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quinta-feira, 18 de março de 2010

Comemorações do Centenário da República Portuguesa. A Mulher e o seu papel na Revolução


João Paulo Mesquita Simões

Comemoram-se este ano os Cem Anos da Implantação da República em Portugal.

Não queria deixar passar esta data em branco, sem fazer uma alusão ao papel da Mulher ao longo da nossa História recente, nomeadamente na transição da Monarquia para a República.
O 5 de Outubro de 1910, marca a viragem da História Portuguesa no dealbar do Século XX, cheia de esperança nos valores da Revolução Francesa e tão significativa para os direitos civis, políticos e, de alguma forma ainda que muito tímida, sociais.
Nesta conjectura, os CTT lançaram uma emissão em Outubro de 2009 cujo título “As Mulheres e a República”, destaca o papel relevante de alguns vultos femininos que fizeram história como Mulheres.
Nas Comemorações dos 100 Anos da Implantação da República em Portugal e estando a decorrer ao longo deste ano várias efemérides relativas ao Centenário, é justo neste dia, falar da Mulher e, ao mesmo tempo, a sua evolução no período republicano.

A emissão que vou apresentar, é composta por seis selos, um bloco e o sobrescrito de 1º dia de circulação.
Retrata-nos:

ADELAIDE CABETE - Nasceu em Elvas a 25 de Janeiro de 1867.
Médica, professora, pedagoga e militante republicana e feminista.
De origem modesta, só iniciou estudos depois de casar (1885) com Manuel Ramos Fernandes Cabete, um sargento autodidacta, explicador de latim e grego, que a incentivou e acompanhou naquele propósito. Fez (1890), aos 23 anos, o exame da instrução primária e concluiu (1900), aos 33 anos, a licenciatura em Medicina da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, com a tese A Protecção às Mulheres Grávidas Pobres.
Como médica, distinguiu-se no apoio às mulheres grávidas, na divulgação dos cuidados materno-infantis (puericultura) e no combate ao alcoolismo, publicando sobre o assunto a obra Papel que o Estudo da Puericultura, da Higiene Feminina, etc. Deve Desempenhar no Ensino Doméstico (1913), Protecção à Mulher Grávida (1924) e A Luta Anti-Alcoólica nas Escolas (1924). Foi professora de Higiene no Instituto Feminino de Odivelas.
Como republicana e feminista, desenvolveu intensa actividade militante a favor do estabelecimento daquele regime político e pela dignificação do estatuto da mulher. Colaborou na imprensa feminista da época e, designadamente, na revista Alma Feminina, que também dirigiu (1920-29). Promoveu os primeiros congressos abolicionistas da prostituição, participou na fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1909), do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914) e das Ligas da Bondade. Foi Presidente da Cruzada Nacional das Mulheres Portuguesas e colaborou também na organização do 1º Congresso Feminista e de Educação (1924). Participou ainda no Congresso Feminista de Gant (1913) e representou o governo português no 1º Congresso Feminista Internacional (1923) que decorreu em Itália.
Desiludida com a nova situação política do país resultante da imposição da ditadura do Estado Novo (1926), partiu para Angola, onde se dedicou sobretudo à medicina.
Iniciada maçona (1907) na loja Humanidade (Lisboa), como o nome simbólico de Louise Michel, manteve-se sempre ligada àquela oficina, quer no período em que a loja esteve ligada ao Grande Oriente Lusitano Unido (1904-14 e 1920-23), quer quando se tornou independente (1914-20), quer ainda quando aderiu à Maçonaria do Direito Humano (1923). Foi Venerável da loja durante vários anos e Grã-Mestra do Areópago Teixeira Simões (1926).

ANA DE CASTRO OSÓRIO nasceu em Mangualde em 18 de Junho de 1872. Despertou cedo para a escrita. Talvez fosse o ambiente familiar: o gosto pelas palavras corria-lhe nas veias. O seu irmão, Alberto Osório de Castro, foi poeta. Os seus dois filhos e netos também se tornaram escritores. Ana de Castro Osório iniciou a carreira literária em Setúbal, colaborando com vários periódicos. A partir de 1897 começou a publicar uma colecção em fascículos, intitulada “Para as Crianças”, obra gigantesca que durou até à sua morte.
Foi aqui que nasceu a literatura infantil em Portugal. Cada edição tinha um pouco de tudo: traduções de contos dos irmãos Grimm ou de Andersen, originais da autoria da escritora e adivinhas. As crianças deliciaram-se. Beatriz Pinheiro, directora da revista “Ave-Azul”, escreveu, em 1899, que Ana de Castro Osório “soube compreender a necessidade de prazer intelectual que se faz sentir na criança”. Publicou, nesse mesmo ano, o primeiro excerto do romance “Ambições”, que viria a ser editado em 1903. Foi o primeiro de uma série de histórias de ficção dirigidas a adultos.
O poder dos homens na sociedade portuguesa de então fazia com que ser mulher - e interventiva - fosse inevitavelmente uma arte. Ana de Castro Osório teve essa destreza. Casou com Paulino de Oliveira, poeta e membro do Partido Republicano. Aproximou-se do campo republicano e, com isso, pôde defender os seus ideais num quadro partidário. A nível associativo, fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e o Grupo de Estudos Feministas. Escreveu artigos e organizou conferências. Tudo em prol da mulher. Com o advento da República, colaborou com o ministro da Justiça, Afonso Costa, na elaboração da Lei do Divórcio.

