domingo, 11 de maio de 2008

Soneto do mês de Maio

Por Ed Santos - em homenagem ao dia das mães.

Se eu pudesse, você não ficaria todo aquele tempo me paparicando, me beijando sem parar e me abraçando quando eu nasci. Se eu pudesse, eu ficaria dentro da sua barriga pra sempre. Aquilo sim é que era abraço.

Se eu pudesse, você não ficaria preocupada quanto tive febre pela primeira vez. Se eu pudesse, eu ficaria lá na sua barriga. Lá sim era quentinho.

Se eu pudesse, você não ficaria nervosa a me ver recusar aquele delicioso frango com quiabo, e aquela salada de beterraba divina que você fazia pro almoço. Se eu pudesse, eu seria embalado eternamente em seus braços, como quando você me amamentava.

Se eu pudesse, você não choraria ao me deixar no portão do colégio no meu primeiro dia de aula. Se eu pudesse, terminaria todo meu aprendizado sentado no tapete da sala, enquanto você me ensinava a montar um quebra-cabeça. Quer escola melhor que essa?

Se eu pudesse, você dormiria cedo e não me esperaria chegar da faculdade, muito menos acordaria antes de mim, pra preparar o café da manhã, antes de eu sair pra trabalhar. Se eu pudesse, eu te daria um beijo de boa noite, e outro de bom dia, sem que você ao menos acordasse.

Se eu pudesse, você não teria feito nada. Se eu pudesse, eu teria feito tudo. De novo.

Você não teria ido embora.
Eu não teria ficado triste.
Você não perderia a vida.
Eu não perderia a mãe.

Se eu pudesse, você estaria aqui. Se eu pudesse, eu choraria de novo no teu colo. Que falta ele faz!

Se eu pudesse, tudo transcorreria normalmente como manda a natureza:
Quando a gente é criança, a mãe é mãe.
Quando a gente é jovem, a mãe é amiga.
Quando a gente amadurece a mãe vira filho.

Se eu pudesse, não teria amadurecido.

3 comentários:

Gustavo do Carmo disse...

Belo texto. Parabéns a sua mãe e a todas as mães dos poucos leitores deste blog.

Guiomar disse...

Emocionante...o importante é o carinho e as boas recordações que ficaram...né?
Parabéns

MiguelAngel disse...

"Se eu pudesse, não teria amadurecido".
Mas existem ternuras que nem a morte, nem a maturidade torna menores...

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