domingo, 4 de outubro de 2009

ARRIMO DE FAMÍLIA

Por Ed Santos

Aos 13 anos eu aprendi a fumar. Roubava alguns cigarros da minha mãe que naquela época fumava um cigarro chamado Continental. Meu pai era sapateiro e fumava um cigarro “mais fraco”, que não me lembro o nome agora, mas que tinha filtro branco (dizem que faz menos mal).

Eu era o segundo de uma prole de 4 irmãos. O primogênito teve meningite quando bebê e cresceu com uma deficiência mental. Os caçulas, gêmeos, cresceram com uma má formação congênita no sistema nervoso por conta das dificuldades do parto e tomam medicamentos todos os dias (os médicos dizem que foi por causa do cigarro que minha mãe teimosa, não deixou durante a gravidez).

Fui o único que não apresentou problemas de saúde. Minha mãe, durante os dois primeiros anos de casada não conseguiu engravidar, então resolveu adotar uma menina, filha de mãe solteira, que não podia cuidar da criança. Ela, que já estava ruinzinha da saúde morreu em poucos dias e minha mãe passou a fumar entre dois e três maços de cigarros por dia por causa da depressão. Meu pai que também fumava já naquele tempo, só trabalhava.

Mesmo com o cigarro entre os dedos os dois tentaram de tudo para que minha mãe engravidasse e depois de muitos tratamentos ela conseguiu pela primeira vez. Meu pai ficou muito feliz quando soube que enfim teria seu sonho realizado: ter um filho homem.

Não sei, e acho que nem eles e nem os médicos sabem o que aconteceu com o tratamento, pois foi um sucesso. Nos quatro irmãos nasceram sempre num intervalo de um ano no máximo e a quinta gravidez só não aconteceu porque meu pai morreu antes. Enfisema pulmonar.

Minha mãe com o choque parou de fumar, mas já estava muito debilitada para enfrentar a vida e criar de quatro filhos sozinha. A saída era então que eu fosse trabalhar desde cedo, mas a pneumonia me abateu e não pude fazer nada mais. Me resta apenas contar os tantos cigarros que minha mãe fumou durante meu velório e torcer para que a gente não se encontre tão cedo.

Um comentário:

rodolfo disse...

Gostaria de conversar pessoalmente sobre arrimo de familia pois desenvolvo tese academica sobre este assunto.
Me chamo rodolfo e segue meu email para um primeiro contacto virtual
rodpingarilho@hotmail.com

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