quinta-feira, 22 de maio de 2008

O Selo: Notas técnicas



Pequeno e frágil rectângulo de papel, impresso de um lado e gomado do outro, o papel é feito a partir de uma pasta branqueada de fibras vegetais, que se espalham em camadas finas e regulares sobre uma rede. Depois de solidificar, é tratado e reduzido às dimensões desejadas. Incorporam-se na pasta fios de seda, estes, não sendo dissolvidos nem branqueados, aparecem distintamente no papel acabado.
Papel pontinhado Papel estriado






Textura. Se a rede onde é depositada a pasta for uniformemente entrelaçada, não deixa marcas e obtém-se um papel “não texturado”. Se, pelo contrário, é constituída por fios regularmente dispostos, o desenho formado por estes transmite-se à pasta, ficando o papel “texturado”. Do mesmo modo passam à pasta as configurações de peças que se incorporem na rede, conseguindo-se assim o P apel pontinhado papel filigranado.
Nos nossos selos usaram-se dois tipos de papel texturado: o avergoado ou estriado que, quando vistos contra a luz, mostra uma pauta de linhas paralelas e pontinhado em losangos, com linhas cruzadas formando losangos regulares. Todos os restantes são texturados.
Acabamentos. Conforme o fim a que se destina, podem dar-se vários tipos de acabamento ao papel. Um dos mais sofisticados consiste em revesti-lo de uma camada de gesso obtendo-se o chamado papel porcelana, cuja superfície brilhante permite uma impressão nítida. Tocado por uma ponta de prata, fica marcado de negro.
Cunho – Designa-se por cunho a peça geralmente gravada, que se destina à impressão de um selo.
Para os selos de relevo do Continente, de elevada tiragem, foi necessário abrir mais do que um cunho da mesma taxa. As diferenças entre esses cunhos, reconhecidas nos selos por eles impressos, revestem-se da maior importância para os coleccionadores, aos quais se abre por esta via, vastíssimo campo para estudo, especialização das suas colecções, muitas das vezes pela aquisição apenas de exemplares a preços reduzidos.
Goma – Têm-se usado várias quantidades de goma nos selos de Portugal e ex- Colónias. A actual fobia que se está a verificar por parte de certos coleccionadores em adquirir selos novos sem charneira, têm feito aparecer no mercado inúmeras séries melhor ou pior regomadas. Recomenda-se por isso, o maior cuidado na verificação das características da cola de cada selo, nomeadamente a sua cor, espessura, uniformidades, estalados naturais, etc.
Denteado – Os denteados mais correntes, são de três tipos; de linha, de pente ou de grade. Os de linha são feitos por ferramenta constituída por uma única fiada de cortante – linha – que vai picotando uma a uma, todas as linhas e colunas de selos que constituem a folha, deixando cortados irregularmente os cantos de cada selo. Isto não acontece com os outros dois tipos, em que os quatro cantos ficam sempre cortados de maneira idêntica. Com efeito, a ferramenta de pente tem, para além de uma fiada de cortantes, um conjunto de outras dispostas perpendicularmente - pente – que perfuram uma carreira de selos em três dos seus lados. Descendo sucessivamente de carreira em carreira, fica toda a folha picotada. A ferramenta mais completa é constituída por uma quadrícula de cortantes – grade – que numa só descida perfura toda a folha.
Estabeleceu-se internacionalmente que a medida de um denteado se exprime pelo número de dentes existentes num comprimento de dois centímetros. Assim, quando se diz que o denteado de um selo é 12, é porque tem 12 dentes por cada 2 cm de comprimento. Assim, D. 12, indica que o selo tem a medida igual nos quatro lados. D. 12 x 11 ½ , o selo é denteado 12 no topo e na base e 11 ½ em ambos os lados. D. 12 a 14, os selos têm várias medidas de denteado compreendidas entre 12 e 14.

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