quinta-feira, 30 de abril de 2009

Por

João Paulo Mesquita Simões




Desde que iniciei esta rubrica, o Leitor atento, tem observado que os selos apresentados têm até aqui, têm um aspecto desagradável. Este aspecto nota-se mais nas emissões dos “Lusíadas”.
Para se fazerem selos diferentes, pensou-se numa emissão base, com temas diferentes, representando monumentos, vultos célebres da História.
Assim, foram escolhidos o Templo de Diana, Infante D. Henrique, Chefe de Estado, Sé Velha de Coimbra, Pedro Nunes e Torre dos Clérigos.
Mas este projecto foi abandonado, aproveitando-se no entanto alguns desenhos.
A efígie do chefe de Estado General Carmona foi tirada de uma fotografia da época sendo o desenho e gravura de Arnaldo Fragoso. Tipografados pela Casa da Moeda em folhas de 100 selos de papel porcelana e papel liso, com denteado 11,5. Foram emitidos 34 930 600 selos de 40 centavos violeta e retirados do mercado em Outubro de 1945.


(Baseado em Carlos Kulbrerg Livros Electrónicos, vol. 3)


O papel esmalte trouxe ao selo português um aspecto mais bonito, mais colorido e mais real.
Durante estes anos, andou em simultâneo com o papel liso. Depois, adoptou-se de vez o papel esmalte o que fez dos nossos selos uns dos mais bonitos do Mundo.
Voltarei a este assunto na próxima edição com a biografia do general Carmona.



General Óscar Carmona. Postal ilustrado com a sua efígie, editado pela Agência Geral da Ocogravura, com selo de 40 ctvs violeta da emissão General Carmona CE560, obliterados com carimbo de Chaves (24.11.34).

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domingo, 26 de abril de 2009

Por Ed Santos 


- oi, estou sem telefone ...

- ok. tá tudo bem?

- tá.

- tô te passando uns e-mails de  preço de TV dá uma olhada aí

-  eu recebi tb.

-  eaí, vamos encarar uma de 22”

- com  + 200 real encaro uma de 26

- pode ser também

-  e para o quarto?

-  vai a nossa!

-  e para a sala de jantar?

-  rsrsrs

-  ri não. é sério

-  essa piscada foi legal...

-  então, quem sabe assim, te convenço a comprar a tv para a sala de jantar.

-  eu não posso perder a novela. fiz 15 pts na lotomania

-  só vc mesmo né.... duas tvs em menos de três mts de distancia... vai ficar parecendo as casas bahia...

-  se eu tivesse jogado mais três números que sempre jogo seriam 18. R$ 1287,00 ...

-  e ganhou quanto?

-  0,00  e  a esperança continua

- vamos fazer figa!!!

- é

-  bjs

-  até mais,

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Por Dudu Oliva






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quinta-feira, 23 de abril de 2009


Por João Paulo Mesquita Simões


Foi, sem dúvida, uma figura importantíssima da nossa História. Nasceu provavelmente em 1360, tendo sido legitimado pouco tempo depois pelo rei D. Pedro I. Aos 13 anos, entrou para a corte de D. Fernando, como escudeiro da rainha, e tinha 16 anos quando casou com a jovem viúva D. Leonor Alvim, passando a morar em Cabeceiras de Basto. Enviuvou em 1387, não voltando mais a casar.

Nuno Álvares Pereira teve um papel decisivo após a morte do conde Andeiro, alinhando de imediato ao lado do Mestre de Avis. Conseguirá assim uma ascensão notória e social. Com boas qualidades militares do ponto de vista estratégico como da coragem individual e da capacidade de condução de homens, lutou em várias escaramuças em Lisboa estendendo-se para o Alentejo, tendo sido a sua primeira intervenção significativa na batalha dos Atoleiros.

Ao longo da sua carreira, recebeu vários títulos e honras.

Herói tipicamente medieval, conciliou o espírito guerreiro com os mais exaltados sentimentos religiosos, com a construção da Capela de S. Jorge em Aljubarrota, algumas igrejas no Alentejo e o Convento do Carmo em Lisboa.


(Baseado na “Nova Enciclopédia Larouse” do Círculo de Leitores, nº 18)


Esta emissão de 1931, tem desenho e gravura de Arnaldo Lourenço Fragoso inspirado no retrato de Nuno Alvares segundo a “Chronica do Condestabre”, Lisboa 1526, em gravura de madeira de autor desconhecido. A Casa da Moeda fez a impressão tipográfica sobre papel liso, e rugoso, em folhas de 100 selos com denteado 11,5 e pondo a taxa em segunda impressão.

Foram emitidos 1.500.000 selos de $15 preto, 1.500.000 selos de $25 verde, 4.000.000 de selos de $40 laranja, 250.000 selos de $75 carmim, 500.000 selos de 1$25 azul e azul claro, e 250.000 selos de 4$50 castanho e verde claro. Circularam de 1 de Novembro a 31 de Dezembro, mantendo-se a sua venda para fins filatélicos, até 29 de Fevereiro de 1932.Para que se aproveitassem as enormes sobras de selos desta emissão, decretou o Governo, através da Portaria de 27 de Julho de 1933 que os selos do 5° centenário da morte de D. Nuno Alvares Pereira fossem sobretaxados com as taxas mais necessárias. A sobretaxa a preto foi tipografada na Casa da Moeda. Foram postos em circulação 1.145.500 selos de $15 s/40 laranja, 516.300 selos de $40 s/ 15 preto, 894.600 selos de $40 s/ 25 verde, 151.200 selos de $40 s/75 carmim, 245.600 selos de $40 s/ 1$25 azul e azul claro, e 159.500 selos de $40 s/ 4$50 castanho e verde-claro. Foram retirados de circulação em 1 de Outubro de 1945.


