domingo, 20 de setembro de 2009

BACANINHA

Por Ed Santos

Eles não iam muito com a cara do professor de ciências, o Silvio. Um tipo magro, com um bigodinho ridículo e vesgo. Logo na primeira aula todos perceberam que o Silvio usava o bordão “Bacaninha”. “Se vocês acertarem este exercício, vão levar uma nota bacaninha”, “Olhem aqui, que célula bacaninha”, ou “Viram só que aula bacaninha que vocês tiveram hoje?”.

O Tadeu pescou na hora e já soltou:

- Professor sua prova vai ser difícil ou vai ser bacaninha?

- Pra quem estudar, pode ter certeza que ela vai ser bacaninha. Agora, pra quem só vive no mundo da lua, ou conversando durante a aula, pode ser péssima.

O recado foi dado mas não foi pro Tadeu, que sempre prestava atenção nas aulas e era bom aluno. A direta era pra Fabiana que carregava um caminhão pelo Tadeu e que passava a noite toda mexendo nos cachos dele.

Um dia antes da prova, durante o intervalo, o Tadeu foi surpreendido:

- Tadeu, será que você não se toca não?

- Se toca do que Fabiana?

- Do meu comportamento, ora!

- O que que tem?

- O que é que eu fico fazendo durante a aula toda?

- Fica mexendo no meu cabelo

- Então?

- Então o que?

- Voce não gosta?

- Às vezes.

- Por que?

- Você fica desarrumando meus cachos, mas não é ruim não. Ruim é ouvir o pessoal dizer que você “paga um pau pra mim”.

- Mas é exatamente isso. Eu gosto de você de verdade. Quero namorar com você.

No outro dia, dia da prova, o Tadeu entra na aula e vê o Bacaninha em pé em cima da mesa e de óculos escuros.

- Como é que um professor vesgo de óculos escuros pode aplicar uma prova em pé em cima da mesa? – perguntou à si mesmo o Tadeu ao sentar-se ao lado da amiga.

- Oi Fabiana.

- Oi.

- O que é isso, hein? Esse professor aí em pé de óculos.

- O pior é que eu não entendi nada da matéria. Fiz uma colinha aqui, mas tô vendo que vai ser difícil colar hoje. Já é difícil saber pra onde o Silvio tá olhando, imagina de óculos escuros!

- É. Pelo visto você não vai ter uma nota bacaninha.

- É! Nem vou poder mexer nos seus cabelos hoje.

- É! Hoje não, mas amanhã quem sabe?

- É! Aí acho que vai ser bem bacaninha!

Um comentário:

Joao Paulo Mesquita Simoes disse...

No meu tempo, e também agora no da minha filha, os professores eram apelidados de outros nomes que se associavam a tiques, maneiras de ser e estar nas aulas.
Eram bem bacaninhas esses tempos!

Abraço!

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