quinta-feira, 31 de julho de 2008



A partir de 1867, os selos de D. Luís passaram a ter as folhas perfuradas, o que permitia uma separação mais rápida e uniforme dos selos. Para a Administração Postal, não passou de uma simples melhoria de processo. Mas, para os coleccionadores sempre atentos às pequenas diferenças, constituiu motivo mais do que suficiente para considerar os selos denteados como fazendo parte de uma nova emissão completamente diferente da anterior.

Todos os selos de fita curva passaram então a ser denteados em 12 ½.

Embora a perfuração do selo viesse facilitar a vida na separação do selo da folha, muitas pessoas, habituadas a recorrer à tesoura, fosse por ingenuidade, fosse por não acreditar na eficácia do novo método, continuaram a usá-la. O resultado ainda é hoje bem visível em muitos exemplares. Como por milagre, os golpes da tesoura seguiam exactamente pelo meio da perfuração dos quatro lados do selo, aparecendo esses exemplares com denteados mais ou menos defeituosos.

Deste modo, esta é, talvez, a série mais difícil de encontrar selos nas suas perfeitas condições. São por isso mais raros e de maior cotação no mercado filatélico.

O desenho do selo foi feito por Charles Wienner, impressos em relevo na Imprensa Nacional Casa da Moeda, em papel liso, fino, médio e espesso.

Como referi em cima, esta série é difícil de encontrar e por isso cara. Como tal, não possuo nenhum exemplar na minha colecção. Mas, para que o Leitor fique com uma ideia deste selo, reproduzo aqui uma imagem retirada do catálogo de selos postais da Afinsa, onde está patente toda a série.
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quarta-feira, 30 de julho de 2008



Para fugir do padrão com vaidade
Por Gustavo do Carmo

Um mundo sem vaidade em que todas as mulheres são iguais. Curiosamente a AlmapBBDO escolheu o tema da uniformidade para tirar do padrão as propagandas da rede de lojas de perfumes e cosméticos O Boticário. Na verdade trata-se apenas da temática do primeiro filme, pois o conceito central da nova campanha institucional é exatamente a vaidade e a beleza, esta reforçada pelo segundo filme estreado no último final de semana.

A fachada e o interior da loja da marca, presença constante em vários comerciais, deram lugar a uma campanha milionária (31 milhões de reais), composta por anúncios de mídia impressa e dois filmes em película. O primeiro, batizado de 'Repressão tem um tom acinzentado. Mostra uma cidade inteira de mulheres vestidas de camisa branca, totalmente fechada, e saia-avental cinza. Todas com o mesmo corte de cabelo preto. Há manifestações contra a beleza representadas pelo carro de som que passa na rua e das mulheres cortando o salto dos sapatos na linha de produção e queimando tudo na fogueira. Em um certo momento, entra a locutora fazendo três perguntas: "Não seria bom viver em um mundo sem vaidade? Imagine um mundo onde a beleza não é valorizada? Não seria bom viver nesse mundo?" Na seqüência, uma das moças, que representa a rebelde da cidade, entra em um prédio abandonado, sobe as escadas e encontra uma caixa de maquiagem empoeirada com um batom do Boticário. Ao sair na rua, maquiada, com o cabelo levemente desarrumado e esvoaçante, além da discreta caída da alça do vestido, ela é admirada pelas outras moradoras enquanto a locutora responde: "Não. Não seria."

A propaganda prima pela mensagem interessante, pelos detalhes bem produzidos e com um leve toque de humor que representam sutilmente a mensagem do conceito, como a fôrma do corte de cabelo, as bonecas iguaizinhas e a menina brincando de olhar no espelho com uma colher e sendo repreendida pela mãe.

O filme se encerra com o novo slogan da empresa: Acredite na Beleza. O novo conceito surgiu depois de uma pesquisa feita com 2 mil consumidoras que disseram que quando se sentem mais bonitas vêem o mundo mais vibrante, alegre e colorido. Por isso, ficam mais felizes, dispostas e com atitude para vivenciar as coisas boas do dia-a-dia. E claro que o Boticário quer aproveitar este momento para vender o seu produto.

Ironias de lado, o filme tem padrão internacional e, por isso, aparenta ser produzida no exterior, já que a sócia da Almap é multinacional (BBDO) e O Boticário é a maior rede de franquias do mundo no seu setor (perfumaria e cosméticos) e tem presença em Portugal e outros países como Japão, USA, Arábia Saudita, Uruguai, Cabo Verde, El Salvador, Peru, Venezuela, Colômbia, Paraguai, África do Sul, Angola, Moçambique, Suriname, Nicarágua, Austrália, República Dominicana, Nova Zelândia e Emirados Árabes. Para orgulho de nós, brasileiros, e desespero dos anti-nacionalistas de plantão, a criação e produção do filme é brasileira. No primeiro caso é assinada por Renato Simões, Bruno Prosperi, André Kassu e Marcos Medeiros, cuja direção foi de Marcello Serpa, Dulcidio Caldeira e Luiz Sanches. Pedro Becker dirigiu, montou e editou o filme pela Produtoras Associados que teve direção de fotografia de Fernando Oliveira.

Esta campanha também tem um anúncio impresso seqüencial de cinco páginas com vários objetos relacionados à beleza empilhados como escovas de cabelo, sapatos de salto alto e espelhos, como se fosse lixo. Ela só peca pelo perigo de impor novos padrões de beleza que os sociólogos e psicólogos de plantão odeiam.



O segundo filme, batizado de 'Contágio', é totalmente diferente do primeiro. É este que traduz o que os consumidores disseram na pesquisa citada acima. Mais colorido, começa mostrando o abandono de um bairro, com muros pichados, ferros-velhos e vazamentos. Indiferente a isso, uma bela moça passa um batom do O Boticário. Ao sair de casa ou do hotel, encontra com vizinhos que começam a ajeitar o cabelo, o quadro da parede, o recepcionista arruma a gravata e, por onde ela passa, inicia-se uma seqüência de pessoas que passam a cuidar melhor de si e limpar o bairro: homens fazem a barba ao mesmo tempo, mulheres trocam de roupa, o cachorro toma banho, a menina tímida se torna mais solta, operários limpam o prédio, moradores jogam o lixo fora, homens fazem um a ciranda de cortadores de grama, uma mulher se maquia no espelho do carro, homens pintam o muro pichado, varrem a calçada e consertam o carro. A cidade fica completamente bem cuidada e bonita depois do desfile da moça. No final, aparece a legenda com o tema do filme: "A Beleza é contagiante".

A trilha sonora alegrinha e bonitinha, acreditem, foi criada especialmente para o comercial. Por isso, a equipe está de parabéns, pois o segundo filme é criativo, simpático e bem produzido. No entanto, sua mensagem é mais implícita, sendo percebida apenas com muita atenção ou diversas exibições. Apesar do tema pesado, o Repressão é mais marcante e, com certeza, será figurinha fácil naquelas coletâneas de comerciais premiados no Festival de Cannes que os professores da faculdade de publicidade têm o prazer de mostrar. Se aparecer, será merecido.
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terça-feira, 29 de julho de 2008

"A BELEZA SALVARÁ O MUNDO"
Leonel Marcelino



Conta-nos Alexandre Soljenitsyne que levou algum tempo a tentar perceber esta frase enigmática que, um dia, Dostoïevski deixou cair: «A beleza salvará o mundo». Interpretou-a finalmente como querendo significar que a beleza da arte, sobretudo da literatura, acabará por fascinar o mundo e convencê-lo da necessidade de reflectir e de pôr em prática a profunda defesa dos valores da dignidade humana, sobretudo da verdade e da justiça, que os grandes autores sempre deixam inscrita no seu legado literário.

