quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

IV Centenário da morte de Camões - Poesia e Verdade







A obra de Camões não é vasta.De facto, Os Lusíadas são a sua principal obra. Mas o poeta escreveu ainda uma ode, dois sonetos e uma elegia, publicadas em vida em livros alheios. Assim, a sua lírica é recolhida de manuscritos vários e de várias épocas, colocando-se a autenticidade de alguns poemas. Para terminar o estudo da vida e obra de Luís Vaz de Camões, falta ainda salientar uma outra emissão saída em 1980. Esta emissão é constituída por dois selos, picotados a meio, com os valores de 6$50 com o perfil do poeta e, ao lado, uma estrofe d’Os Lusíadas (III 20-11).


Eis aqui, quase cume da cabeça
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa
E onde Febo repousa no Oceano.
Este quis o Céu justo que floreça
Nas armas contra o torpe Mauritano,
Deitando-o de si fora; e lá na ardente
África estar quieto o não consente.

No selo de 20$00, temos o mesmo perfil do poeta e um soneto.


Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo na esperança,
Do mal ficam as mágoas na lembrança
E o bem, se algum houve, as saudades.

Desenhados por J. Pedro Roque, estes selos são em papel esmalte F e denteados 12x12 ½.Foram impressos na Imprensa Nacional Casa da Moeda e circularam de 9 de Junho de 1980 a 31 de Agosto de 1989.


Lusíadas

Os Lusíadas são uma epopeia narrativa dos feitos gloriosos de um povo, que é o povo português. Estrutura externa – Divididos em dez cantos, cada um com um número variável de estrofes, somando 1102 todas oitavas de decassílabos heróicos, obedecendo ao esquema abababcc –rimas cruzadas nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos. Estrutura interna – Camões respeitou a estrutura clássica da epopeia, sendo que n’ Os Lusíadas são claramente identificáveis quatro partes.· Proposição – O poeta declara aquilo que se propõe fazer, os Portugueses conquistarem o Oriente,· Invocação - O poeta dirige-se às Tágides (ninfas do Tejo), para lhes pedir o estilo e eloquência necessários à execução da sua obra,· Dedicatória – É a parte em que o poeta oferece a obra a D. Sebastião,· Narração – Constitui o núcleo fundamental da Epopeia e que vem ao encontro da Proposição.Camões traça um plano de viagem. A viagem de Vasco da Gama para a Índia, como sendo o episódio mais significativo da nossa História. No plano mitológico, o poeta imagina um conflito entre os deuses pagãos, onde Baco se opõe à chegada das caravelas portuguesas à Índia, receando que o seu prestígio fosse colocado em segundo plano pela glória dos Portugueses, enquanto Vénus, apoiada por Marte, os protege. No plano da História de Portugal, o objectivo de Camões, era enaltecer o Povo Português, não distinguindo ninguém, introduziu na narrativa outros acontecimentos que valorizavam os portugueses, localiza o reino de Portugal na Europa e conta ao rei de Melinde a história de Portugal até ao reinado de D. Manuel pelo personagem Vasco da Gama. Os acontecimentos posteriores à viagem de Vasco da Gama não podiam ser introduzidos na narrativa como factos históricos. Para isso, Camões recorreu a profecias colocadas na boca de Júpiter, Adamastor e Thétis, principalmente. Por vezes, normalmente em final de canto, a narração é interrompida para o poeta apresentar reflexões de carácter pessoal sobre assuntos diversos, a propósito dos factos narrados.






(À D. Isabel, grande Amiga e Pedagoga, que me incutiu ainda mais o gosto pelas Línguas e Literturas Modernas)






Em 1931 e passando um pouco à frente do seguimento das emissões saídas depois do 4º Centenário do Nascimento de Camões, faz todo o sentido dar continuidade à obra referindo todas as emissões saídas até 1980. Como referi, em 1931, sai uma emissão Lusíadas desenhada por Pedro Guedes, com gravura de Arnaldo Fragoso. É uma emissão de dezoito selos em papel liso pontinhado em losangos horizontais e verticais de denteado 14, que circulara de Março de 1931 a Setembro de 1945. Reproduzo aqui o selo de 40 Centavos laranja vermelho. Em 1933, sai nova emissão d’ Os Lusíadas com novas cores e novos valores que circulam de Junho deste ano até Setembro de 1945 sobre papel liso denteado 14.



Reprodução do selo de 1$75 azul.

2 comentários:

MiguelAngel disse...

Diferentes em tudo na esperança,
Do mal ficam as mágoas na lembrança
E o bem, se algum houve, as saudades.

Sabes de quem me lembro lendo essa "sentença" do graaande Camões?
Pois, pois: do gato Lorde!
PS: estou de malas prontas para ir em direção de Filatelicamente-land.
Oferece-me um café quando chegar a tua sala. Ou melhor: uma taça de vinho português! hehe

Joao Paulo Mesquita Simoes disse...

Ofereço com todo o gosto!
É só dizeres quando vens!

Abraços!

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