quinta-feira, 25 de março de 2010

Filatelia: Ainda um bom negócio

João Paulo Mesquita Simões

Este artigo foi retirado do site http://www.marcuzzifilatelia.com/info014.htm que achei interessante, uma vez que fala da Filatelia Brasileira e também da Filatelia de outros países.
Podem ver neste artigo a importância e o valor que a Filatelia tem na nossa Sociedade

FONTE: Gazeta Mercantil


Em Janeiro último, o Jornal Gazeta Mercantil publicou uma extensa reportagem sobre filatelia e seu mercado. Aproveitamos aqui para reproduzir parte desta matéria. Aos interessados pelo material completo, solicitamos que acessem nosso website na seção artigos de opinião. Qualquer segmento econômico que tenha uma base de clientes estimada em 30 milhões de pessoas e movimente aproximadamente US$16 bilhões por ano não pode ser considerado insignificante. Apesar disso, ainda tem muita gente que considera o ato de colecionar selos, um simples passatempo fora de moda. Ledo engano. A filatelia sofreu uma tremenda valorização em 2005 e continua sendo o hobby mais popular do planeta graças, pasme, à internet.

Na última semana de novembro, a casa de leilões Sotheby's de Londres pôs a venda o quinto dos 10 lotes da coleção de selos ingleses e do império britânico de Sir Gawaine Baillie, Segundo o especialista em filatelia da Sotheby's, Richard Ashton ,"a coleção Baillie, que tem ao todo cerca de 100 mil selos da mais alta qualidade, é a mais significativa do gênero, em mãos particulares e a mais importante a ser oferecida ao mercado nos últimos 50 anos". A expectativa da Sotheby's era chegar no final de 2006, após a venda do último lote, a um valor total de £ 11 milhões. Já rendeu até agora £ 9,4 milhões.

Ainda em 2005, outros recordes do mercado foram quebrados: a única quadra (quatro selos juntos) conhecida do "Jenny", que traz a imagem desse avião invertida, foi vendida recentemente por mais de US$ 3 milhões tornando-se o selo mais caro da filatelia norte-americana. Outro valor expressivo foi obtido pelo selo alemão com a imagem da atriz Audrey Hepburn - € 135 mil , um recorde para um selo com menos de 10 anos de circulação. O mimo, que mostra a atriz de "My Fair Lady" ,"Bonequinha de Luxo" com um chapéu e uma piteira nos lábios, fazia parte de uma série impressa há quatro anos pelo Correio alemão. Foram feitos 14 milhões de exemplares, mas um dos filhos de Audrey entrou com um processo, alegando que o selo passava uma imagem negativa de sua mãe (falecida em 1993). A série foi destruída por ordem judicial, mas três unidades escaparam. Em junho, um dos selos foi vendido por € 58 mil. Cinco meses depois, o segundo alcançou quase o triplo.

Já em 1856, surgia o primeiro empreendimento comercial relacionado ao selo, fora da esfera dos Correios: a casa filatélica londrina Stanley Gibbons. Em 1865, saía a primeira edição de seu catálogo. A empresa é responsável também pelo Stanley Gibbons 100 index, uma espécie de "Índice Dow Jones" dos selos utilizado por comerciantes e colecionadores para avaliar o mercado.O índice se baseia nos preços atualizados dos 100 selos comercializados pelos maiores valores em todo o mundo e, segundo o diretor da Stanley Gibbons, Mike Hill, "em cada um dos últimos seis anos, o índice aumentou 9,5%".

Para ajudar seus clientes a investir nesse mercado, a empresa criou um departamento especializado em construir ou administrar uma "carteira de selos". Com as informações sobre os investimentos, assim como todos os produtos e serviços oferecidos pela Stanley Gibbons estão no site da empresa na internet, que chega a receber 30 milhões de visitas por mês. E este é outro fator que tem mudado o mercado dos selos: o advento da web. A mesma rede que trouxe uma nova forma de comunicação entre as pessoas, com e-mails substituindo cartas e, por conseguinte, reduzindo a necessidade de selos, deu um impulso incalculável à filatelia. Faça um teste: entre no serviço de buscas do Google e digite filatelia. Aparecem mais de 2,6 milhões de páginas. Se digitar philately, surgem mais 2,1 milhões de entradas. Se a busca for só em páginas do Brasil, o número também é expressivo: 205 mil. Além disso, selo já é a terceira commodity mais negociada no leilão eletrônico do e-bay. "A internet está agindo como um catalizador, permitindo que pessoas dos mais distantes pontos do planeta possam trocar, comprar ou vender selos", destaca o comerciante de selos José Luiz Fevereiro. O material é perfeito para ser colocado na internet. Pode ser escaneado e visualizado sem problemas e, após a transação, pode ser facilmente enviado pelos Correios, com porte barato! Quanto à segurança, Fevereiro lembra que os cuidados são os mesmos de qualquer outra negociação via rede e destaca que, embora existam falsificações de selos, "ninguém se dá ao luxo de falsificar selo barato. E o melhor: se for um selo caro, e a falsificação for boa, é capaz de ser um ótimo negócio, já que uma feita por um falsário famoso, como o italiano Jean de Sperati, vale mais do que o selo original".