Recentemente, li a notícia de que as universidades americanas, conscientes do erro cometido por darem a primazia às tecnologias e à investigação do universo material, iam voltar ao estudo do humanismo, privilegiando o conhecimento da filosofia e da literatura.

Se reflectirmos um pouco sobre o que é hoje a civilização ocidental, não será difícil chegar à conclusão do modo como a realidade material submerge a realidade espiritual.

A civilização do prazer e do lucro sobrepõe-se ao sacrifício de lutar contra as mentiras e os engodos de fanáticos e de oportunistas.

Soljenitsyne, que sofreu no corpo e na alma os horrores das massificações e das ilusões da luta de classes que, criando falsas utopias arrasaram, e continuam a arrasar, milhões de seres, preveniu-nos, com lucidez, contra os novos monstros que se transformam facilmente em degradação humana, genocídios, ditaduras cruéis, anulação do indivíduo.

Roger Martin du Gard publicou uma obra, «O Verão de 1914», em que alertava para a atmosfera angustiante que se viveu na Europa antes da mobilização para a 1.ª Grande Guerra Mundial, face à fraqueza dos governos de então, às suas hesitações, às suas indiscrições, às suas ambições inconfessáveis com a cumplicidade passiva das massas que acabariam por sofrer na pele os horrores que se seguiram (nove milhões de mortos e dez milhões de estropiados).

Mas, o homem, que continuou sem meditar a literatura, copiou os mesmos erros e desencadeou a 2.ª Guerra Mundial, com consequências mais gravosas ainda, teimando, no presente, em alimentar outros horrores um pouco por todo o mundo.

E continuamos sem ler nem apreciar a beleza da arte.

Assistimos à cavalgada do materialismo e à degradação cada vez mais abjecta da humanidade, com seu cortejo de obscenidades. Basta-nos referir o que se passa nas nossas televisões com as telenovelas e seus conteúdos mentirosos e outros programas ridículos de má língua, noticiários (!) incluídos, para percebermos o que é a concessão ao que de mais baixo e vil existe no homem desde o tempo das cavernas e que leva as novas gerações aos himalaias do gozo alarve.

Num mundo sem literatura, não me espanta que continuemos indiferentes aos vários horrores que se vão repetindo, de que, o exemplo mais vivo e recente, é o do Zimbabwe, perante a cobardia, a indiferença, a fraqueza e a inoperância de governos incompetentes, ignorantes da história, insensíveis aos valores humanos, hesitantes na defesa da dignidade humana.

Um mundo sem beleza é um mundo perdido, sem verdade nem justiça nem sentido. Alimentar a espiritualidade é libertar o Homem.

Resta-nos a esperança de que um próximo pesadelo acorde os políticos e os alerte para a urgente necessidade de reintroduzir nas escolas o estudo dos autores universais para que se cumpram as palavras de Dostoïevski e «a beleza acabe por salvar o mundo», destruindo a cobardia e o medo.
Bico de pena/ecoline-sobre papel

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domingo, 27 de julho de 2008



Para quem gosta de contos e poesia, acesse o blog Quadrado Vermelho, de Victor Meira:
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hoje vou de mini-conto...


Por Ed Santos

Quando percebi, já estava com o globo ocular direito nas mãos, e pedindo pra ser liberada logo porque tinha prova de anatomia na primeira aula. A enfermeira me explicou que aquele punhal, arremessado por alguém do lado de fora do trem, estava enferrujado e eu teria que ficar em observação. Era alto o risco de tétano. Permaneci ali por mais um tempinho sentada na maca até que um rapaz entrou na sala dizendo ser o operador de raios-X, e que precisava providenciar algumas radiografias dos seios da minha face. Conheço bem o procedimento. Pediu que eu deitasse encostando o rosto naquela maca gelada, e tirou a primeira chapa. Depois pediu pra virar de lado, agora sem a atadura que protegia o buraco sangrento do meu rosto. “Senão queima”, disse ele. Fiquei lisonjeada quando olhando para minha ficha, ele murmurou sentir-se atraído por mulheres com olhos de cores diferentes. Os meus, um era verde, o outro azul, da mesma cor do cabo do punhal que o perfurou.
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sábado, 26 de julho de 2008

Por Gustavo do Carmo

Qual a finalidade dessas camisetas que anunciam o ano novo? Fazer uma pergunta dessas pode ser uma idiotice e a possibilidade se torna certeza na época do réveillon. Mas e depois que o ano já chegou, as festas acabaram, o carnaval passou e o usuário das tais volta ao batente para viver o ano que carregou no peito durante o réveillon? Será que essas camisas Feliz Ano Tal têm finalidade depois da passagem de ano? Bem, mesmo assim, a pergunta ainda é imbecil: a camisa serve para vestir, cara pálida!

A minha mãe tem uma dessas. Toda branca, com a estampa 2003 bordada na mesma cor desenhada simulando a espuma do champanhe. E tem algum brilho de purpurina. De vez em quando ela usa em casa. Lembro que ela comprou em Cabo Frio. Comprou depois do réveillon. Portanto, para ela, foi apenas uma camisa nova com uma estampa qualquer. A sorte é que 2003 foi um ano muito bom para nós. O ano em que o meu pai comprou o nosso apartamento de Cabo Frio. Uma coincidência feliz. Neste caso, não poderia ser mais apropriada. E se o ano tivesse sido ruim? Será que ela teria coragem de usá-la ainda? Será que eu teria coragem de vê-la com essa camisa?

Muitos não devem ter tido um 2003 bom. Para alguns, 2003 pode ter sido um ano péssimo. O ano em que morreu um parente próximo. O ano em que o negócio que prometia ser lucrativo fechou. O ano da demissão. O ano do despejo. Ficaria até com medo que algum louco traumatizado atacasse a minha mãe por causa disso se a visse com a camisa Feliz 2003. Felizmente isso nunca aconteceu. Se alguém que não teve um bom 2003 viu a camisa deve ter abaixado a cabeça, mudado de calçada, guardado suas más lembranças para si ou simplesmente não ter reparado. Afinal, a estampa era branca. Ou será que rogou uma praga? No ano passado, a minha mãe fraturou o ombro exatamente em Cabo Frio e ficou seis meses de molho.

De qualquer maneira, ela não usa mais essa camisa na rua. Seria felizmente ou não faz diferença? A camisa velha que anunciava o ano novo já foi aposentada mesmo. Está até esquecida no armário lá de Cabo Frio.