(In: Carlos Kulber Selos de Portugal - Álbum II (1910 / 1953)
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domingo, 19 de abril de 2009


Prezado leitor

Nos tempos em que o Imperador Adriano abandona os gramados em busca do seu “eu interior”, há no ar um certo saudosismo. O jovem bem-sucedido jogador de futebol arrisca-se retornar às origens. Não quer mais saber de jogar futebol profissionalmente, quer é “jogar uma pelada”, ou “bater uma bolinha” no campinho de terra batida que ainda resiste fortemente no bairro onde o astro nasceu e cresceu.

Esse retorno às origens é algo muito importante pra o (ex) atleta, mas não só para ele. Estou a escrever estas linhas porque fui acometido também por uma volta ao passado, porém não por minha vontade. A verdade é que se meu caro leitor notou, estou escrevendo uma carta e não uma crônica. Muito menos um texto para ser publicado e lido na tela do computador.

Esta carta foi manuscrita e apenas digitada no momento de ser postada. Mas quisera eu poder envelopar uma cópia desta para cada um dos que a lerá. Ocorre que por problemas técnicos na empresa prestadora de serviços de acesso à internet e logo, por ser um problema alheio a minha vontade, não tenho acesso à rede desde o dia 12 de abril de 2009, domingo de Páscoa.

Como de costume, acordei pela manhã com a prazerosa tarefa de postar um texto no Tudo Cultural. Porém para a minha surpresa não tive sucesso. Como não sai de casa, passei o domingo todo com o computador ligado pra ver se tinha acesso durante o dia. As 23h00 desliguei a máquina e não consegui “entrar na internet”.

Não estou aqui pra julgar a empresa ou para manifestar minha insatisfação com o serviço (apesar de pagar por ele), mas fico sem saber qual é a reação de alguém que fica esperando por algo e não recebe. Como hoje em dia vivemos na dependência da tecnologia, infelizmente não tive tempo hábil de disponibilizar meu texto semanal.

Sendo assim, resolvi também por falta de opção, escrever uma carta. Sim uma carta assim como fazíamos quando sentíamos necessidade de informar ou solicitar informações de outras pessoas, de matar saudades de um parente distante, de um amigo que à muito não tínhamos notícia. Assim, pus o pé atrás e dei marcha à ré, fazendo como o Adriano e voltando ao passado.

Certo de que serei lido independente de usar a internet ou os correios, bem como tendo a esperança de ver o Adriano novamente nos gramados, despeço-me ansioso pelo restabelecimento deste serviço pelo qual eu pago, e torcendo pra que ao invés de voltarmos ao passado, possamos ir definitivamente em busca de um futuro cada vez mais promissor.
Bola pra frente!
Atenciosamente,
Ed Santos.
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sábado, 18 de abril de 2009

Por Gustavo do Carmo

Crédito da foto: Caco Bianchi / Photo Bucket - http://media.photobucket.com/image/praia%20de%20copacabana/cacobianchi/RiodeJaneiro200.jpg


Lucrécio estava sentado em um quiosque no calçadão de Copacabana. De frente para a praia. Na areia crianças brincavam, um homem falava sozinho, um ambulante pregava o seu “Olha o Mate!” e um casal namorava perto do mar enquanto ouvia a arrebentação forte das ondas. O rapaz solitário assistia a tudo isso.

Ao mesmo tempo sentia o cheiro de maresia que logo era substituído pelo aroma de pizza vindo do restaurante da orla, lá do outro lado da calçada, mesmo afastado pelas seis faixas da Atlântica por onde os carros riscavam o asfalto e buzinavam.

O côco esquentava esquecido sobre a mesa da barraca. Pediu agora um refrigerante bem gelado. Voltou a observar o casal de namorados na areia. O clima romântico foi interrompido pelo barulho de britadeira da obra do calçadão, que exalava uma poeira que fez Lucrécio espirrar.

Depois chorou pensando em Zuleide ficando com outro quando sentiu alguém lhe tocar nas costas. Era Zuleide. Não pensou duas vezes. Agarrou-lhe e deu um beijo que misturou saliva ao gosto de refrigerante bebericado há cinco minutos. Levou um tapa na cara que deixou o nariz sangrando.
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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Por Dudu Oliva

AVALIAÇÃO

Fazendo um balanço do que escrevi, fiz muitas bobagens achando que eram maravilhas. Teve um conto que inventei com tanto carinho e que, meses depois, descobri ser idêntico a um filme de sucesso. Apesar das frustrações quero continuar a escrever, isto me faz bem. Continuarei a caminhar e mesmo que faça outras atividades para sobreviver, o ato de historiar sempre será a minha salvação e sempre colocarei minhas idéias maravilhosas em meus blogs. 

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AGRADECIMENTO AOS MEUS INIMIGOS 


Sem vocês não seria tão forte como sou hoje. A cada trapaça, a cada golpe, tive que cicatrizar, na raça, as feridas expostas. Sozinho, depois de derrotado, descobri quem são realmente os que me querem bem. Vocês me ensinaram a ter o olhar treinado para detectar um perigo iminente. Assimilei muitas experiências e, apesar do gosto amargo, só tenho a agradecer a todos os que tentaram me fazer mal pois, por mais que fizessem, não conseguiram me tornar uma pessoa ressentida, minha essência é mais potente. 

