quinta-feira, 26 de junho de 2008

D. Pedro V

Entre 1855 e 1856, circularam em Portugal, selos de D. Pedro V, cabelos lisos – impressão em relevo. Foram impressos um a um, dispostos irregularmente em folhas de vinte e quatro exemplares não denteado, utilizando papel liso mas de várias espessuras – fino, médio e espesso.
O cunho destes selos foi também desenhado por Francisco Borja Freire, o mesmo autor dos cunhos de D. Maria II.
Esta emissão só circulou catorze meses, embora tenham sido feitos vários cunhos para cada selo.
1956 – 1958 – Ao que parece, não para retratar o soberano com cabelos anelados, mas sim, para rectificar o seu penteado, que indevidamente apareceu na emissão anterior, com risco posto à direita, foram postos em circulação novos selos, após a aclamação do monarca.
Foram também impressos um a um, e dispostos irregularmente em folhas de vinte e quatro exemplares não denteados. Utilizou-se papel liso, fino, médio e espesso com cunhos de burilagem simples, dupla e quatro cunhos para os selos de 25 reis rosa. Foram reimpressos em 1864, 1885 e 1905.


Baseado num texto de Carlos Kullberg “Selos de Portugal vol. 1 (1853/1910)”




D. Pedro V “O Esperançoso”, 30º rei de Portugal, nasceu em Lisboa no real Paço das Necessidades a 16 de Setembro de 1837, onde também faleceu a 11 de Novembro de 1861. Era Filho de D. Maria II e de seu marido D. Fernando. Chamava-se D. Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio.
Educado primorosamente, assim como os seus irmãos, pelos melhores professores de Lisboa, e principalmente por sua mãe, que teve sempre a justíssima reputação de boa educadora, revelou desde muito novo, as qualidades que o ornavam, a sua notável inteligência, a sua tendência para um perseverante estudo e as mais nobres e mais elevadas qualidades de espírito e de coração. Foi jurado e reconhecido príncipe real e herdeiro da coroa pelas cortes gerais de 26 de Janeiro de 1838.
Após a morte de sua mãe, ficou seu pai como regente até que D. Pedro atingisse a maioridade para poder governar os destinos de Portugal. Empreendeu com seu irmão D. Luís, uma viagem de instrução e recreio pela Europa.
A bordo do Mindelo, partiram de Lisboa rumo a Londres, passando pela Bélgica, Holanda, Prússia, Áustria, França e Saxe-Coburgo-Gotha, voltando a Londres, donde regressaram a Lisboa.
Completados os 18 anos a 16 de Setembro, prestou juramento em sessão solene nas cortes. Grandes festas foram realizadas em Lisboa para solenizar o novo rei que grandes infortúnios começaram desde logo a assinalar o seu reinado.
A cólera, a febre-amarela que fizeram várias vítimas, assolaram a capital. D. Pedro, apesar dos conselhos dos seus homens mais chegados, não se inibiu de ir aos hospitais visitar os enfermos e sentar-se mesmo ao pé deles. Foi por isso adorado pelo povo que lhe chamou o rei santo.
Em 1858, casou com a princesa de Hohenzollern-Sigmaringen, D. Estefânia Josefina Frederica Guilhermina Antónia, segunda filha do príncipe soberano do
Hohenzollern-Sigmaringen, Carlos António Joaquim e de sua mulher D. Josefina Frederica. O carácter da jovem rainha, estava em harmonia com D. Pedro V.
Passeavam-se pelas serras de braço dado, bem como pela cidade o que incutia no povo um sinal de amor no casamento do seu rei e amor no trono.
Em1858, D. Pedro funda em Lisboa os altos estudos literários que não existiam em Portugal, e que depois da morte dele pouco desenvolvimento tiveram. Em 1859, morre sua esposa. Ficou destroçado. Mas mesmo com tão grande desgosto, escreveu vários estudos filosóficos, dedica-se à esgrima, música, tocando muito bem piano, bom atirador e exímio desenhador. Fazia caricaturas com grande facilidade. visitava frequentemente Alexandre Herculano que, a propósito deste, escreveu Bolhão Pato: “Foi a primeira vez que vi Alexandre Herculano chorar como uma criança” (Memórias II) aquando da morte de D. Pedro V.

(Baseado em www.arqnet.pt/dicionario/pedrov.html)





D. Pedro Cabelos Lisos D. Pedro Cabelos Anelados

Um comentário:

MiguelAngel disse...

O que sempre digo: selos (e a filatelia)são guias que nos levam pelos caminhos da história - e da geografia!
Obrigado, João, pelos fragmentos escolhidos para nós!

Arquivo do blog