Posso estar mentindo só de escrever este texto, mas não tenho nada contra quem usa essas camisas feliz ano tal. Não direi que nunca vou usá-las, só que eu não gostaria de comprar uma para mim. Acho que é uma estampa que sai de moda rapidamente e serve apenas para ficar guardada na lembrança e identificar o ano da fotografia do réveillon. Está aqui a minha resposta para a primeira pergunta da crônica. Para quem a usa depois da virada do ano e dos próximos não vou criticar por vestir o passado. Vou sempre entender que não tinha outra para vestir, teve um ano excelente ou é apenas uma camisa. Mico, mesmo, são aqueles óculos grandalhões que anunciam o ano tal.
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sexta-feira, 25 de julho de 2008

“Adoro sentir o calor humano dos meus fãs, quando estou fazendo o meu programa. Eles sabem que lutei muito para chegar até aqui. Sabem que sou uma vencedora e guerreira. Também, fico comovida de ver o carinho das pessoas com meu filho.” ( trecho retirado da entrevista de Pamela à Fofoca Express em 11/ 05/ 2004).

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– Mãe, quero ser famosa!
– Legal filha, vai ser atriz?
– Não sei, mas quero ser famosa!
– Então, escritora de romances bonitos?
– Não sei, quero ser famosa!
–Vejamos, vai ser modelo?
– Não sei, mas quero ser famosa!
– Vai ser apresentadora de televisão?
– Não sei, quero ser famosa!
– Já sei! Cantora?
– Não sei, quero ser famosa!
– Mas minha filha, você tem que escolher alguma coisa para ser famosa e não simplesmente ser famosa.
– Mãe, eu não sei realmente o que vou fazer para ser famosa, mas a única coisa que tenho certeza é que quero ser famosa!

Anos mais tarde...

“Estou me sentindo tão insignificante. Queria que acontecesse alguma coisa; um milagre, que mudasse a minha vida.”
Estava em casa, sentada em frente do telefone. Esperava uma ligação de seu agente. Passou um mês apertado. Era modelo loira de olhos azuis, mas tinha um metro e sessenta oito centímetros e já tinha vinte sete anos. O desespero crescia e as contas a pagar multiplicavam. Os vizinhos do pardieiro, onde vivia já a olhava de cara feia.
O telefone começou a chamar, ela percebeu que um raio de sol iluminou a sala e um pequeno pássaro apareceu, pousando na janela:
– Alô?– Pâmela atendeu esperançosa
– Sou eu, Pâmela. Tenho convites para uma festa super bombada. Você tem que ir, vai ter muitos contatos.
– Algo me diz que essa festa vai ser muito importante pra mim. Pode deixar comigo, eu vô.

Estava no salão, quando veio em sua direção Charles Bronks. Ele era um dos atores mais famosos de Hollwyood. Ela foi eleita entre tantas naquela festa. Recebeu olhares de inveja, admiração e despeito. De repente, um pensamento surgiu em sua mente: “ Aconteceu o que estava esperando”.
Meses depois, encontra-se encostada na parede fria e áspera do seu apartamento, sentindo o ventre cheio de aleluia! Tinha a certeza que foi abençoada pelos Deuses.

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quinta-feira, 24 de julho de 2008


Após a reforma de Francisco de Borja Freire, foi contratado o gravador Charles Wiener para lhe suceder como Primeiro Abridor da Cada da Moeda, cargo que começou a exercer a partir de Janeiro de 1865.

Entretanto Portugal tinha celebrado convenções postais com outros países nas quais se estabeleciam portes diferentes nos representados por Borja Freire, sendo necessário criar novos valores para os selos do correio.

Assim, foram substituídos modelos anteriores por um novo padrão uniforme, que Wiener desempenhou sem grande sucesso artístico.

Os selos de D. Luís, continuaram a ser em relevo, impressos na mesma máquina, dotada agora de um divisor capaz de espaçar uniformemente os selos nas folhas e contendo vinte e oito selos dispostos em sete linhas e quatro colunas, todos eles com margens menores do que os anteriores. Um pormenor os diferenciava dos anteriores: a fita já não era direita, mas sim curva.

Exemplo desta nova série de D. Luís I, é a imagem do selo abaixo representada.
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Para quem não conhece a fundo a obra de José Saramago, tem no site abaixo alguma informação sobre este Prémio Nobel da Literatura Portuguesa 1998.
Devo confessar que a sua escrita é difícil. Um pouco confusa até.
Estamos perante um homem que não teve grandes estudos, e uma maneira muito especial de escrever.
Não usa a pontuação e utiliza uma escrita muito "sui generis".
Quem já se defrontou com os seus livros, sabe que é verdade.
Quem nunca leu nada de Saramago, tem aqui uma oportunidade de ficar a saber algo deste Prémio Nobel da Literatura Portuguesa.
Boas leituras!
http://www.caleida.pt/saramago/
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segunda-feira, 21 de julho de 2008


No centenário da morte do escritor Machado de Assis ficou faltando a minha homenagem. Uma coletânea de crônicas, artigos e contos sobre sua personagem mais famosa é a Dica da Segunda desta semana.

Contos,crônicas e ensaios sobre a personagem mais enigmática da literatura brasileira. Há uma pergunta que se faz desde que Dom Casmurro foi publicado. A pergunta não é, como parece à primeira vista, se Capitu traiu ou não Bentinho, mas sim: quem é Capitu?Responderam a esta pergunta a atriz Fernanda Montenegro; o diretor Luiz Fernando Carvalho; a historiadora Mary Del Priore; o professor e escritor Gustavo Bernardo; a jornalista e professora Carla Rodrigues; a escritora Lya Luft; o professor e escritor Silviano Santiago; o crítico John Gledson; o escritor Otto Lara Resende (in memoriam); os geniais Luiz Fernando Veríssimo e Millôr Fernandes; o psicanalista Luiz Alberto P. de Freitas; o antropólogo Roberto DaMatta; o jornalista e biógrafo Daniel Piza; e a escritora Lygia Fagundes Telles. Cada um dos autores respondeu como quis e na forma que achou melhor: ora ensaio, ora depoimento, ora conto. Os textos formam um painel precioso, para ser lido na ordem ou aleatoriamente, para ser discutido, para provocar conversas. (Divulgação)

SOBRE O LIVRO

Quem é Capitu?
Vários autores (organização de Alberto Schprejer)
Editora Nova Fronteira
2008
Formato (a x l): 21x14 cm
176 páginas
Preço sugerido: R$ 29,90
Site da editora: http://www.novafronteira.com.br (ou clique na capa do livro)
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domingo, 20 de julho de 2008

Por Ed Santos

Abriu a gaveta, pegou o MP3 e saiu em direção à lixeira para deixar algumas sacolas, depois ficou batendo papo com o porteiro até a ela chegar. Ele ia se encontrar com um parceiro de projetos e ela, tinha se programado pra sair sem muito compromisso e passear pela cidade. Ele não sabia a que horas voltaria e ela até deixou o relógio em casa. Desde que a filha nasceu ela nunca mais tinha saído assim sem preocupação com o horário e sem se preocupar com o que fazer para o almoço.

Eles foram a pé até a estação de trem contemplando o sol daquela bela manhã de inverno e desfrutaram mesmo daquele momento rápido de estarem juntos, só os dois a andar pela calçada da rua com asfalto em reforma.