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quinta-feira, 16 de abril de 2009







Por João Paulo Mesquita Simões






Um pequeno parêntesis na História do Selo Português, para falar de uma emissão comemorativa do Desembarque das tropas inglesas no Cabedelo na Figueira da Foz.
Portugal encontrava-se invadido desde Dezembro de 1807 pelas tropas de Napoleão. O povo estava à míngua, ameaçado e ultrajado. Por onde passavam os Franceses, era só rasto de destruição, incêndios, pilhagens. Tinham o país a seu bel-prazer. Portugal passou a ser uma colónia do Brasil, pois a Corte mudara-se para Terras de Vera Cruz ficando cinco pessoas a governar o país. Junot, encarregou-se de as destituir e tomar ele o governo de Portugal.

A Guerra Peninsular veio pôr termo à prosperidade do século XVIII. Declinaram-se as receitas, uma vez que o comércio interno e externo esteve paralisado.

Aquando desta primeira invasão francesa, o Reitor da Universidade de Coimbra, Manuel Pais de Aragão Trigoso, ao tomar conhecimento de que era indispensável a tomada do Forte de Santa Catarina, na Foz do Mondego à entrada da barra da Figueira – depósito de material de guerra de relativa importância e ponto estratégico considerável para estabelecimento de comunicações com a esquadra britânica que se avizinhava, encarregou Bernardo António Zagalo, sargento de artilharia e estudante da Universidade de Coimbra, dessa patriótica missão.

Académico Zagalo, como também era conhecido, forma em Coimbra um batalhão com quarenta voluntários, vinte cinco dos quais estudantes, que, sobre o seu comando, marcham no dia 25 de Junho de 1808, rumo à Figueira, com a missão de atacar de surpresa os franceses que ocupavam a então vila e o Forte de Santa Catarina. Pelo caminho, populares de Tentúgal, Carapinheira e outras terras do Baixo Mondego, foram engrossando o batalhão. Em Montemor-o-Velho, o pequeno batalhão contava já com três mil populares armados de piques, foices e lanças. Ouviam-se sinos entre clamorosas ovações. Ao romper da alvorada, este engrossado batalhão chega à Figueira da Foz.

Zagalo mandou atacar a vila por duas frentes.Os soldados de Junot que passeavam pela vila, foram tomados de surpresa e foram constituídos prisioneiros.

Cercou-se o Forte. O plano de Zagalo consistia em fazer render os franceses pela fome, uma vez que se sabia que tinham poucos víveres. Dois dias depois, a 27 de Junho, rendiam-se, e a bandeira francesa foi substituída pela portuguesa.

Estão assim criadas as condições para o desembarque das tropas de Wellington no Cabedelo com um contingente de treze mil homens juntando-se no mesmo local aos portugueses para assim pôr termo à primeira invasão francesa derrotando Junot na batalha do Vimieiro em 17 de Agosto.

Pelo que lemos na imprensa Figueirense, o Senhor Coronel Américo Henriques, deu uma verdadeira lição de História no Salão Nobre da Câmara Municipal.

A dada altura da sua “aula”, refere que “tudo, tudo o povo sofreu. E depois durante a Revolução Liberal? O povo não acreditava no Liberalismo, porque confundia o Liberalismo com as Invasões Francesas! Os ideais da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que lhe queriam mostrar, eram os mesmos ideais que os franceses traziam na ponta das baionetas. E talvez por isso mesmo o povo português foi tremendamente, encarniçadamente Miguelista! Esta é a verdade dos factos. (…)”


Bibliografia: “Aspectos da Figueira da Foz de Maurício Pinto e Raimundo Esteves, 1945; História de Portugal de A. H. de Oliveira Marques, 1980; Jornal “O Figueirense” nº 5567 de 4 de Julho de 2008.


As imagens aqui apresentadas são de um postal emitido pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, representando de um lado o desembarque das tropas de Wellington na baía do Mondego. No verso, uma emissão de selos dos Duzentos Anos do Desembarque da Família Real no Brasil e carimbo comemorativo da efeméride.
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terça-feira, 14 de abril de 2009

Por Miguel Angel





Óleo s/ tela 27x35cm ©MAF



As ventas dos cavalos paraguaios dilatavam-se pelo esforço da furiosa corrida, cujo galope levantava o pó seco da estrada se grudando ao suor de espuma branca a lhes cobrir os beiços.
Sem eles o saberem, pulando todo tipo de obstáculos das veredas que atravessava como um veloz cavalo alado, Francisco os deixava para trás. Metro a metro. Salto a salto.
Envolta na toalha, Amanda dirigiu-se aos fundos da casa, onde a velha se amoitava numa tenda; algo no seu interior poderia explicar; incomodada, apartou galinhas, perus e outros bichos famintos que disputavam sua atenção, e encurtou a distância a passos largos; chegando defronte ao tugúrio, parou cinco segundos, vacilante. – A covarde! De um manotaço afastou a cortina de couro cru da entrada e adentrou; o bafo quente da fetidez e o choque da visão do corpo pendurado, balançando, a língua assomando, os olhos esbugalhados, a estontearam e, sufocada, saiu da tenda de um pulo. Foi recobrando a respiração e – A Lerda! –, o raciocínio.
(...)
Desolada Amanda, retorna ao quarto e, se vestindo, dá um pulo de sobressalto ao ouvir o estrondo da porta de entrada do armazém sendo derrubada com violência, sem perceber a entrada sorrateira do soldado pela janela do quarto.
Acorda Amanda!
Num relance, ela divide a atenção entre pavor e surpresa: à sua frente, um nervoso Chico lhe faz sinais de calada e fuga, e, provindo do empório, gritos de ordem de soldados paraguaios; num ímpeto, Amanda beija ligeiramente o cabo, calça as botas – agravam-se os barulhos de quebra no armazém –, recolhe roupas e objetos que cabem numa sacola pega a esmo – berreiros e estrondo de portas arrombadas –; agarra a mão estendida do cabo e se deixa levar em veloz corrida rumo ao fundo da casa; dribla trastes, chuta bichos, pula lama e restos de sacos, desvia de trastes – os militares invadiram o interior da casa, buscam nos aposentos –; o casal se embrenha no vasto pomar, mas este não consegue escondê-lo – soldados saem do interior da casa, ao vê-lo escapando entre os arvoredos, ordenam que parem, e logo atiram contra os fugitivos –; ao final do horto se encontra a próxima e ultima barreira: a mureta cercando a porção de terreno. Chico arremessa por cima dela o rifle que carrega; balas dos soldados zumbem nos seus ouvidos; de um pulo, trepa na mureta; com as mãos livres, puxa Amanda ajudando-a a escalar; outras balas se enterram na argamassa da parede; de onde o casal se encontra, na altura de menos de três metros, podem se ver dois cavalos amarrados a uma árvore na viela adjacente ao muro. Amanda atira a sacola e, imitando o cabo, pula atrás dele; ambos rolam entre as patas dos animais. Os disparos e os gritos dos perseguidores importunam os cavalos que relincham amedrontados – um soldado assoma o rosto furibundo pela beirada da mureta –; Chico agarra uma das rédeas com firmeza, facilitando Amanda a montar – o soldado paraguaio galga a mureta e faz mira no casal –; utilizando chicote e berro, Amanda sai a toda brida na frente; segurando sacola, o cabo monta no outro animal; a bala roça a orelha do cabo; cravando os acicates nas ilharga do animal, ele emparelha com Amanda na fugida e no meio ao sibilo das balas, se perdem na poeira da rua principal.
(...)
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Fragmento do romance Moscas e Aranhas de Guerra de Miguel Angel Fernandez
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segunda-feira, 13 de abril de 2009


