sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O VENDEDOR QUE EU NÃO SOU

Por Gustavo do Carmo


Meu sonho sempre foi ser vendedor de carros. Aprendi a gostar deles desde criança. Aos 12 me tornei fanático. Do lado do meu prédio havia uma concessionária de veículos (hoje está na outra calçada, à frente do edifício) que eu adorava visitar e conhecer os novos carros. Mas ao mesmo tempo tinha vergonha de entrar nos carros. Achava que os vendedores não iriam gostar muito de ver alguém mexer no carro e sujá-lo, sem nenhuma intenção de compra. Eu mesmo, recentemente, já fui educadamente expulso pelo dono da mesma concessionária que eu citei acima, apenas porque tirava fotos de um lançamento para o meu blog.

Quando eu estava na faculdade e saía para procurar estágio de jornalismo, eu aproveitava e deixava os meus currículos em algumas concessionárias de Botafogo. Virei motivo de chacota entre os meus colegas. Mas não me importei.

Já adulto, meu sonho de ser vendedor de veículos aumentou. Mas não pôde ser realizado. Primeiro porque não tenho carteira de motorista. Foi uma opção minha de não querer dirigir depois que eu fui reprovado duas vezes no exame de direção no trânsito do Detran. Segundo porque eu ainda sou muito tímido. Extremamente tímido.

Se como cliente eu fico sem graça de entrar em uma concessionária, sem nenhuma intenção de compra e o vendedor achar que eu estou querendo fazê-lo de bobo, sondando alguma coisa ou mesmo fotografando, imagine se eu estivesse no lugar dele. E, finalmente, vendedor tem que mentir que o carro não tem defeitos, disfarçar para espantar alguns visitantes que não têm cara de quem vai comprar o carro e saber empurrar o produto sem amedrontar o potencial cliente.

Sincero e compreensivo do jeito que eu sou, me convenci de que eu não tenho mesmo vocação para ser vendedor. Como diz o Dudu Oliva num conto que ele escreveu: é melhor esquecer tudo e partir para um outro sonho. Por isso, decidi ser jornalista para falar a verdade sobre os carros que eu gosto. Mesmo não dirigindo.

2 comentários:

Ed Santos disse...

Por opção - acertada - não foi ser vendedor, mas acertou em ser você.

Abraço,

Ed.

Anônimo disse...

O que importa é não ficar frustrado e partir para novas realizações e isso você fez. Admiro sua sinceridade de abrir o coração...

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