quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O selo do Pelé


João Paulo Mesquita Simões


A história que vos vou contar hoje, é verídica. passou-se comigo quando adolescente.

Na década de 70, fiz parte de um clube filatélico japonês, donde recebia uma brochura com os nomes de todos os filatelistas inscritos nesse clube.

Consultava a lista, via aqueles que me interessavam e correspondia-me com eles enviando selos de Portugal em troca dos dos seus países.

Certo dia, recebo uma carta de um brasileiro a perguntar se não estaria interessado em trocar selos com ele.

Naturalmente respondi que sim, até porque na altura, possuía poucos selos do vosso país.

Remeti-lhe uma certa quantidade de selos portugueses, e o Filatelista Brasileiro, na volta do correio, envía-me a mesma quantidade de selos brasileiros, destacando um: "O famoso Pelé!"

Ora o Pelé estava para o Brasil, como o Eusébio para Portugal. Eram conhecidos mundialmente.

Confesso que fiquei entusiasmado, pois nunca tinha tido um selo do Rei do Futebol Brasileiro.

Mas o entusiasmo, durou pouco. Ao ver os selos que o Filatelista (seria mesmo filatelista?) me tinha enviado, constacto que, grande parte deles estavam estragados. Falta de serrilhas, dobrados, amarrotados, enfim, poucos se aproveitavam.

O famoso selo do Pelé, era uma verdadeira desgraça!

Além de dobrado, com serrilhas partidas, estava também rasgado!

Fiquei indignado com a situação, e respondi ao indivíduo, devolvendo-lhe os selos estragados, e dizendo que "por lapso, estes selos vieram estragados pedindo a Vª Exª o favor de me enviar selos em bom estado".

Algumas semanas depois, vem a desculpa, dizendo que os selos tinham sido separados por sua secretária, e enviou-me uma tira de selos novos, todos iguais, comprados nos correios.

Realmente, o selo é uma peça muito frágil, e basta uma dobra, uma serrilha partida, um simples furo, para inutilizar o selo. Temos de realçar também, que os selos brasileiros, não são da melhor qualidade. O papel é mais fraco, logo a tendência para o selo se estragar é maior.

Mas tendo cuidado com as peças filatélicas, sejam elas de papel fraco ou não, elas duram. Vejam o "Olho de Boi". É antigo, foi o vosso primeiro selo, e há colecionadores que os têm.

Tudo depende de quem colecciona e o cuidado que tem nas suas colecções que não foi o caso deste indivíduo.

É evidente que não tenho o selo do Pelé com grande pena minha, pois devolvi-o ao seu dono.

Deixo-vos aqui uma quadra de um selo do Pelé, com carimbo de 1º dia que retirei da internet.

E a quem coleciona selos, estimem-nos, pois com os e-mails, o selo cada vez é mais raro e só vai passar a ser feito para coleccionadores. Logo, o seu valor aumentará.

Já agora, a quem ler este Blogue e tiver um selo do Pelé repetido, entre em contacto comigo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá, João Paulo!
Entre todos, incluíndo "filatelistas" há os espertalhões... Uma pena! E há também os curiosos que se acham filatelistas. Outra pena! O que torna muito relevante seu texto: cuidado com uns e outros!Concordo com sua opinião sobre a futura valorização do selo e deixo minha visão saudosista: nada substitui a emoção de uma carta! (com selos!!!)
Quanto ao "Pelé", verei se o encontro, OK?
Abraços.
Bernadete

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