Dica do leitor Luiz Castro (sim, o Tudo Cultural tem leitores, apesar de muitos pensarem o contrário!):

"Olá,


Estou escrevendo para recomendar o blog de um amigo meu, roterista profissional.


http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com

Nota do editor: O blog é especializado em roteiros (claro). Seu dono se chama Maurício Dias. A página é bem interessante e didática.


Textos sobre dramaturgia e filmes.


É só clicar:


Laranja Mecânica
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/laranja-mecanica-a-clockwork-orange-1971


Se os diretores respeitassem o público de cinema pipoca
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/se-os-diretores-respeitassem-o-publico-de-cinema-pipoca

Algumas considerações sobre dramaturgia em filmes
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/algumas-consideracoes-sobre-dramaturgia-em-filmes

Coppola e os chefões
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/coppola-e-os-chefoes
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/coppola-e-os-chefoes-ps

Textos sobre Arte -
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2009/03/24/sinedoque
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2009/03/07/o-tenaz-cultivo-do-joio
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2009/01/29/a-historia-da-arte-e-uma-construcao
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2009/01/11/representando-um-papel-moeda
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2008/11/25/a-pintura-como-oficio
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2007/12/21/o-ultimo-post-antes-do-recesso
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2007/08/29/pintor-e-desenhista http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/2008/09/25/recordar-e-viver


Adaptações para quadrinhos de Nelson Rodrigues
(os contos de "A Vida Como Ela É").
Para ler, é só clicar em
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/quadrinhos-o-grande-viuvo
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/quadrinhos-humilhacao-de-homem

Links para textos de teatro:
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/filhos-anonimos-teatro
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/teatro-4
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/teatro-5
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/category/teatro
http://comoeueratrouxaaos18anos.wordpress.com/category/mais_teatro "
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sábado, 11 de abril de 2009

Por Gustavo do Carmo




O emprego do prefixo ex, acompanhado de um hífen, indica aquele substantivo ou adjetivo que já não tem mais validade para quem o utiliza: ex-presidente, ex-governador, ex-prefeito, ex-jogador, ex-modelo, ex-integrante de banda, ex-marido, ex-mulher, ex-namorada e por aí vai.

Num relacionamento pessoal, o poder do ex é tão grande que ele já tem pernas para andar sozinho. Muita gente fala: “Aquele ali é o meu ex”, “A relação com a minha ex é muito boa”, “Esse aí na foto é o meu ex”, etc, etc. Sumariamente, ex já é passado.

E tem gente que gosta de inovar e empregar o ex em substantivos incomuns como um ex-prefeito que chamava a sua coluna na internet de ex-blog. Uma página que não podia ser blog e virou um ex-blog.

Portanto, se o ex-prefeito pode, eu também posso inventar. Então está criado o ex-carioca.

Um espírito de porco vai dizer: “Ah! Não se usa esse prefixo em gentílicos”. “Ninguém deixa de ser carioca, paulista ou mineiro”. “Ninguém deixa de ser brasileiro”. Deixa sim. E principalmente brasileiro, pois existe o documento que comprova o abandono pátrio: a naturalização.

O ex-carioca, vamos ficar neste exemplo, é aquele que deixa de ser carioca. No entanto, o ex-carioca não é aquele que deixa a cidade do Rio apenas para aproveitar uma oportunidade única e ganhar o seu sustento, mas ainda quer ser carioca da gema. O ex-carioca não é aquele que trabalha em outra cidade, conta os dias para chegar o final de semana e voltar saudoso para casa, após uma semana estafante.

O ex-carioca é aquele que abandona a sua cidade. Ou mesmo o seu estado. Mesmo que o gentílico para quem nasce no estado do Rio seja fluminense, eu também considero os fluminenses como cariocas. Então, niteroienses, petropolitanos e outros papa-goiabas que abandonam o estado do Rio merecem ser chamados de ex-cariocas, sim.