Se não fosse a Daniela que parou pra bater papo com o casal, não teriam perdido o trem que viram sair assim que chegaram na bilheteria da estação, mas não se importaram com isso. Pela primeira vez na vida de casados não estavam com pressa, aliás, a pressa é uma das grandes inimigas do homem moderno. A gente vive correndo pra cima e pra baixo sempre sem tempo pra nada. Nos preocupamos com a falta de tempo afirmando que dele somos escravos. Somos escravos dos nossos compromissos, isso sim. Não sabemos dizer não, e sempre estamos com muitas coisas pra fazer ao mesmo tempo. Mas se não for assim, como seria então?

Até estranharam quando entraram no trem sem serem empurrados pelos eternos apressados do horário de pico, e sentaram-se um ao lado do outro. Coisa rara de acontecer, também. Ela viu várias pessoas lendo e disse ao pé do ouvido dele: ”Putz! Faz tempo que não leio nada!”. Ele abriu a pasta, puxou um livro deu pra ela. Ela folheou e depois de algumas palavras disse que achou bom, cheio de rima. “É o Bandeira, o Manoel. Esse é muito bom mesmo. Lê esse outro aqui, você vai gostar”. Ela leu. “Caramba! Ele não usou nenhuma pontuação! Achei legal”. Haroldo de Campos, excerto das Galáxias.

O dia passou que nenhum dois percebeu. Ela ligou e disse que já estava indo embora, e ele respondeu que iria demorar um pouco mais, mas o compromisso da noite estava de pé. Festa na casa do Marcos. Ele terminou o que tinha de fazer com o parceiro de projetos, e foi até a estação pegar o trem de volta. Ligou o MP3, pôs os fones, e leu alguns poemas. Ficou tão concentrado na leitura, que a viagem não demorou nada pra chegar no seu final. Desceu do trem mais queria terminar pelo menos aquele capítulo. Sentou-se num banco da plataforma e continuou lendo até o final da página 107, depois saiu andando, de novo sem pressa ouvindo “Yes”. O Marcos era um cara legal não iria se incomodar se ele chegasse atrasado na festa.
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sábado, 19 de julho de 2008

Por Gustavo do Carmo


----- Original Message -----
From:
pericarsoa@messagenet.com.br
To:
editor@variasletras.com.br
Sent: Friday, September 24, 2004 11:30 AM
Subject: Original de Romance


Prezado editor,

Estou enviando em anexo os originais do romance Chuvas na Solidão que eu escrevi e gostaria de ver publicado pela Várias Letras.

Atenciosamente
Péricles do Carmo Soares


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TELEGRAMA

REMETENTE: EDITORA VÁRIAS LETRAS

PREZADO SR. PÉRICLES DO CARMO SOARES

AVALIAMOS O SEU ORIGINAL CHUVAS NA SOLIDÃO E INFORMAMOS QUE O REFERIDO FOI APROVADO COM LOUVOR PARA EDIÇÃO. ENTRE EM CONTATO CONOSCO O MAIS RAPIDO POSSÍVEL PARA AGENDAR A ASSINATURA DO CONTRATO DE ADIANTAMENTO DE CENTO E CINQÜENTA MIL REAIS. ATENCIOSAMENTE. VERA. TELS: (21) 2XXX—XXX3 / 9YYY-YYY8

ENVIADO EM 24-03-2008

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O interfone toca.

— Quem é? Pergunta a irmã de Péricles.

— É o carteiro. Tem que assinar.

— Graças a Deus! Pensei que fosse o oficial de justiça tomando o apartamento.

A mulher desce as escadas e atende o carteiro, que diz:

— Telegrama para o senhor Péricles.

— Obrigada. Diz a irmã do destinatário. — Eu vou receber apenas para ver se é uma boa notícia para ele. O meu irmão se matou ontem com um tiro na cabeça. A nossa família foi à falência e o Péricles, que ainda vivia às custas do meu pai, não suportou isso e a nova condição de desabrigado. Ele sonhava em ser escritor, mas ninguém lhe dava oportunidade nem acreditava nele. Não queria outra coisa que não fosse escrever e ganhar muito dinheiro. Por isso, vivia discutindo com papai que o obrigava a trabalhar em qualquer coisa.

— Que chato. Meus sentimentos a vocês.

— Obrigada. Agora, com licença que eu vou voltar para o velório dele. Boa tarde.
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sexta-feira, 18 de julho de 2008


Com seus versos protéicos nutre almas desérticas.

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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Este texto é um original meu, e foi publicado aquando da morte de João Paulo II.

Morreu um homem bom.
Foi com grande pesar que a Comunidade Católica mundial recebeu a notícia já esperada, da morte do Papa mais popular dos últimos tempos. Político, religioso, foi ele quem conseguiu dentro do seio da Igreja Católica, unir outras religiões tendo sido mesmo o primeiro papa a entrar numa Sinagoga e numa Mesquita. Politicamente, ajudou a desmembrar o Comunismo da Europa de Leste. Homem dotado de um espírito jovem, reformulou algumas ideias dentro da Igreja, sendo conservador quanto à questão do aborto.
Foi chamado o Papa Peregrino por ter sido o Chefe da Igreja que mais deslocações fez ao estrangeiro – o equivalente a trinta voltas ao Mundo!
Era adorado pelos jovens até à casa dos trinta anos, pois sabia dialogar com eles e, devido ao seu longo pontificado de vinte seis anos e meio, foi o único papa conhecido no meio juvenil.
Karol Jóseph Wojtyla, nasceu a 18 de Maio de 1920 na Polónia. Foi sempre uma criança amável e bondosa. Fez os seus estudos eclesiásticos no seu país e a 16 de Outubro de 1978 foi eleito o primeiro papa não italiano em 455 anos e o primeiro papa eslavo da História. Fez 482 canonizações e 1338 beatificações onde se incluem os Pastorinhos Jacinta e Francisco. Veio a Portugal pela primeira vez a 12 de Maio de 1982 agradecer a Nossa Senhora de Fátima de quem era grande devoto, o ter salvo de um atentado na Praça de São Pedro no Vaticano no ano anterior. Conseguiu cumprir os três sonhos do seu Pontificado: o fim do Comunismo na Europa de Leste, ter estado na Terra Santa e entrar no terceiro Milénio. João Paulo II morre um mês antes de completar os oitenta e cinco anos vítima de uma paragem cardíaca, uma septicemia e uma infecção urinária.
Um Homem que marcou profundamente a História.
Descansa em paz, Karol Wojtyla!
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Os selos deste monarca foram desenhados por Francisco Borja de Freire, que também abriu os cunhos, e impressos um a um em folhas de vinte e quatro exemplares, dispostos regularmente e não denteados. O papel é liso, fino, médio e espesso. Foi este o último trabalho do artista, autor de todos os selos até aqui emitidos. De notar que este gravador de moedas, respeitou sempre a regra da numismática nos seus selos, de virar a efígie do monarca para o lado contrário ao do seu antecessor. Em qualquer catálogo de selos, podemos observar isso.
Foram utilizados dois cunhos de cinco reis castanho, para uma tiragem de 18 621 600 selos, um cunho com o de dez reis amarelo laranja para uma tiragem de 2 192 400 selos, sete cunhos, com o vinte cinco reis carmim rosa para uma tiragem de 32 833 200 selos, um cunho com cinquenta reis verde azul, para uma tiragem de 411 600 selos e um cunho com o cem reis lilás para uma tiragem de 451 200 selos.
Os cunhos de cinco reis, identificam-se pelo afastamento do “5” em relação a “reis” e os de vinte cinco reis identificam-se por diferenças no entrançado da burilagem.