ANGELINA VIDAL nasceu em Lisboa a 11-3-1853.
Angelina Casimira do Carmo e Silva (Vidal, por casamento), é filha do maestro Joaquim Casimiro Júnior, considerado pelo “Dicionário Biográfico de Músicos Portugueses” “o mais inspirado músico português, a maior alma de artista que a arte musical tem produzido no nosso país”. Angelina herda de seu pai o gosto pela música, pela cultura (pai e filha foram directores de jornais), pela política (o pai teve de fugir por ser miguelista) e um certo destino de se entregar à arte, esquecendo-se dos bens materiais.
Nascida num meio culto, apesar de não ser endinheirado, Angelina Vidal recebeu a educação própria das meninas “prendadas” do seu tempo.
Órfã de pai aos 9 anos, vai para Viseu aos cuidados da família da mãe. É nessa cidade que dá início à sua vida literária sob o pseudónimo “republicana viseense”. Casa aos 19 anos com o médico Augusto de Campos Vidal, diplomado pela Universidade de Coimbra. Desta união, nasceram cinco filhos. Infelizmente, o seu marido falece ao largo da Guiné portuguesa com 46 anos.
Nem sempre Angelina foi feliz. Por volta de 1877, surgem os primeiros poemetos que revelam as primeiras desilusões. A sua actividade de republicana federalista, começa a evidenciar-se. Proclama-se livre pensadora, anticlerical. A projecção do seu nome leva-a ao Porto em 1880, iniciando em 1881 colaboração com A Voz do Operário e evoluindo para ideias socialistas. Uma controvérsia: seu marido servia a Monarquia. Ela combatia-a.
Nesta situação, separou-se do marido, tendo sido os filhos entregues ao pai, que tinha o vício do jogo, estando muitas vezes ausente, sendo por isso as crianças entregues a um colégio particular.
Viveu mal, com crises económicas gravíssimas, tendo colocado a hipótese de suicídio.
Vem a falecer a 1 de Agosto de 1917, depois de ter feito algumas traduções e trabalhos para jornais, que pouco davam para o seu sustento.
Após a sua morte, o Estado decretou-lhe uma pensão por viuvez por seu marido ter falecido ao serviço da Pátria.
Angelina Vidal, notabilizou-se como educadora sobretudo na alfabetização das classes operárias após a instauração da República. Como era contra a Monarquia, nunca lhe foi dado um lugar de destaque no ensino, pois era vista como uma inimiga.
Mulher muito à frente para a época, hospedava-se com seus filhos em hotéis quando tinha de dar conferências, coisa pouco vista na época. Era vaiada por uns, aplaudida por outros, mas legou-nos imensos escritos em defesa da República, do operariado, da Mulher trabalhadora.
Segundo Raul Santos, “foi, no nosso país, a primeira mulher que se pôs ao serviço do povo e dos mais tocados pela desigualdade social todas as modalidades do seu peregrino talentoso e generoso coração”.
Foi das primeiras femininistas portuguesas que dizia entre outras coisas, que se ela “reconhecia que a mulher tem os mesmos direitos que o homem e que é necessário instruí-la”.
Conhece-se a sua participação em pelo menos 78 jornais e periódicos, certamente um recorde nacional. Na vastidão da sua obra, é difícil discernir as publicações jornalísticas ou literárias que não devam ser consideradas educativas. O seu trabalho revela sempre preocupação com a divulgação, a formação e educação de crianças, jovens e adultos.

CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO. Médica, lutadora sufragista e fundadora da Associação de Propaganda Feminista, foi a primeira mulher a votar em Portugal, embora vivesse num país em que o sufrágio universal só seria instituído passados mais de sessenta anos, ou seja, depois do 25 de Abril de 1974.
O voto depositado nas urnas para as eleições da Assembleia Constituinte, em 1911, pela médica Carolina Beatriz Ângelo, constitui um episódio deveras exemplar de luta pela cidadania e pela emancipação da situação das mulheres em Portugal, numa altura em que o direito de voto era reconhecido apenas a "cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família".
Invocando a sua qualidade de chefe de família, uma vez que era viúva e mãe, Carolina Beatriz Ângelo conseguiu que um tribunal lhe reconhecesse o direito a votar (à revelia) com base no sentido do plural da expressão ‘cidadãos portugueses’ cujo masculino se refere, ao mesmo tempo, a homens e a mulheres.
Como consequência do seu acto, e para evitar que tal exemplo pudesse ser repetido, a lei foi alterada no ano seguinte, com a especificação de que apenas os chefes de família do sexo masculino poderiam votar.
Carolina Beatriz Ângelo foi assim, também, a primeira mulher a votar no quadro dos doze países europeus que vieram a constituir a União Europeia (até ao alargamento, em 1996).


CAROLINA MICHAELIS- Como se vê, esta filóloga - portuguesa, por casamento e por devoção - nasceu na Alemanha. Tendo estudado num colégio, e depois em casa com professor particular, o romanista Goldbeck, Carolina Michaëlis já aos 16 anos publicava uma recensão a Adolfo Mussafia ("Altspanische Prosadarstellung der Crescentiasage von A. Mussafia - Wien, 1866", Archiv für das Studium der neueren Sprachen und Litteraturen, 41, 1867, pp. 106-112); antes dos vinte, uma edição do Romancero do Cid (Leipzig, 1871); um ano passado entra como intérprete do Ministério do Interior alemão para os assuntos da Península Ibérica. Da deriva do interesse pela cultura hispânica para temas mais especificamente portugueses resulta conhecer Joaquim de Vasconcelos - musicólogo, historiador de arte, que estudara na Alemanha e que, por aquela altura, ao lado de Antero e de Adolfo Coelho, se houvera contra Castilho na polémica da tradução do Fausto ("Alguns artigos que publicou sobre litteratura portuguesa foram attraindo a attenção de um grupo de jovens patriotas que, em caloroso enthusiasmo, exprimiram a sua admiração e gratidão á novel auctora"); com Joaquim se casaria Carolina em Berlim, em 1876. Chegou nesse ano ao Porto, mas em 1877 estará uns meses na Biblioteca da Ajuda, "meses felizes e saudosos", a "decifrar e copiar, com paixão e paciéncia, essas pájinas seis vezes seculares", ou seja, o Cancioneiro da Ajuda. Os trabalhos de edição do Cancioneiro demorariam a completar-se 27 anos (publicação dos dois volumes de edição crítica e comentada em 1904, em Halle; para não contar com glossário: Revista Lusitana, 23, 1920, pp. 1-95), ilustrando bem características de D. Carolina, "pesquisa dos materiais, levada até ao extremo", "tratamento completo de todos os dados disponíveis conducentes à solidez e à validade das teses" (Maria Ana Ramos, "Palavras entre filólogos: uma carta de Leite de Vasconcellos a Carolina Michaëlis", Estudos Portugueses. Homenagem a Luciana Stegagno Picchio, 1991, pp. 143-158, p. 135)"). Em 1911, convidada para professora da Faculdade de Letras de Lisboa, transfere-se para a Universidade de Coimbra, onde lhe era mais fácil leccionar mantendo residência no Porto. No mesmo ano é eleita para a Academia das Ciências, o que, por se tratar de mulher, ainda foi objecto de discussões e melindres. (Sobre a maneira de ser de Carolina Michaëlis, veja-se o artigo de Luise Ey, sua amiga, "Dona Carolina Michaëlis na intimidade", Boletim da Segunda Classe..., pp. 231-245; um exemplo só: "Lembra-me uma famosa pesca no porto de Leixões, onde D, Carolina apanhou á isca um polvo enorme que ao jantar fez a delicia do esposo".)
