domingo, 23 de novembro de 2008

BACKUP

Por Ed Santos


- Como é que é. A gente vai sair ou não vai?

- Peraí! Tô terminando de parafusar este treco aqui. É rapidinho!

Eles tinham combinado de almoçar fora no feriado e não queriam ir pra cozinha. Fazia tempo que não ficavam à toa em casa sem fazer nada. Acordaram tarde, o Julio Henrique foi buscar pão já eram 09h40min. Depois de lerem o jornal de domingo (era quinta-feira, feriado) os dois foram enfeitar a fachada da casa com a iluminação de Natal, mas aí aperta um parafuso aqui, coloca uma lâmpada ali, o tempo passa e já eram quase 13h00min quando conseguiram sair.

Iam num restaurante perto, mas no meio do caminho a Marlei, diz:

- Vamos naquele restaurante que a gente foi no dia dos pais?

- Marlei não é longe demais? A Duda tá com fome e tá quase dormindo aí no teu colo.

- Ah amor, vamos lá vai. Depois a gente vai comprar os CDs pra fazer o backup do computador.

- Tá bom, vai.

E foram. Almoçaram e depois foram comprar os CDs. Compraram também pilhas e lâmpadas para repor a do quarto da Duda que tinha queimado na noite anterior. Isso era por volta das 15h30min. 

- No caminho, o Julio Henrique avista uma placa: “Apartamento de três dormitórios, amplo e com sacada”.

- Olha, como a gente tá procurando.

- Cê tá procurando é sarna pra se coçar! Vamos embora.

- Vamos dar uma olhada, vai. É logo ali na frente, nesta mesma rua.

- A gente vai fazer o backup que horas? 

- Ah, a gente faz no sábado. Não tenho aula não.

- Tá bom. Rapidinho.

Pararam em frente do prédio o os olhos da Marlei brilharam. Ela viu que era exatamente do jeito que ela queria. O corretor apareceu no portão e foi logo se apresentando. Não pareceu ser daqueles corretores chatos que vão logo pegando caneta e bloco de notas pra fazer um “cadastro sem compromisso”. Ele foi bem bacana, deixou os dois à vontade.

Ele mostrou todas as dependências do apartamento decorado, falou dos benefícios do imóvel, infra-estrutura, comodidade, metragem, etc. Enquanto ia discursando, o casal prestava atenção em todos os detalhes, mas o Julio Henrique dispersou várias vezes por causa da Duda que não parava quieta e ficava correndo pra lá e pra cá dentro do stand de vendas. Só parou um pouquinho depois que o corretor levou-os ao playground. A Duda adorou o lugar e deixou finalmente os pais conversarem direito.

Tudo conversado, dúvidas tiradas, cartões, telefones e e-mails trocados, e a promessa de um breve contato.

- Então a gente entra em contato, ok?

- Ok seu Julio. A gente se fala. Pensa com carinho na proposta. Tenho certeza que o senhor e sua família vão fazer um bom negócio.

- Pode deixar. Obrigado

Antes de dar a partida, o Julio Henrique olha pelo retrovisor e a Marlei pisca o olho direito:

- Cada vez que a gente sai pra comprar alguma coisa, a gente volta com um sonho diferente né?

- É. Agora é ir pra casa e fazer as contas pra ver se dá pra pagar.

- Caramba, você já decidiu?

- Marlei a gente tem que aproveitar as oportunidades e realizar o sonho de comprar nossa casa nova.

A Duda, que de boba não tem nada pra uma menina de três anos, depois de ficar calada prestando atenção na conversa dos pais, tira a chupeta da boca e pergunta:

- Pai, você pinta meu quarto de rosa?

Boa compra o Julio Henrique fez, saiu de casa pra comprar CDs e voltou com o sonho de um financiamento imobiliário debaixo do braço.
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