(Baseado em selos de Portugal Álbum 1 (1853/1910) de Carlos Kulberg)

São estes os primeiros selos de D. Luiz I. Outras séries se seguirão, com novas taxas e novas cores. São extensas. Por isso, continuarei nos próximos artigos a falar da parte filatélica deste monarca e, no último artigo, a sua biografia.
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quarta-feira, 16 de julho de 2008



Emociona, mas sobra um olho
Por Gustavo do Carmo

Depois do sucesso do refrigerante levemente gaseificado H2OH!, a Ambev lançou mais uma novidade, o Guarah!, mesmo tipo de bebida só que com sabor do Guaraná Antarctica, que pertence ao grupo. Ele tem a inovação de ser um guaraná transparente, mas acaba entregando que não é um produto natural, pois seu sabor vem da fórmula do refrigerante tradicional.

De qualquer forma o fabricante encomendou à DM9DDB uma campanha leve como a bebida, mas forte na tarefa de consolidar a lembrança do produto. Seis meses depois, a equipe formada por Sérgio Valente, Rodolfo Sampaio e Julio Andery criou o conceito "o guaraná encontrou a sua cara-metade: de sua união com a água surgiu uma bebida refrescante, levemente gaseificada e sem açúcar". Após um grande desafio com a animação 3D, surgiu um comercial encantador, aproveitando o Dia dos Namorados, no qual uma frutinha de guaraná solitária perambula por programas românticos como um cinema drive-in que exibe um filme de amor, uma pista de dança e uma lagoa onde casais passeiam de pedalinho. Em todas os lugares a frutinha está triste. Na última ela não resiste e chora. No momento em que suas lágrimas caem na água, aparece o reflexo da garrafa PET cheia da bebida que se interessa pelo guaranázinho. É a partir daí que a frutinha se alegra.

Embalado pela canção “I Want to Know What Love Is” da banda Foreigner, um clássico dos anos 80, é possível sentir pena da solidão do guaraná, que ficou bem desenhado com os olhos simbolizados pela semente da fruta e a sobrancelha pela folhinha. O olhar triste lembra aqueles desenhos animados japoneses. A inspiração, claro, foi no mês dos namorados, em junho.

Mas eu notei dois leves defeitos. A fotografia do filme ficou um pouco embaçada. E embora os criadores tenham optado por um guaraná de dois olhos, acho que deveria ter apenas um, pois a impressão que se tem é de que ele não está realmente solitário O olho único deixaria mais claro o conceito de solidão.
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domingo, 13 de julho de 2008

Por Ed Santos

ESCREVER SOBRE EXTERMÍNIO. Era assim que tava escrito no bloco de notas. Com letras maiúsculas mesmo.
Numa palestra que assisti sobre intuição o palestrante disse: “Uma prática eficiente para exercitar a intuição é escrever. Anotar, rabiscar idéias. Esse é o primeiro passo para estimular o seu lado criativo”. Eu sempre procurei essa coisa de intuição, criatividade, etc. Queria ter domínio sobre isso tudo. Então, diferente das minhas outras decisões, assumi levar a sério esse ensinamento e aí adotei o bom e velho bloco de notas como companheiro.
Eu tenho o hábito de anotar tudo o que quero escrever, senão o insight, vai embora e depois tenho medo de não ter assunto. Graças a Deus tenho muita coisa anotada, e o que falta é tempo pra escrever sobre tudo que está guardado.
Essa manhã, após um banho refrescante, saquei da minha mala o arquivo de minhas anotações e o próximo assunto era “ESCREVER SOBRE O EXTERMÍNIO”. Mas aí pensei: “Extermínio de que?”. Não lembrava mais. Não sabia se era pra escrever sobre o fim da raça humana, sobre a extinção de algumas espécies da fauna ou da flora brasileira, ou se era sobre os judeus na Alemanha de Hitler. Agora danou-se! Do que falar? Resolvi falar então do extermínio do político mau caráter. Sim, eu queria banir do universo esse tipo de incômodo nacional. Queria me livrar, e não precisei fazer nenhum esforço pra escolher o tema.
Que bom se surgisse alguma organização ou um movimento pregando a extinção desses que se fazem de bonzinhos, e por trás da pele de carneiro escondem um lobo faminto. Se ao menos esses mamíferos (que se alimentam de leite, que mamam) da pátria fossem extintos, a vida não esperaria o futuro trazer a solução. Seria um sumiço providencial, hein?
Com relação à intuição e a criatividade, eu deveria ter escrito o nome do cara que deu a palestra. Acho que se tivesse anotado teria me lembrado. Preciso exterminar o verbo esquecer da minha vida.

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Espero que você leitor, extermine tudo de negativo em sua vida. Que você possa ter uma vida totalmente positiva. Se precisar, anote tudo num bloco de notas, e vá checando cada objetivo atingido. Eu espero que sejam muitos.
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sexta-feira, 11 de julho de 2008

Dona Candinha é tão jovem, que seus colegas da faculdade se esquecem que é uma senhora de noventa anos e falam tudo com ela.
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quinta-feira, 10 de julho de 2008




Do site da editora ( www.editoramultifoco.com.br )


Na última quarta-feira, dia 09/07, o Espaço Multifoco realizou o lançamento de "Indecisos - entre outros contos", de Gustavo do Carmo. Lançado pelo selo "Redondezas Contos", da Editora Multifoco, o livro é a segunda obra publicada do autor, e traz diversos contos que foram inspirados nas mais diversas situações cotidianas vivenciadas por Gustavo. O sucesso do lançamento foi enorme e a primeira impressão está praticamente esgotada.
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Antigamente, as pessoas que viviam ao longo do rio Mondego, nomeadamente em Coimbra, vinham rio abaixo até à foz onde existia um pequeno povoado de uma comunidade piscatória.
Quando perguntavam onde iam, as pessoas respondiam que vinham à foz do rio Mondego, onde existia uma figueira onde as pessoas atracavam os barcos.
Não se conhece bem a origem do nome do povoado. Mas tudo indica que "Figueira da Foz", venha da figueira que se encontrava na foz do rio Mondego.
O povoado foi crescendo em volta da sua igreja Matriz e tornou-se vila, pertencente à Diocese de Coimbra.
Com o seu desenvolvimento e o comércio do porto, em 1882, a vila da Figueira da Foz foi elevada a Cidade.
A sua praia é conhecida como a Rainha das Praias de Portugal.
Situada no Litoral Centro do País, a Figueira da Foz é um ponto turístico muito apreciado pelos portugueses e também pelos estrangeiros que nos visitam.
A gastronomia é muito diversificada, destacando as caldeiradas de peixe e marisco e doçaria conventual.
Em baixo, estão representadas duas fotografias actuais da cidade: a Foz do rio Mondego e a Praia da Claridade, como também é conhecida.
No mapa, a localização da Figueira da Foz.























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Um pequeno parêntesis na História do Selo Português, para falar de uma emissão comemorativa do Desembarque das tropas inglesas no Cabedelo na Figueira da Foz.

