sexta-feira, 26 de setembro de 2008

DOIS EM UM


Sei que é errado sublinhar ou escrever num livro. Mas, ao ler um, que está todo marcado a lápis e escrito ao lado: importante!!, começo a me perguntar, o que levou uma certa pessoa a destacar certos trechos do texto?
Além do conteúdo do livro, há uma interpretação de outro indivíduo; que sublinha e que faz lembretes, nos trechos que considera importantes. Leio as partes grifadas e contraponho com as que acho relevantes. Pegar ou comprar um livro assim, é como levar dois livros em um: o autor narra e o segundo, interpreta a sua maneira, tentando estruturar o pensamento de escritor. Tento articular o meu ponto de vista, com o que estar sublinhado e com o que o escritor argumentou.
E quando há poemas e dedicatórias? Sem querer, entramos em contato com a vida do outro. Ficamos sabendo de confissões, amores e desabafos. Começo a imaginar como foi a vida do primeiro dono daquele livro, porque ele escreveu certa coisa, porque desenhou um coração, que no meio dele estava os nomes Valdinho e Soninha ou grifou um frase do livro e ao lado escreveu: é assim que muitas vezes, eu me sinto.
Acho que sou um pouco vouyer. Gosto de observar a vida alheia. É como espreitar às janelas, olhar pelo buraco da fechadura e ler cartas de outras pessoas.
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