O ex-carioca é aquele que pede pra sair. É aquele que procura oportunidade em qualquer lugar só para sair do Rio. E ainda faz loucuras para sair daqui. Até arrisca a vida de si e a dos outros. É aquele que vai morar em outro estado, principalmente em São Paulo, e quando volta (mais por obrigação, contrariado, do que por saudade) fica comparando as nossas mazelas com as qualidades do seu novo lar. Da sua nova cidade natal. E ainda acusa a sua ex-cidade de ter lhe negado oportunidades que nunca foram buscadas ou até recusadas pelo próprio reclamante. Mal sabe ele que é um dos maiores culpados pela cidade (inclusive o estado) estar pior do que a sua nova casa.

O ex-carioca é aquele que se esqueceu do lugar onde nasceu. É aquele que incorpora até o sotaque da nova terra. È aquele que ainda faz declarações de amor à sua nova pátria. É aquele que já não merece mais ser chamado de carioca.

O prefixo ex pode ser usado para outros gentílicos também: ex-mineiro, ex-paulista, ex-capixaba, ex-baiano, ex-pernambucano, ex-brasiliense... ex-brasileiro (destes há muitos e mesmo assim ainda são idolatrados). Mas só o ex-carioca rima com Iscariotes. Judas Iscariotes.
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Gustavo do Carmo

Crédito da foto: Renan Faria / http://br.olhares.com/malhacao_foto585141.html


Judas teve uma infância difícil. Não por causa da pobreza, pois ele sempre estudou em escola particular, vestiu roupas novas de marca e teve muito carinho. Dos avós. Porque os pais ele perdeu precocemente.

A sua dura vida era por causa do seu físico franzino e, principalmente, do seu nome. Servia de chacota para os colegas em época de semana santa. Os amigos faziam questão de antecipar a Malhação de Judas para a quarta-feira, já que na quinta não havia aula. Cobriam-no de piadas e tapas na cabeça. Terminavam a malhação jogando o coitado na caçamba de lixo. O menino chegava em casa tão sujo e humilhado, que na Páscoa nem tinha prazer de comer os ovos de chocolate que ganhava da avó. Se faltava na quarta para fugir da malhação, apanhava na segunda-feira ou no primeiro dia que aparecesse. Até os professores e secretários deixavam escapar algumas piadinhas. O avô já o transferiu de escola duas vezes, mas não adiantava. Apanhava do mesmo jeito. Malhar Judas era uma tradição.

Judas foi batizado pelo pai. Este amava demais a esposa. Quando ela morreu no parto, por complicações ocorridas na cesariana, Walmir ficou tão arrasado que culpou Deus por ter matado a mulher da sua vida. Era muito religioso. Sentiu-se traído. Por isso, batizou o filho com o nome do homem que traiu Jesus por algumas moedas. Só não acrescentou o Iscariotes para não chamar muita atenção. O primeiro nome já era o suficiente para fazer da vida do pequeno Judas um calvário.

Um ano depois, Walmir descobriu mais duas traições. Sua amada esposa Madalena havia lhe traído, antes de morrer, com o seu melhor amigo Joélson, que era como um irmão. Ficou tão deprimido que se enforcou como Judas. O Iscariotes.

Aos dezessete anos, cansado de tantas humilhações físicas e morais, Judas decidiu entrar em uma academia para ganhar corpo. Seu primeiro dia foi num sábado de Aleluia. Chegou às sete horas da manhã. Fez mil flexões. Dois mil polichinelos. Só para aquecer. O instrutor havia passado apenas cinqüenta de cada. Judas insistiu para fazer cem.

Como tinha se esforçado além da conta, o instrutor passou apenas dez exercícios no aparelho de musculação. Judas fez cem. Levou uma sonora bronca do professor. Judas se justificou confessando todo o seu sofrimento de infância. O professor foi solidário, mas precisava alertar sobre os limites do corpo. Judas compreendeu. Mas continuou fazendo em excesso, escondido do instrutor.

Judas ingressou na faculdade de Educação Física. Ganhou corpo depois de um ano de musculação. Mas não o suficiente para deixar de ser humilhado pelos alunos veteranos da faculdade. Na quarta-feira, antevéspera da sexta-feira santa e último dia de aula, os colegas do campus, mais musculosos do que ele, anteciparam a Malhação de Judas no trote da universidade. Pintaram, jogaram cola, café, ovos e leite e deram alguns socos e pontapés na barriga.

Chegou em casa, como sempre, machucado, sujo e humilhado. Já adulto, só ganhava um ovo de Páscoa dos avós. Mas comia apenas para não desfeitear o carinho que tinha por eles. O chocolate para Judas sempre teve gosto de sangue.

Judas por pouco não abandonou a faculdade. Foi convencido a ficar por um colega recém-entrosado e pelos avós. Mas deixou de ser bonzinho para os outros. Jurou vingança contra os seus agressores.

Malhou mais. E passou a tomar anabolizantes. Seus músculos cresceram brutalmente. Parou quando ficou satisfeito com o resultado. Entrou na escola de boxe. Treinou com vontade. Lembrava dos seus algozes quando batia no saco de pancadas. Arrebentou uns quatro.

Quatro também foram os sparrings arrebentados por Judas. Um teve traumatismo craniano, mesmo com capacete. Felizmente foi leve. Judas foi convidado por um empresário para lutar profissionalmente.

Nocauteou o adversário em sua primeira luta no clube do seu bairro. Em apenas cinco segundos. A segunda luta já foi no Maracanãzinho, como preliminar da luta de defesa do campeão brasileiro. Nocaute técnico em trinta segundos no primeiro assalto. No mesmo ginásio, já valendo o cinturão nacional, o resultado se repetiu em menos tempo: vinte segundos. De quebra, acumulou o título sul-americano. E por falar em quebra, o cearense que o enfrentou levou quinze pontos no supercílio.