Portugal encontrava-se invadido desde Dezembro de 1807 pelas tropas de Napoleão. O povo estava à míngua, ameaçado e ultrajado. Por onde passavam os Franceses, era só rasto de destruição, incêndios, pilhagens. Tinham o país a seu bel-prazer. Portugal passou a ser uma colónia do Brasil, pois a Corte mudara-se para Terras de Vera Cruz ficando cinco pessoas a governar o país. Junot, encarregou-se de as destituir e tomar ele o governo de Portugal.
A Guerra Peninsular veio pôr termo à prosperidade do século XVIII. Declinaram-se as receitas, uma vez que o comércio interno e externo esteve paralisado.
Aquando desta primeira invasão francesa, o Reitor da Universidade de Coimbra, Manuel Pais de Aragão Trigoso, ao tomar conhecimento de que era indispensável a tomada do Forte de Santa Catarina, na Foz do Mondego à entrada da barra da Figueira – depósito de material de guerra de relativa importância e ponto estratégico considerável para estabelecimento de comunicações com a esquadra britânica que se avizinhava, encarregou Bernardo António Zagalo, sargento de artilharia e estudante da Universidade de Coimbra, dessa patriótica missão.
Académico Zagalo, como também era conhecido, forma em Coimbra um batalhão com quarenta voluntários, vinte cinco dos quais estudantes, que, sobre o seu comando, marcham no dia 25 de Junho de 1808, rumo à Figueira, com a missão de atacar de surpresa os franceses que ocupavam a então vila e o Forte de Santa Catarina. Pelo caminho, populares de Tentúgal, Carapinheira e outras terras do Baixo Mondego, foram engrossando o batalhão. Em Montemor-o-Velho, o pequeno batalhão contava já com três mil populares armados de piques, foices e lanças. Ouviam-se sinos entre clamorosas ovações. Ao romper da alvorada, este engrossado batalhão chega à Figueira da Foz.
Zagalo mandou atacar a vila por duas frentes.
Os soldados de Junot que passeavam pela vila, foram tomados de surpresa e foram constituídos prisioneiros.
Cercou-se o Forte. O plano de Zagalo consistia em fazer render os franceses pela fome, uma vez que se sabia que tinham poucos víveres. Dois dias depois, a 27 de Junho, rendiam-se, e a bandeira francesa foi substituída pela portuguesa.
Estão assim criadas as condições para o desembarque das tropas de Wellington no Cabedelo com um contingente de treze mil homens juntando-se no mesmo local aos portugueses para assim pôr termo à primeira invasão francesa derrotando Junot na batalha do Vimieiro em 17 de Agosto.
Pelo que lemos na imprensa Figueirense, o Senhor Coronel Américo Henriques, deu uma verdadeira lição de História no Salão Nobre da Câmara Municipal.
A dada altura da sua “aula”, refere que “tudo, tudo o povo sofreu. E depois durante a Revolução Liberal? O povo não acreditava no Liberalismo, porque confundia o Liberalismo com as Invasões Francesas! Os ideais da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que lhe queriam mostrar, eram os mesmos ideais que os franceses traziam na ponta das baionetas. E talvez por isso mesmo o povo português foi tremendamente, encarniçadamente Miguelista! Esta é a verdade dos factos. (…)”


Bibliografia: “Aspectos da Figueira da Foz de Maurício Pinto e Raimundo Esteves, 1945;

História de Portugal de A. H. de Oliveira Marques, 1980

Jornal “O Figueirense” nº 5567 de 4 de Julho de 2008




As imagens aqui apresentadas são de um postal emitido pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, representando de um lado o desembarque das tropas de Wellington na baía do Mondego. No verso, uma emissão de selos dos Duzentos Anos do Desembarque da Família Real no Brasil e carimbo comemorativo da efeméride.








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Nota: No próximo dia 19 de Julho, terá lugar no Salão Nobre da Câmara Municipal da Mealhada, a emissão do carimbo comemorativo das “4 Maravilhas da Mesa da Mealhada”. Nessa altura, será elaborado um artigo alusivo a esta efeméride.
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terça-feira, 8 de julho de 2008

Chegou a hora de vender o meu peixe.rs


Será lançado hoje, às 20hs, no Espaço Multifoco, na Av. Mem de Sá, 126 - Lapa, Rio de Janeiro - RJ, o livro Indecisos - Entre outros contos.

É o meu segundo livro e primeiro de contos. Representa a "adolescência" da minha escrita. A narrativa quase infantil da minha obra anterior deu lugar a doze contos totalmente fictícios, alguns até inverossímeis. Além do conto-título estão presentes os contos Os seios da minha namorada, Ele ainda vem, O garçom da churrascaria rodízio, O ancião que era virgem, Silêncio de família, Vou ou não vou, ... com muito orgulho!, Conversa boa, Esquecidos, Olhe pra mim e Casal Tanto Faz.

Quem estiver aqui no Rio e puder ir, ficarei muito feliz.



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domingo, 6 de julho de 2008

Por Ed Santos

Não queria sair naquela noite o Luciano. Recebeu um convite logo de manhã, mas não estava animado para reuniões sociais. O Tico tinha conseguido o telefone daquela morena e convenceu a moça para ir também. Pensou que iria animar o amigo pra ir num barzinho tomar alguma coisa, papear, e quem sabe algo mais interessante no fim da noite.

- Vâmo lá cara! Todo mundo vai pra lá. Aquela morena da semana passada confirmou também!
- Sei não cara. Num tô com vontade não.
- Cê que sabe! Acho que a noite vai ser bacana.
- Sei lá. Quem sabe eu mudo de idéia até o fim do dia.

E foi assim, o Luciano pensou no convite do amigo o dia inteiro, mas não conseguiu se decidir.
Nem a presença da morena interessante da outra noite, lhe animara.

Entrou na internet, num desses portais de notícia e navegou desinteressado. Chamou-lhe a atenção uma notícia sobre a nova lei que institui o não consumo de álcool antes de dirigir automóveis. “Fiz bem em não ir. Já pensou se tomo uma cervejinha e sou parado pela polícia na volta?”. O corretor resolve ir embora pra casa. Despede-se de todos no escritório e segue se rumo.

No outro dia ao chegar no escritório, como de costume, vai até a copa tomar um cafezinho, e enquanto queima os dedos no copo descartável, tem que atender ao celular. O Tico liga pra contar sobre a noite de ontem. Ele logo vai dizendo que a decisão do colega foi acertada. Foram, o Tico e a turma, inclusive a morena, ao bar onde sempre se reuniam. Umas cervejas e outras depois, resolveram ir embora. Como de costume, não abusam da bebida, pois sabem dos riscos no trânsito, e foram embora cedo, antes da meia-noite. No caminho, a surpresa. Uma blitz da polícia pra checar a quantas anda o nível de álcool dos boêmios. No caso, estavam sendo utilizados aparelhos descartáveis. Funciona assim, o abordado sopra dentro de um envelope de plástico até encher, depois encaixa um tubo com cristais amarelos de cromo, e aí então passa a esvaziá-lo. Se os cristais ficarem verdes até ultrapassar uma marca preta no tubo (o limite são 6 decigramas), o motorista que passar pelo teste, pode ser punido com prisão e multa.

Ora, o fato então passa a ser o tal bafômetro, e não o Luciano não ter ido ao bar com os amigos. “Que fim que deu, então? Você fez o teste?”. O Tico continua e revela que quando é chegada sua vez de soprar no envelope, os policiais percebem a falta de artefato. Não havia sobrado nenhum mais, pois eram todos descartáveis e já tinha sido utilizado todo o lote.