No selo o valor também é determinado pelas leis de oferta e procura: quanto mais raro, mais caro. Não obstante, nenhum outro objeto colecionável permite tantas opções e combinações. Há a coleção clássica, composta pelos selos emitidos por um país, em ordem cronológica, há as coleções temáticas com um universo infinito de escolhas: de animais pré-históricos a escritores, de pinturas famosas a motivos religiosos e eróticos. Além do conteúdo, existe a forma: usados, novos, com carimbo, sem carimbo e as chamadas variedades, que são selos que foram impressos com erros e que podem chegar a valores inacreditáveis, como a quadra do avião Jenny.

Quer saber quanto vale um selo, qual é sua história, quando foi emitido, se faz parte de uma série? É muito fácil: além de livros e publicações especializadas, impressas e on-line, todo país tem um catálogo nacional, cuja periodicidade depende do dinamismo do mercado e existem alguns mundiais, como o norte-americano Scott, o Michel da Alemanha e o francês Ivert et Tellier. "Nenhum catálogo é uma bíblia, mas uma referência, a partir do qual se negocia o preço de compra e venda, que tanto pode acabar sendo X vezes o valor sugerido pelo catálogo, ou 10 a 20% disso", ensina Peter Meyer, comerciante de selos responsável pela edição do catálogo brasileiro.

O mais importante, destaca, é a qualidade do selo:"O primeiro selo brasileiro, o 'Olho-de-Boi', teve uma tiragem muito grande. Devem ter sobrado uns 6 mil no mercado, dos quais 90% não valem nada, estão estragados", acrescenta. Segundo os especialistas, para conferir a qualidade de um selo é preciso examiná-lo bem com lupa e, às vezes, usar luz ultravioleta para verificar possíveis imperfeições. Para manter uma coleção de valor em bom estado, é preciso ter os instrumentos apropriados para manipular os selos, montá-los em álbuns e mantê-los em lugares livres de umidade.

Embora seja um hobby cujo grau de sofisticação e, portanto, de gasto, aumenta à medida que se coleciona mais a sério, a filatelia pode ser iniciada quando se é ainda muito jovem e ser levada pela vida afora, sem contra-indicação.Um dos mais famosos filatelistas norte-americanos, o presidente Franklin Roosevelt, chegou inclusive a idealizar alguns dos selos emitidos durante seus mandatos, entre eles um em homenagem ao Dia das Mães. É dele, a frase: "Eu realmente acredito que colecionar selos torna uma pessoa um cidadão melhor".

O amor pelos selos mudou a vida do médico Luiz Scocca . No final da década de 80, o então estudante de medicina da USP começou a colecionar. A paixão foi tanta que Luiz trancou a faculdade no final do terceiro ano e arranjou um estágio na filatelia de Peter Meyer. Ficou por lá um ano. "Foi um dos períodos mais importantes da minha vida. Até então, eu pretendia ser um cirurgião. Depois daquele mergulho no mundo da história, filosofia, comportamento, arqueologia, enfim tudo que o selo pode abranger, eu percebi que para ser um médico realizado, eu teria que ter um contato maior com as Ciências Humanas. Daí ter me decidido pela Psiquiatria: eu queria conhecer a história das pessoas e ajudá-las a valorizar essa história", afirma . O doutor Scocca e sua coleção de selos do Brasil Império, estão em ótima companhia.

O chamado "rei dos passatempos", também é conhecido como o "passatempo dos reis". Entre seus adeptos estão a família real inglesa, dona da Royal Collection, considerada a mais valiosa do mundo, e várias outras cabeças coroadas, como a rainha da Holanda. Entre os já falecidos, destacavam-se o Príncipe de Mônaco, o rei Faruk do Egito e o Czar Nicolau, da Rússia. Outro "rei", o beatle John Lennon, passou a infância colecionando selos. Seu álbum está no National Postal Museum dos Estados Unidos e é objeto de uma exposição, que ficará em cartaz até abril de 2006. Este grande "clube", que reúne príncipes e plebeus, tem, no entanto, uma característica curiosa: 95% (índice mundial) de seus membros são do sexo masculino.

Com uma base de clientes estimada em 30 milhões de pessoas e movimentando cerca de US$$ 16 bilhões por ano, a filatelia continua em alta. Neste cenário, o Brasil, terra do valioso e cobiçado "Olho-de-boi", impresso em 1843, desponta como uma das filatelias mais ricas do mundo, estando nas mãos de Everaldo Nigro dos Santos o Grande Prêmio de Honra da Exposição Filatélica Mundial, que ocorre em Londres a cada dez anos. A exposição acontece a cada 10 anos e Everaldo, (66 anos) é colecionador desde criança, ganhou com uma apresentação dos quatro primeiros selos brasileiros - "Olhos-de-Boi" inclinados e coloridos. Além de Everaldo, vários colecionadores locais costumam ganhar medalhas em exposições internacionais.