Seis meses depois, viajou a Punta Del Este para defender o campeonato continental. Em dez segundos, o argentino que o desafiou deixou o ringue direto para o hospital. Judas voltou para o Brasil como um herói e celebridade.

Aceitou uma proposta de cinco milhões de dólares para disputar o título mundial dos pesos pesados em Las Vegas. Judas ia enfrentar o mito do esporte que lhe deu as suas maiores oportunidades.

Em apenas dois anos, desde que se matriculou na academia para ganhar músculo, cansado de tantas humilhações que sofria no colégio às vésperas do sábado de Aleluia, todos os anos, simplesmente por causa do seu nome, Judas se transformou no maior nome do boxe brasileiro em todos os tempos, mesmo sem ainda conquistar um título mundial, que era questão de tempo.

O tal mito era um cubano, vinte quilos mais pesado do que ele. Uma montanha. Montanha não. Uma cordilheira, que aliás, era o apelido do pugilista. Tinha o rosto tão inchado quanto os músculos do seu corpo. Judas parecia o franzino dos seus tempos de colégio perto dele.

A luta ocorreu num sábado de Aleluia, hora dos Estados Unidos, pois já era madrugada de domingo de Páscoa no Brasil. Acompanhado de belas garotas de maiô da organização, Judas entrou com roupão amarelo brilhoso, com desenhos alusivos à nossa bandeira. Golpeava o ar a qualquer momento. Ao ser anunciado, o nome Judas Santos não foi tão ovacionado como o de Carlos “Cordillera” Miguelez. Este sim, foi aplaudido de pé.

Soou o primeiro gongo que anunciava o início da luta. Os adversários ficaram se estudando. Judas percebeu que estudou demais ao levar o primeiro cruzado de direita do oponente. Ainda sentia o gosto enferrujado do sangue latejando em seu protetor dental quando levou o segundo. O terceiro levou no olho. Em quinze segundos levou uma seqüência de golpes ininterruptos que o treinador do brasileiro foi obrigado a jogar a toalha. Judas perdeu a luta, não conquistou o cinturão mundial e ainda viu a sua derrota ser chamada de A Malhação de Judas.

Na semana seguinte, ficou sabendo que foram encontrados traços de anabolizante no exame antidoping. Perdeu todos os cinturões que tinha. E a credibilidade. A imprensa passou a malhá-lo. E já não era mais sábado de Aleluia.

Antecipo aos meus leitores e colaboradores uma Feliz Páscoa!!!

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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Por Dudu Oliva

Em muitas ocasiões, para mim, a palavra é indomável. Sempre me machuco quando penso que estou prestes a subjugá-la. Possui vida própria e muda de forma todo o tempo: em uma ocasião é um substantivo, em outra um adjetivo ou pode ser um verbo. Não adianta só decorar regras, precisa interpretar tudo que estar em volta pra entender o seu todo. Ela viaja junto com o vento e eu fico chupando dedo.
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quinta-feira, 9 de abril de 2009



Por João Paulo Mesquita Simões



Como foi referido anteriormente, os selos tipo Ceres, passaram a ser impressos em Inglaterra devido à situação económica do País depois da I Guerra Mundial. Tudo isto passava também pelo descrédito da Casa da Moeda que recorria a uma firma estrangeira para impressão dos seus próprios selos.

Assim concordou o governo que, a emissão base dos selos Ceres, voltaria a ser impressa na Casa da Moeda que, por sua vez, tinha adquirido novas máquinas. A anterior gravura de José de Carvalho e Silva, foi retocada pelo gravador Arnaldo Fragoso, e a impressão tipográfica em papel pontinhado em losangos, feita em folhas de 100 selos com denteado 12x11,5. Foram emitidos 3.123.800 selos de $04 laranja, 7.134.400 selos de $05 chocolate, 1.000.000 de selos de $06 castanho vermelho, 5.221.000 selos de $10 vermelho, 12.604.800 selos de $15 preto, 5.000.000 de selos de $25 cinzento, 2.092.700 selos de $25 verde escuro, 800.000 selos de $32 verde escuro, 44.698.900 selos de $40 verde esmeralda, 400.000 selos de $50 bistre, 1.000.000 de selos de $50 laranja vermelho, 1.046.800 selos de $75 carmim, 2.031.000 selos de $80 verde escuro, 1.543.000 selos de 1$00 lilás vermelho, 560.400 selos de 1$20 castanho, 3.000.200 selos de 1$25 azul escuro, 500.000 selos de 2$00 roxo, e 500.800 selos de 4$50 amarelo claro.

A imagem representa o selo de 5 centavos chocolate.
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terça-feira, 7 de abril de 2009

Por Gustavo do Carmo



Caros leitores, colaboradores e amigos. Pode não parecer, mas estou em depressão. E não falo da boca pra fora. O problema foi identificado pela minha analista, após um mês de testes.


Tem gente que vai achar que estou escrevendo este editorial para chamar atenção , fazer drama e fugir das minhas responsabilidades. Outras pessoas acham que a minha depressão vai ser curada com um emprego, conseguido após bater de porta em porta, ou fazer um concurso público. Pode até ser. Quem sabe? Tomara. Mas não tenho mais disposição para isso. Os mais insensíveis ainda me chamam de imaturo. Aliás, como as pessoas gostam de ofender os outros rotulando de criança!


Posso estar querendo chamar atenção, fazer drama e fugir das minhas responsabilidades, sim, assumo. Não sou hipócrita como muitos por aí. Hipocrisias de gente que julga o preconceito dos outros, mas são mais preconceituosas do que o preconceito que sofrem. E mesmo que eu seja, admito a minha hipocrisia.