O Luciano deu risada da situação e falou ao amigo que até tinha decidido ir na última hora, e se bebesse iria voltar de taxi. Ou então quem sabe, tomar só suco, ou refrigerante. Mesmo assim, pelo visto garantiria o seu retorno pra casa sem problemas.

Tem coisa que não dá pra prever, nem quantas cervejas você vai tomar, nem se a polícia vai parar, e muito menos que não vai ter bafômetro pra todo mundo.
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sábado, 5 de julho de 2008

Por Gustavo do Carmo

Zulmira teve dois filhos e um casamento necrosado de trinta e cinco anos. Viveu aparentemente feliz durante a infância deles, Silvana e Geraldo. Talvez fosse para esconder o seu sofrimento conjugal. O ex-marido Aldair sempre foi e ainda é um ótimo pai para os filhos. Nunca faltou com carinho e amor.

Aldair também sempre foi um ótimo genro, cunhado, tio e primo para a família de Zulmira. Só não foi um bom marido. Não que ele agredisse a esposa, até porque isso ele nunca fez. Mas Aldair nunca deu atenção à mulher com quem foi casado por três décadas e meia. O casamento já nasceu praticamente morto. Morreu clinicamente já na lua-de-mel. Silvana e Geraldo nasceram de alguns suspiros.

Logo aos seis meses de casamento, Zulmira começou a desconfiar que o marido tinha uma amante. Aldair dava margem quando chegava em casa apenas no dia seguinte. Este dizia que estava trabalhando e que Zulmira era muito ciumenta. Mas ela tinha certeza que ele tinha outra. Durante quinze anos, a desconfiança era a mesma. Só mudava a fulana de acordo com a época. Por isso, Zulmira passou anos sofrendo em silêncio para passar uma imagem de felicidade para os filhos.

As crianças já desconfiavam. Costumavam flagrar a mãe chorando ou o pai dormindo na sala. Principalmente Silvana, a mais velha. Quando tinha quatorze anos, junto com Geraldo, três anos mais novo, redescobriu a fita cassete que gravaram quando eram bebês. Ouviram, junto com as suas primeiras palavras, a lamentação da mãe, discutindo com o pai. Zulmira dizia que a filha quando crescesse iria acompanhar a mãe em todos os lugares e seria a sua companheira em todas as horas.

A farsa acabou quando Geraldo completou quinze anos. Ficou sem chão. Não chorou nem reagiu com tranqüilidade. Zulmira e Silvana fizeram um escândalo. Zulmira achou um bilhete de amor e um barbante para medir o dedo da amante, sua melhor amiga e mãe dos amigos gêmeos de Geraldo. Passados alguns anos, todos se acostumaram com a traição de Aldair. Só não aceitaram a amante.

Silvana começou a namorar. Passou a dar mais atenção ao namorado do que à Zulmira. Depois Silvana se casou e foi morar em Petrópolis. Passou a visitar a mãe somente uma vez por mês. Dois anos depois, Aldair foi morar com a outra mulher. Finalmente o casamento acabou. Teve coragem de se divorciar.

Não fosse por Geraldo, ficaria sozinha. Passava todos os finais de semana suspirando de tanto reclamar do abandono da filha e do marido. Dizia ao filho mais novo que ele era o seu companheiro. Mas não deixava de recomendar que ele não se prendesse a mãe. Desempregado, solteiro e até um pouco preguiçoso, Geraldo acabou se tornando a única companhia da mãe. Zulmira acertou a profecia que fez quando Silvana ainda era um bebê que balbuciava as primeiras palavras. Só errou o filho.

Um dia, Geraldo finalmente arrumou uma namorada. Zulmira se desesperou. Ficaria totalmente sozinha. Mas não queria atrapalhar a felicidade do filho. Mais uma vez. Geraldo recusara uma oportunidade de emprego em Porto Alegre porque não queria deixar a mãe sozinha. Continuou morando com ela. Continuou desempregado.

Geraldo acabou arrumando emprego no Rio mesmo. E como publicitário, como sempre sonhou. Deixou de almoçar em casa, como sempre fazia. Dona Zulmira só não deixou de fazer comida porque o filho fazia questão de jantar em casa. Geraldo conheceu Graciane na agência.

Às vezes, Geraldo precisava trabalhar na sexta-feira à noite. Só chegava em casa no sábado de manhã. Zulmira suspirava: “Fiquei mesmo sozinha. Primeiro o Aldair. Depois a Silvana. Agora o Geraldo também”.

O trabalho realmente não podia esperar. Já Graciane, sim. Ela teve que se adaptar à preocupação de Geraldo com a mãe. Só saía com a namorada uma vez por mês. Não que ele quisesse fugir da irmã, mas aproveitava o dia de sua visita para não deixar a mãe sozinha. Graciane, com certeza, odiava. Nas demais semanas, o programa era em casa nas sextas-feiras. Aos sábados, chamava até o pai para fazer companhia à ex-mulher. Quando seu Aldair não podia, tentava uma amiga da mãe. Quando tinha que deixar a mãe sozinha, ligava de hora em hora. Graciane detestava.

Graciane adorava a sogra. Mas odiava a preocupação obsessiva de Geraldo com a mãe. Dona Zulmira adorava a nora. Mas ficava com ciúme quando o filho dava mais atenção à namorada. Disfarçava puxando conversa.

Um dia, Graciane perdeu a paciência e deu um ultimato a Geraldo. Ou ele parava de se preocupar em deixar a mãe sozinha ou ela terminava o namoro. Geraldo preferiu a mãe. Graciane terminou o namoro.

Passado um ano, reataram. Acabaram se casando. Mesmo assim, Geraldo não saiu de casa. Foi morar com a esposa... E a mãe, Dona Zulmira.

Geraldo nunca abandonou a mãe. Voltou a dar mais atenção a ela quando Graciane morreu atropelada, saindo apressada da casa do amante. Geraldo continuou sendo o companheiro de Dona Zulmira em todas as horas.
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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Por Ed Santos

Do Carmo nos deu um desafio, e eu resolvi ousar logo na primeira participação assumindo a responsabilidade de escrever sobre um mestre. No centenário da morte de Joaquim Maria Machado de Assis, seria até falta de respeito não lembrar da sua importante contribuição para a cultura brasileira.

Todos os veículos de comunicação e mídia, no entanto, estão fazendo suas homenagens ao escritor, o que torna essas poucas linhas supérfluas de certa forma, mas o que é bom nunca é demais, e o TudoCultural não poderia deixar de dar sua parcela de contribuição.

Considerado o maior escritor afro-brasileiro de todos os tempos, Machado de Assis foi um dos criadores da crônica no pais, além de ser um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Foi muito além das expectativas, uma vez que além de negro, era pobre, órfão de mãe, epilético e gago. Ainda em sua juventude aprendeu alemão, francês e inglês, sempre como autodidata, e teve destaque com a tradução do poema O Corvo, de Edgar Allan Poe. Em 1855, aos quinze anos, publica seu primeiro poema “Ela”. Em 1864 publica seu primeiro livro de poemas Crisálidas, e daí em diante teve ascensão na vida literária, passando do romantismo ao realismo sem perder sua veia criativa.