Não é possível reportar-se aqui nem o essencial da sua produção nas áreas camoniana, vicentina, mirandina, bernardina, da romancística e, claro, da lírica trovadoresca, enfim todos os seus contributos para o conhecimento da literatura medieval e clássica - vejam-se a bibliografia que abre a Miscelânea de estudos em honra de D. Carolina Michaëlis de Vasconcellos, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Coimbra, 1933), ou, para síntese, o verbete sobre a filóloga no Dicionário da Literatura Medieval Galega e Portuguesa (organizado por G. Lanciani e G. Tavani; Lisboa, 1993). E também não mencionaremos a bibliografia de um seu campo de acção secundário, os estudos etnográficos - veja-se uma lista de trabalhos etnográficos em José Leite de Vasconcelos, Etnografia Portuguesa. Tentame de sistematização, 1, Lisboa, 1933, p. 275. Mesmo assim, a edição do Cancioneiro da Ajuda (Halle, 1904, 2 volumes; há desses dois volumes e do glossário saído em 1920 recente reimpressão, precedida de prefácio por Ivo Castro: Lisboa, 1990, 2 volumes), a que com justiça se costuma acrescentar o epíteto "monumental", é adequado interface até chegarmos à bibliografia mais marcadamente linguística. Outras investigações etimológicas estão disseminadas nos ensaios sobre literatura (por exemplo, "Mestre Giraldo e os seus tratados de alveitaria e cetraria", Revista Lusitana, 23 (3-4), 1910; o volume 2 dos Dispersos publicados pela Revista de Portugal - série A - Língua Portuguesa colige outros artigos de âmbito linguístico). No verbete que lhe dedica no Dicionário da Literatura Medieval Galega e Portuguesa, Ramón Lorenzo arrola como obra "linguística" mais conhecida as Lições de Filologia Portuguesa segundo as Prelecções feitas aos cursos de 1911-12 e de 1912-1913, seguidas das Lições Práticas de Português Arcaico (edição da Revista de Portugal: 1946 [circula reimpressão da Dinalivro, sem data]; tenha-se em conta porém que não é obra que D. Carolina tivesse preparado para publicação e que, como sebenta que era, deve ser das que mais se ressentem da passagem de quase um século); lembra também os artigos sobre infinitivo ("Der portugiesische Infinitiv", Romanische Forschungen, 7, 1893, pp. 49-122), sobre colocação do adjectivo ("Duas palavras sôbre a collocação do adjectivo em português", Revista Lusitana, 3, 1895, pp. 84-86), sobre a metafonia, a história do "l" e do "n", supletivismo no português ("Inéditos de D. Carolina Michaëlis", Revista Lusitana, 28, 1930, pp. 16-41); juntar-lhe-íamos ainda os artigos sobre a Cartilha maternal de João de Deus ("A cartilha portugueza e em especial a do Snr. João de Deus", O Ensino, 1, 1877, pp. 9-15, 17-19, 33-39). Sobre Carolina Michaëlis, além da bibliografia em periódicos de homenagem (Lusitania, fasc. 10, 1927; Boletim da Segunda Classe [da Academia das Ciências], Actas e Pareceres. Estudos, Documentos e Notícias, 5 (1911), Coimbra, 1912) ou em enciclopédias, há opúsculo acessível, O essencial sobre Carolina Michaëlis de Vasconcelos (por Maria Assunção Pinto Correia; Lisboa, 1986).


