quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

HISTÓRIA ENTRE ALGUMAS LINHAS - FUSCA


Por Gustavo do Carmo


Força através da alegria. Este foi o primeiro nome do nosso velho Fusca. Para aumentar a popularidade do regime nazista nos anos 30, o ditador Adolf Hitler encomendou um veículo robusto, resistente, que possa transportar quatro pessoas, trafegue continuamente a 100 km/h e custasse no máximo 1.000 marcos imperiais. Após a apresentação de protótipos da Daimler-Benz (atual Mercedes) e Opel, o engenheiro Ferdinand Porsche venceu a concorrência e levou adiante o projeto com o qual tanto sonhava.


O carro foi batizado de Kdf-Wagen. KDF são as iniciais de Kraft durch Freude, o que em alemão significa Força através da Alegria. Este era o lema do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. O carro foi lançado em 1938 e era vendido inicialmente através da compra de selos (como fazem os jornais populares de hoje).


O nome Volkswagen surgiu após uma irritação do ditador Adolf Hitler com um diretor da Opel que apresentara o seu “carro do povo” (volkswagen em alemão). Hitler respondeu: carro do povo só tem um, o Kdf-Wagen. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a produção do KDF ficou parada até 1948, quando a fábrica de Wolfsburg, destruída pelos bombardeios, foi reconstruída para voltar a produzir o Volkswagen. Naquela época, a fábrica passou a ser administrada por Heinrich Nordhoff, ex-diretor da Opel caminhões. Ele criticou e mandou fazer várias alterações no motor e no acabamento e o carro aumentou bem a sua produção, saltando das 10 mil em 1945 (ano do fim da guerra) para 25 mil unidades três anos depois. O Fusca reergueu a Volkswagen e a indústria alemã.


Em 1949, o Fusca começava a ser exportado. Holanda e Estados Unidos foram os destinos do besouro antes de chegar ao Brasil um ano depois, importado pela Brasmotor. Em 1953, em parceria com o Grupo Monteiro Aranha, a Volkswagen se instalava no país e abria a primeira linha de montagem em São Paulo. Junto com a Kombi, o Fusca passou a ser montado com todas as peças vindas da Alemanha. Com os incentivos do governo de Juscelino Kubitschek através do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) em 1956, a Volkswagen inaugurou a fábrica de Anchieta em São Bernardo do Campo e em três anos, o Fusca já era inteiramente produzido no Brasil.


Quando chegou ao nosso país, o Fusca era chamado de Sedan e equipado com motor 1200 cm³ de apenas 36 cavalos de potência. As lanternas traseiras eram minúsculas e os vidros traseiros ovalados. Não tinha seta, a indicação de mudança de direção era feita por uma haste escondida na coluna central do carro e que era aberta mecanicamente ao virar o volante. Já em 1961, a primeira marcha passou a ser totalmente sincronizada, o chassi passou a ser nacional no ano seguinte, vieram as luzes de direção até que, em 1967, a cilindrada aumentava para 1300, com ganho de dez cavalos na potência. No mesmo ano, houve mais um aumento nas dimensões do vidro traseiro e mais melhorias no acabamento.


A partir dos anos 70, chegaram os motores 1500 (Fuscão) e 1600 (Super Fuscão). Em 1972, o Fusca batia na Alemanha o recorde de vendas do Ford Modelo T: 232.852 unidades. Saía de linha por lá em 1978, enquanto aqui ia ganhando pequenas alterações estéticas na traseira como a adoção dos faróis Fafá, em homenagem aos seios da cantora Fafá de Belém. Isso em 1980. Com a chegada do Gol, no mesmo ano, o Fusca começava a preparar a sua aposentadoria. Em 1983, o nome Fusca foi oficializado pela Volkswagen. Ganhou uma série especial em 1984, onde os destaques eram os novos revestimentos internos e o encosto de cabeça dos bancos dianteiros. Saiu de linha em 1986 para voltar a ser produzido em 1993, sob a chancela do então presidente da república Itamar Franco. Mas o Fusca ressuscitado só durou três anos até sair definitivamente de linha e deixar novamente na saudade os admiradores brasileiros de suas formas arredondadas, mecânica resistente e grande agilidade.


Em setembro de 2003, deixou de ser produzido no México, o último país que fabricava o besouro em todo o mundo. Seu sucessor espiritual dos novos tempos, o New Beetle, desenvolvido nos Estados Unidos, completou dez anos no ano passado.

2 comentários:

Joao Paulo Mesquita Simoes disse...

Belo texto, muito explicativo.
Foi um carro que deixou saudade, de facto. Mas nada na vida é eterno.
Eu, por exemplo, adorava ter um Fiat 600 de portas malcriadas, que foi o primeiro carro do meu Pai...
Parabéns por este momento de recordação!

Abraços!

Ed Santos disse...

Ainda vou ter outro...

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