As causas da minha depressão são as minhas frustrações por nunca conseguir exercer oficialmente o jornalismo e só querer esta profissão que eu me formei, as poucas visitas aos meus sites, fotologs e blogs, o meu gênio intempestivo que afasta os amigos, o meu hipotireoidismo e um transtorno que eu acredito muito ter, mas que ainda preciso confirmar clinicamente com um psiquiatra: o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Terei consulta somente na próxima terça-feira.


O transtorno de déficit de atenção pode explicar porque sou tão imaturo, chato, pedante, chantagista emocional, egoísta, retardado, preguiçoso, vagabundo, perigoso, grosso, ansioso, inseguro, mal-educado e burro. Críticas explícitas e implícitas que eu recebi em todos esses anos, desde a minha adolescência.


Mas o que me deixa também deprimido são os muitos boicotes e ingratidões que eu sofro: grosseria de amigas perguntadas porque não conversam mais comigo, jornalistas e escritoras que fazem sucesso e se esquecem dos amigos, gente que está sempre ocupada, sonegação de divulgação e prestação de contas por parte das editoras que publicaram os meus livros, discriminação de cineastas que me proibiram de divulgar seus trabalhos no meu blog, grosserias e ironias de um ex-colaborador mesmo após eu ter ido a um evento organizado por ele, falta de compromisso de jornalistas que marcam entrevistas, não aparecem, não dão satisfação e ainda te acusam de ataque de estrelismo, jornalistas homenageadas que não retribuem o apoio que eu sempre dei, amigos que dizem ter mil contatos importantes mas não te apresentam para ninguém e ainda criam intrigas, além da falta de resposta ao meu envio de currículos.


Mesmo assim aproveito este editorial-desabafo para pedir desculpas a essas pessoas se eu as magoei, constrangi, fui indelicado, inconveniente, grosso ou fui ingrato. Não vou pedir que a sociedade se adapte ao meu problema, como fazem muitas minorias por aí (algumas merecidamente). Vou sim me tratar e crescer pelos meus próprios méritos, porém sem sucumbir aos que os outros acham o que eu devo fazer.


Só não desisto de produzir os meus blogs porque eles são uma terapia ocupacional, embora a vontade para acabar seja grande. Mas continuo graças ao apoio de amigos como Miguel Angel, João Paulo Simões, Dudu Oliva, Ed Santos e Pedro Bondaczuk, os quais estão livres das críticas dos parágrafos acima. No entanto, é possível que eu deixe de atualizar por alguns dias e semanas caso eu precise me tratar da minha depressão e do meu possível TDAH. Apesar dos meus problemas particulares o Tudo Cultural continua. Continuem visitando. E colaboradores continuem participando.
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domingo, 5 de abril de 2009

Por Ed Santos

Ele acordou com aquele gosto de noite mal dormida na boca. Olhos sujos como sua mente fétida, que na noite anterior passeou pela mais suja esquina da cidade. Tinha uma enorme ferida na testa devido a um tombo que tomou na sexta-feira passada. Bêbado, ele escorregou e bateu com a cabeça na guia. Voltou pra casa sabe-se lá como, e até hoje a ferida não fechou.

Por volta das nove horas ele levantou, repetindo o mesmo padrão de todo sábado e encarou de frente do espelho a sua verdade.

- Você chegou tarde e bêbado de novo ontem.

- Sei.

- Dá pra ir comprar pão, pelo menos?

- Me dá umas gotas aí. com uma dor de cabeça do caralho.

- Já traz também um quilo de peito de frango pra eu fazer aquele estrogonofe no almoço.

- Nem escovei os dentes ainda e você já tá pensando em almoço?

Na padaria encontrou os amigos com quem havia estado na noite anterior e já “entornou uma branquinha” logo antes do café.

- Já volto. Só vou levar esse pão pra patroa.

A rotina não havia sido alterada. A psicanálise não poderia explicar porque ele não sentia nojo de próprio por ter este comportamento auto-sabotador. Não havia dor nenhuma, nem sequer uma culpazinha por agir daquela forma. Pela psicanálise, a exploração das vivências na infância talvez, eu disse talvez, pudesse pelo menos ajudar nos primeiros passos para uma provável explicação: porquê bebo?

Largou o pão sobre a mesa e aproveitando que a companheira estava no quintal estendendo as peças de roupas sujas de vômito com as quais ele havia chegado na noite anterior, voltou para o balcão companheiro e solidário. Lá permaneceu até quase às três da tarde. Isso não chegava a ser nenhum delito grave, mas sua reputação ficaria inflamada, cheia de pus. Como o buraco em sua testa.

Já não havia mais nenhum interesse partindo da companheira submissa. Ela apenas convivia com a situação. Preparou o almoço com os dois ovos que sobraram na porta da geladeira. Fizera uma omelete. Ele adorava omelete. Ficou esperando, mas almoçou sozinha. Deixou as panelas no fogão sabendo que elas só seriam abertas novamente lá pelas seis da tarde quando ele acordaria, mantendo a sua rotina de xingá-la dos piores palavrões assim como fazia todo sábado à tarde antes de pedir mais umas gotas daquele remédio pra dor de cabeça.