MARIA VELEDA - (Professora, feminista, republicana, livre-pensadora e espiritualista, 1871-1955)
Maria Veleda foi uma mulher pioneira na luta pela educação das crianças e os direitos das mulheres e na propaganda dos ideais republicanos, destacando-se como uma das mais importantes dirigentes do primeiro movimento feminista português.
Tendo-se estreado na imprensa algarvia e alentejana com a publicação de poesia, contos e novelas, dedicou-se depois aos temas feministas e educativos. Na linha da escola moderna de Francisco Ferrer, defendia a educação laica e integral, em que se aliassem a teoria e a prática, a liberdade, a criatividade, o espírito crítico e os valores éticos e cívicos. Num tempo em que a literatura infantil quase não existia em Portugal, publicou, em 1902, uma colecção de contos para crianças, intitulada «Cor-de-Rosa» e o opúsculo “Emancipação Feminina”.
Em 1909, por sua iniciativa, a «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» fundou a «Obra Maternal» para acolher e educar crianças abandonadas ou em perigo moral, instituição que se manterá até 1916, graças à solidariedade da sociedade civil e às receitas obtidas em saraus teatrais, cujas peças dramáticas e cómicas Maria Veleda também escrevia e levava à cena. Em 1912, o governo nomeou-a Delegada de Vigilância da Tutoria Central da Infância de Lisboa, instituição destinada a recolher as crianças desamparadas, pedintes ou delinquentes, cargo que ocupou até 1941.
Consciente da situação de desigualdade em que as mulheres viviam, numa sociedade conservadora e pouco aberta à mudança, iniciou, nos primeiros anos do século XX, um dos maiores combates da sua vida: defender a igualdade de direitos jurídicos, cívicos e políticos entre os sexos. Numa época em que as mulheres estavam, por imperativos económicos, sociais e culturais, confinadas à esfera doméstica, criou cursos nocturnos no Centro Republicano Afonso Costa, onde era professora do ensino primário, e nos Centros Republicanos António José de Almeida e Boto Machado, para as ensinar a ler e a escrever e as educar civicamente, preparando-as para o exercício de uma profissão e a participação na vida política.
Entre 1910 e 1915, como dirigente da «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» e das revistas A Mulher e a Criança e A Madrugada, empenhou-se na luta pelo sufrágio feminino, escrevendo, discursando, fazendo petições e chefiando delegações e representações aos órgãos de soberania. Combateu a prostituição, sobretudo, a de menores, e o direito de fiança por abuso sexual de crianças. Fundou o “Grupo das Treze” para combater a superstição, o obscurantismo e o fanatismo religioso que afectava sobretudo as mulheres e as impedia de se libertarem dos preconceitos sociais e da influência clerical que as mantinham submetidas aos dogmas da Igreja e à tutela masculina.
Convertida ao livre-pensamento e iniciada na Maçonaria, em 1907, aderiu também aos ideais da República e tornou-se oradora dos Centros Republicanos, escolas liberais, associações operárias e intelectuais, grémios, círios civis e comícios do Partido Republicano, da Junta Federal do Livre-Pensamento e da Associação Promotora do Registo Civil. Alguns destes discursos e conferências foram publicados no livro A Conquista, prefaciado por António José de Almeida.
O combate à monarquia e ao clericalismo valeu-lhe a condenação por abuso de liberdade de imprensa, em 1909, além das constantes perseguições e ameaças de morte, movidas por alguns sectores católicos e monárquicos mais conservadores.
Depois da implantação da República, por ocasião das incursões monárquicas de Paiva Couceiro, integrou o Grupo Pró-Pátria e percorreu o país em missão de propaganda, discursando em defesa do regime ameaçado. Em 1915, em consonância com o Partido Democrático de Afonso Costa, juntou-se aos conspiradores na preparação do golpe revolucionário que destituíu o governo ditatorial do General Pimenta de Castro e, a seguir, envolveu-se na propaganda a favor da entrada de Portugal na 1ª. Guerra Mundial.
Nesse mesmo ano, saíu da «Liga», filiou-se no Partido Democrático e fundou a «Associação Feminina de Propaganda Democrática», cuja acção terminou em 1916, em nome da “União Sagrada” de todos os portugueses, na defesa dos interesses da Pátria ameaçada.
Desiludida com a actuação dos governos republicanos que não cumpriram as promessas de conceder o voto às mulheres nem souberam orientar a República de modo a estabelecer as verdadeiras Igualdade, Liberdade e Fraternidade e construir uma sociedade mais justa e melhor, abandonou o activismo político e feminista em 1921, após os acontecimentos da “noite sangrenta”. Fez-se jornalista do Século e de A Pátria de Luanda, onde continuou a defender os ideais feministas e republicanos que sempre a nortearam.
Atraída pelos caminhos da espiritualidade e do esoterismo e preocupada com o sentido da existência humana, aderiu ao espiritismo filosófico, científico e experimental. Fundou o «Grupo Espiritualista Luz e Amor» e, em 1925, dinamizou a organização do I Congresso Espírita Português e participou na criação da Federação Espírita Portuguesa. Fundou as Revistas A Asa, O Futuro e A Vanguarda Espírita e colaborou na imprensa espiritualista de todo o país, publicando poesia e artigos de pendor reflexivo e memorialista. Em 1950, publicou as «Memórias de Maria Veleda» no jornal República.

Maria Veleda dedicou a vida aos ideais de justiça, liberdade, igualdade e democracia e empenhou-se na construção de uma sociedade melhor, onde todos pudessem ser felizes. Semeou ideias, iniciou processos de mudança nas práticas sociais e lançou o debate sobre os lugares, os papéis e os poderes de mulheres e homens num mundo novo.

VIRGÍNIA QUARESMA- Foi a primeira mulher a exercer jornalismo em Portugal. Foi colaboradora muito activa nas redacções dos jornais O Século e A Capital. Fundou a primeira agência de publicidade no jornalismo. No período que se seguiu à Implantação da República até ao Movimento de 28 de Maio de 1926, esta jornalista distinguiu-se em importantes reportagens de teor politíco e social.

EMÍLIA DE SOUSA COSTA - Foi uma prolífica autora de histórias infantis e uma divulgadora empenhada da obra dos irmãos Grimm, Jakob (1785-1863) e Wilhelm (1786-1859), em Portugal, através da adaptação de muitos dos seus contos para a língua portuguesa.












Textos retirados parcialmente da Internet.

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