O Brasil tem uma longa tradição filatélica, uma série de clubes e organizações ligada a este colecionismo e uma associação que reúne os principais comerciantes do mercado, a ABCF (Associação Brasileira de Comerciantes Filatélicos), que promoveu em São Paulo, uma exposição internacional no final do ano de 2005. Terceiro país do mundo a emitir selos, o Brasil possui uma filatelia riquíssima, com temática abrangente, raridades e variedades. A peça brasileira mais famosa é uma tira vertical impressa em 1843 com dois selos "Olho-de-Boi" de 30 réis ligados a um de 60 réis com dois carimbos pretos do Correio geral da Corte.

Considerada uma das 10 maiores raridades da filatelia mundial, foi descoberta em 1897 e em mais de 100 anos já fez parte de várias coleções internacionais. Recebeu o nome internacional de Pack's Strip (Tira de Pack) em homenagem ao filatelista norte-americano Charles Lathrop Pack, que foi seu pro-prietário por 30 anos. Atualmente a Tira Pack é propriedade de outro americano, Norman Hubbart, que já tinha sido seu dono e voltou a adquiri-la num leilão por US$ 770 mil. Outra peça valorizada (estimativa também em torno de US$ 700 mil) é uma folha do Olho-de-Boi, possivelmente a folha de selos mais antiga do mundo. Seu atual proprietário também é estrangeiro: o espanhol Indarte Allemany. A única peça de valor semelhante e que está no País é uma carta selada com uma série completa de "Olho-de-Boi". Seu proprietário é o colecionador Rolf Harald Meyer. "Nós temos selos, comparativamente muito mais raros do que os americanos, mas que valem uma centésima parte dos seus equivalentes daquele mercado", diz o comerciante José Luiz Fevereiro, para quem o problema está na fragilidade da economia brasileira. "A pessoa geralmente coleciona selos de seu próprio país. O que determina a cotação de selos de um país é o tamanho do mercado interno e seu potencial de compra. A China viveu um boom nos anos 90. O preço dos selos chineses foi multiplicado por 20 e isso se deveu à afirmação da China como um mercado emergente, com uma classe média de mais de 100 milhões de pessoas e, portanto, um público consumidor que não existia antes. Este mesmo fenômeno começa a acontecer na Índia e na Rússia", explica. No Brasil, acrescenta Fevereiro, este boom acontecerá no dia em que a situação permitir um crescimento sustentado e a classe média puder recuperar seu poder aquisitivo. Quem tiver comprado bons selos terá um excelente retorno, diz o especialista.

O mercado já vem mostrando sinais de aquecimento. Segundo o presidente da ABCF, Alberto Junges, houve um grande momento de expansão na década de 70 até meados de 80. A crise econômica levou a uma queda, a década de 90 permaneceu estável e, nos últimos anos, houve um crescimento de 15%. Para 2006, é esperado um aumento de pelo menos 20%, número bem acima das taxas de crescimento da economia como um todo. O quanto isso significa em termos monetários é um segredo guardado a sete chaves. Nenhum comerciante do setor revela números, mas, conta-se que uma carta do império com selos de 600 réis inclinados, editados em 1844 e muito raros, foi comprada numa exposição em Belo Horizonte, em 1985, pelo equivalente, na época, a US$ 5 mil. Hoje, vale US$ 50 mil. Já uma coleção de selos da Varig, está avaliada em US$ 20 mil. Este aquecimento está sendo sentido de várias maneiras. Nas casas filatélicas espalhadas basicamente por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Curitiba, o movimento ainda é basicamente do colecionador habitual."As pessoas estão querendo comprar mais e algumas vezes até pedem para parcelar", conta o presidente da ABCF. O novo mercado é a internet. "Fiquei muito surpreso quando comecei a mexer com a internet recentemente. Com 30 anos de mercado, eu acreditava que conhecia todos os colecionadores grandes e médios e bons do País. Descobri que esse universo é bem maior do que eu imaginava", disse Junges.

Todavia, é com a renovação do público consumidor. “O boom da década de 70 deveu-se não só a um momento econômico mais favorável, mas muito, ao investimento na divulgação da filatelia feito na época pelos Correios. Os colecionadores de hoje, são os meninos, os jovens que começaram naquela época. De lá para cá, as máquinas de franquia substituíram a venda dos selos na grande maioria das 22 mil agências espalhadas pelo País. Os Correios continuam emitindo vários selos comemorativos, alguns belíssimos, mas a possibilidade de que eles sejam colocados em uma carta é cada vez menor, já que são difíceis de encontrar. E é este selo que chega nos envelopes, uma das sementes para que a filatelia germine", lamenta o presidente da ABCF. Segundo Junges, hoje, "os Correios preferem patrocinar esportistas, eventos de natação. E esquecem que a filatelia é a grande atleta dos correios, fonte de renda em todos os países do mundo".

Um comentário:

Renato Mauro disse...

Toda matéria sobre a filatelia brasileira é sempre boa. Aa pessoas deveriam conhecer melhor este atrativo e saudável hobby além de forma de investimento. Trabalho com filatelia a 26 anos em diversas áreas e tenho uma loja filatélica em Belo Horizonte. Orientações e avaliações gratuitas é comigo mesmo! Renato www.philatelia.com.br

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