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sábado, 4 de abril de 2009

Por Gustavo do Carmo

Crédito da foto: PeteHuntToons / http://br.olhares.com/palhaco_de_vidro_i_foto2015121.html


Voltavam do dia mais feliz de suas vidas. Ivanhoílson carregava a sua agora esposa Maria Amélia no colo. Seu corpo malhado no Batalhão do Corpo de Bombeiros, onde trabalhava, lhe daria totais condições de segurar a amada com tranqüilidade. Mas o peso do vestido de noiva, que devia ter uns dez quilos de renda e cinco de cristais, além do cansaço acumulado com a ansiedade pelo grande momento, a preparação, a chegada na igreja, o atraso, os quarenta e cinco minutos da cerimônia, as duas horas de recepção dos convidados, as oito horas de festa na Marina da Glória e o grau elevado de álcool no sangue tornaram a tarefa árdua.

O casal precisava mesmo era dormir, mas Ivanhoílson estava ansioso para ter a sua primeira noite de amor com Maria Amélia, que guardou a sua virgindade para a ocasião.

Assim que entraram no apartamento, financiado em 120 meses pela caixa econômica, Maria Amélia viu algumas cartas no chão perto da porta, provavelmente passadas por baixo pelo zelador. No colo do esposo, forçou seu corpo para baixo para pegar as correspondências. Era a primeira vez que visitavam o apartamento depois de mobiliado.

Ivanhoílson tentou dissuadir a mulher de ver as cartas. Queria partir para o finalmente. Mas Maria Amélia insistiu na idéia. Desceu do colo do marido e folheou os cinco envelopes um a um. A pilha tinha uma conta de luz, uma de telefone, outra de celular, uma mala direta de cartão de crédito e um envelope todo colorido.

Ivanhoílson ainda tentou impedir Maria Amélia de ler, mas ela esquivou-se e abriu depois de dizer:

— Que envelope infantil é esse? Nós nem temos filhos ainda. Deixa eu ver.

No interior da correspondência havia quatro papéis que pareciam convites, além da saudação. Ela leu murmurando, sob protestos sem efeito do noivo

“Parabéns, Ivanhoílson! Você é o novo membro do Clubinho Feliz das Gelatinas Gelelé! Vamos comemorar a sua entrada te convidando para o show do Palhaço Clau-Clau, com direito a um sorvete para você, o papai, a mamãe e o irmãozinho ou a irmãzinha”.

Maria Amélia teve uma crise de riso e perguntou:

— O que é isso aqui?

Ivanhoílson só não perdeu a cabeça com a mulher, que foi a sua primeira namorada, porque não queria estragar a noite tão esperada. Constrangido, explicou-se, exasperado, com a voz quase embargada de vergonha:

— Isso é um clubinho que eu queria entrar quando era criança. Só tinha dez anos quando juntei as dez embalagens da gelatina, preenchi a ficha de inscrição e pedi para a minha mãe colocar no correio. Eu queria participar do programa da Lolôra na televisão para ganhar um brinquedo, mas nunca me mandaram a carteirinha. O programa acabou, eu cresci e esqueci do clubinho. Não acredito que mandaram essa porcaria bem na hora do meu casamento, quinze anos depois, quando eu não preciso mais.

— Tá renegando a infância, querido? Hahaha!

Ivanhoílson não deu resposta. O casal foi para a cama. Era a primeira vez que Ivanhoílson teria direito de ver o corpo nu da bela moça por quem se apaixonou. Mas a cada botão dos quinze de pérola que o noivo soltava, Maria Amélia tinha um acesso de riso. Ele conheceu a nudez da amada, mas as gargalhadas da moça, ao lembrar em voz alta do Clubinho Feliz das Gelatinas Gelelé convidando para o show do Palhaço Clau-Clau com direito a um sorvete para toda a família, broxaram o casal.

Não broxaram apenas na primeira noite de núpcias. Broxaram na lua-de-mel em Paris e toda vez que iam para cama. Ivanhoílson pediu o divórcio. Não queria permanecer casado com uma mulher que não parava de rir dele.

Decidiu processar, por danos morais e materiais, o fabricante das Gelatinas Gelelé. O juiz julgou a causa improcedente. A empresa provou que Ivanhoílson se recadastrou e vinha utilizando os benefícios do clube já depois de adulto.

Meses depois descobriu que Maria Amélia casou-se com um oftalmologista paulista. Ivanhoílson decidiu afogar as mágoas em um show do Palhaço Clau-Clau. Em seu último número, a lapela gigante do palhaço jorrou um líquido vermelho e viscoso que não era gelatina.

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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Por dudu oliva

– Olha esta foto, que mulher triste.

– Será? Seu olhar é tão intenso.

– Ela parece guardar muitos segredos.

– Ou só estava com dor de barriga, quando tirou a foto.
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quinta-feira, 2 de abril de 2009






Por João Paulo Mesquita Simões



Mandou a Casa da Moeda, que os selos de Ceres em excesso, voltassem a circular.
Então, a Portaria de 19 de Setembro de 1928, mandou sobretaxar esses selos, de modo a que pudessem voltar a circular e que correspondiam às taxas mais usuais. Assim, todos estes selos foram sobrecarregados com a palavra “REVALIDADO”.
Imagem do selo de 10 centavos, com a palavra “REVALIDADO” a preto.


1929 – Imposto telegráfico

Do mesmo modo, e segundo a mesma portaria, foram sobrecarregados/sobretaxados também pela Casa da Moeda, selos de 1921, com “CORREIO 1$60” a preto em selos de 05$ castanho vermelho, de Imposto Telegráfico conforme mostra a imagem.






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quarta-feira, 1 de abril de 2009

No último sábado, cerca de 300 estudantes fizeram um protesto na porta do cinema Arteplex, em Botafogo, aqui no Rio, contra uma lei que tramita no senado que restringe o benefício da meia-entrada para estudantes e idosos a 40% do total de ingressos de eventos culturais e esportivos.

E por isso, lanço o debate da semana e convido todos a participarem:

Você é a favor ou contra à meia-entrada?


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