sexta-feira, 1 de agosto de 2008

PARECE BALA

Dudu Oliva

Paulinho muitas vezes não sabia os nomes das coisas, mas sentia. Era uma tarde quente, a mãe como de costume foi buscá-lo na escolinha. Quando ia atravessar à rua, encontrou uma menina. Não sabia o porquê de seu pequeno e selvagem coração pulsar mais forte e de um desejo súbito de ir ao encontro da garota. O sinal estava fechado, ele largou a mão da mãe e se aproximou da menina. Disse instintivamente: - Quer ser minha amiga – dando-lhe uma bitoca na boca. Sentiu um gosto de doce: "Gostoso, a boca dela parece bala", pensou. Os lábios da menina estavam melados de pirulito, que havia comido na sobremesa depois do lanche.O sinal ficou verde, a mãe do Lúcio o pegou e o repreendeu . Mas no fundo estava emocionada: " Como ele é carinhoso..."A outra mãe não ligou muito, tinha pressa para preparar um jantar gostoso. O marido ia chegar de viagem. As duas crianças se despediram com rápida troca de olhares. Sabiam desde já que nunca mais se veriam.

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