Sua obra hoje influencia o teatro, a televisão e o cinema, além de novos autores, e não seria novidade nenhuma se eu dissesse que ele tornou-se um gênio da literatura reconhecido no mundo inteiro.

Não imaginava Machado de Assis, que as palavras do discurso de fundação da Academia Brasileira de Letras, fossem transformar sua intenção numa importante realidade:
“Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles os transmitam também aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira. Está aberta a sessão.”

Pelo visto, a sessão ainda não acabou.
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quarta-feira, 2 de julho de 2008


Comparação Inevitável
Por Gustavo do Carmo


Começo esta resenha fazendo uma correção. Em fevereiro, quando dei aqui a minissérie da Rede Globo Queridos Amigos como a Dica da Segunda, disse que a produção foi baseada no livro Aos Meus Amigos, da mesma autora Maria Adelaide Amaral. Errei. Na verdade, a minissérie foi apenas inspirada na história do livro. E que inspiração!

A adaptação foi totalmente diferente. Bem melhor. Mais dinâmica. Não quero julgar o trabalho da novelista, mas ela parece ter reconhecido que a roteirização (sugerida às pressas depois do cancelamento de uma produção épica que teria o mesmo ator Dan Stulbach) merecia mais ação. Do livro escrito em 1992 e relançado este ano por causa da minissérie, foram usadas a época (o ano de 1989, que marcou a redemocratização definitiva do Brasil e a queda do comunismo), a maioria das personagens e poucas cenas, é verdade. No entanto, é maioria porque não foram todos. A Globo não utilizou os personagens Adonis e Caio Senise. Este último foi condensado no anti-social Benny, interpretado por Guilherme Webber. Já Ucha, antiga namorada do protagonista, de loura, coroa e de descendência dinamarquesa, virou uma jovem morena e brasileiríssima do nordeste, chamada Karina. Só a beleza e a decadente carreira de modelo permaneceram praticamente as mesmas.

A primeira diferença da minissérie para o livro é o mote da trama. Neste, o suicídio do protagonista Leo reúne todos os seus amigos para o seu velório e cremação. E a ação fica quase toda concentrada neste ritual. As histórias e vivências das personagens são contadas pelo narrador em forma de pensamentos. Algumas foram encenadas com mais destaque na produção televisiva que também inventou outras. Esta transformou o suicídio de Leo em um almoço de reencontro. Leo descobria que estava com uma grave doença e pediu para reunir todos os seus amigos durante um fim-de-semana em sua casa. Esses amigos, para ele, eram uma família. Mas a união praticamente já não existia, e acabou expondo rusgas e traumas do passado entre os coadjuvantes. Um dia depois, Leo desaparecia em um acidente de carro, simulando um suicídio (no livro ele se jogou pela janela do seu apartamento) para reaparecer, aos poucos, nos momentos mais difíceis de seus queridos amigos. Ao contrário da obra escrita, em que o protagonista tinha um caráter deprimido e pessimista, visto com mágoas e pena pelos amigos. Na televisão, sua verdadeira morte, ocorrida no final, foi natural e poética.

Confesso que li o livro pensando na minissérie e esta visão pode ter me viciado na leitura. Mas terminei de ler um mês depois do encerramento de Queridos Amigos e já tinha me livrado das referências visuais. Independente disso, os diálogos rápidos e curtos do início davam a impressão de que teríamos um texto leve, de leitura agradável e com muitas ações. Porém, a narrativa permaneceu densa demais, com conversas demasiadamente factuais e melosamente românticas e idealistas, repetidos em excesso, principalmente pelo trio Lena, Ivan e Tito. O diferente perfil dos personagens, o segundo tema central e a outra única ação que ocorre na história não vou contar nesta resenha porque é tornar Aos meus amigos ainda mais desinteressante.

SOBRE O LIVRO

Aos meus amigos
Maria Adelaide Amaral
Editora Globo
1992 com reedições em 2002 e 2008
Formato (a x l): 21x14 cm
336 páginas
Preço sugerido: R$ 23,00
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terça-feira, 1 de julho de 2008


Foi na segunda-feira, ainda estava acamado, mas a febre e as dores no corpo todo haviam passado. Estava mais era fingindo para não ir à escola. Então ela entrou no quarto quase às escuras, cuidando para não fazer barulho, parecendo procurar algo. Ele fingiu que dormia, mas a observava entre-pestanas. Ela revirou alguns objetos, e quando se preparava para sair:
- Que tá procurando Ivone?
- Hi, acordei você! Desculpa.
- Já tava acordado.
- Ainda bem. Sabe aquela revistinha que você me mostrou?
- A de sacanagem?
- Deixa disso, menino, que teu pai não saiba. Esquece o que falei, vai.
- Mas foi ele que me deu.
- Não acredito.
- Pergunta pra ele.
- Mesmo? Eu, hein? Não quero que ele saiba que eu sei.
- Que que tem?
- Sei lá, empregada vendo essas coisas com um menino.
- Menino? Já tenho quatorze. Gostou daquelas fotos, né, malandrinha?
- Sei lá. De algumas. Das outras não. Muito indecentes. Nossa! Mesmo na minha idade nunca vi coisa assim.
- Já fez igual àquelas que cê gostou?
- Eu não, só!... Pensei, só.
- Em fazer?
- Que é isso menino? Eu não, uma colega do prédio queria ver.
- Vem cá Ivone. Olha só como este papo tá me deixando.
- Nossa, menino! Que é isso? Se cobre. Todo nu aí com febre e gripe, sem coberta!
- Me cobre você, Ivone.
- Pode deixar. Mas. Nossa, como está grande isso ai.
- E duro. Mexe nele pra você ver.
- Eu não! Vai! Bota as pernas pra dentro das cobertas. Deix’eu arrumar essa cama. Solta minha mão, menino. Que é isso? Nossa. Não é mesmo que tá bem duro. E quentinho.
- Mexe nele Ivone. Punheta ele pra mim, vai.
- Eu não! Onde já se viu? Deixa eu te cobrir direito... Hum... assim que se faz?
- Dá uma cuspidela para ficar mais gostoso.
- Eu não!... Assim? Xi! Errei!
- Poe a boca mais perto.
- Eu não!
- Agora dá um beijinho nele.
- Eu não!... Pronto, já dei.
- Lambe ele, Ivone, bota na boca.
- Eu não!... Hum. Assim?
- Isso, Ivone. Não sai daí. Não tira, chupa, chupa. Mais um pouquinho. Gostoso. Vou gozar, Ivone. Caralho! Não pára agora! Aaah!
- Acabou? Posso te cobrir agora? Pronto. Menino assanhado. As coisas que faz a gente fazer.
- Adorei Ivone. Você tem que aprender bastante, mas tá no caminho. Eu vou te ensinar mais coisas gostosas depois. Quer?
- Eu não! Olha aqui. Que ninguém saiba dessas indecências que você me obrigou a fazer, ouviu?
Depois dela limpar o chão com o pano que trazia no bolso do uniforme e sair do quarto, ele, de sorriso largo, deu uma cochilada.
No corredor, Ivone murmura:
- Me ensinar? Moleque babaca. Isto é apenas o começo. Vou te viciar de mim. O outro já tá.
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