava ser chamado, fiquei pensando: “e agora, o que fazer? Ir embora e seguir pra minha reunião, ou ficar e conseguir os documentos para o processo?” Resolvi esperar, porque afinal de contas precisava ser ressarcido do valor cobrado por um serviço que não me agradou.
Do meu lado, dois caras conversavam sobre o Arruda. Aquele ex-governador do Distrito Federal que se envolveu com propinas e tudo mais. Fiquei escutando os dois dizendo sobre dinheiro na meia, dinheiro na cueca, etc. Interessante é que a gente até esquece que tá com pressa quando ouve um assunto que interessa, principalmente quando se trata de um escândalo nacional tratado num diálogo informal entre duas pessoas e que, no caso, você é uma terceira pessoa que tá de abelhudo só ouvindo e acha que ninguém tá percebendo.
Fui até o caixa.
- São R$11,70 – disse a mocinha nem me olhando.
Fucei, fucei e puxei uma nota de R$20,00 pra pagar.
- Não tem trocado?
- Vou ficar devendo.
- Um momento, por favor.
Só me faltava essa. Depois de tanto tempo esperando!
Às 14:33 ela retorna por uma porta lateral que possivelmente dava na tesouraria.
- Aqui seu troco, moço.
- Obrigado.
Saí correndo em direção ao escritório. A reunião, essa hora, já deveria ter começado. Não queria nem ver a cara do meu chefe. Corri, passei vários faróis vermelhos, quase atropelei uma menina de bicicleta. Nossa! Que era aquilo?
Quando cheguei na portaria, meu chefe estava saindo:
- Não vai ter reunião, viu! Preciso dar uma saída e depois conversamos.
Entrei no pátio com uma sensação de leveza indescritível tamanha era a minha tranqüilidade naquele momento. Tirei o peso das costas e o suor do rosto, aliviado como quem nunca seria acusado de guardar dinheiro na meia, ou de chegar atrasado num compromisso.

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