segunda-feira, 31 de março de 2008


Texto: Gustavo do Carmo e Divulgação

Depois de ser assistido por 75 mil espectadores em São Paulo, finalmente chega ao Rio (onde foram até espalhados cartazes divulgando a temporada paulista no Tom Brasil) o espetáculo musical Os Produtores.

Escrito originalmente por Mel Brooks, Os Produtores estreou primeiro no cinema (com o nome de Primavera para Hitler), com direção e atuação do próprio autor em 1968. A história só chegou a Broadway, capital dos grandes musicais, em 2002. O sucesso foi tão grande que ganhou uma nova adaptação cinematográfica, três anos depois, estrelada por Nathan Lane, Matthew Brodderick e Uma Thuman.

A montagem brasileira foi adaptada e é dirigida por Miguel Falabella, que interpreta o produtor decadente Max Bialystock. Depois de amargar mais um fracasso, ele contrata o tímido contador Leo Bloom (Vladimir Brichta). Sem querer, Leo descobre que um produtor pode ganhar mais dinheiro com um fracasso do que com um sucesso. “Você pode juntar um milhão de dólares de investidores, gastar cem mil e guardar o resto!”. A idéia faz brilharem os olhos de Max, que convence o até então honesto contador a se associar a ele.

A dupla então se dedica a encontrar a pior obra jamais escrita, conseguir o mais desastroso diretor de teatro e produzir o maior fracasso da história. A eles junta-se Ulla (Juliana Paes), uma dançarina sueca que conquista seu espaço com algum talento e belas pernas. No entanto, nem tudo sai como planejado: a obra resulta num estrondoso sucesso, o golpe é descoberto e ambos são presos. Mas o que parece o fim acaba virando um novo começo. Após saírem da prisão, Max e Leo voltam à Broadway com o musical “Prisioneiros do Amor”. Desta vez, porém, a idéia é fazer sucesso e a peça é um recomeço para os dois.

Os Produtores estréia nesta quinta-feira (dia 03/04) no Vivo Rio, a casa de espetáculos localizada no anexo do Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo. A temporada carioca vai até o dia 01 de junho.


SOBRE O ESPETÁCULO:

Título original: The Producers
Autores do original: Mel Brooks e Thomas Meehan
Autor e diretor da versão brasileira: Miguel Falabella
Produtor nacional: Sandro Chaim
Realização: Chaim Produções
Gênero: Musical
Duração: 150 minutos (com intervalo)
Censura: 12 anos

Horários, preços e mais informações no site do Vivo Rio

0

sábado, 29 de março de 2008


Por Gustavo do Carmo


O Tudo Cultural tem o prazer de inaugurar o seu tão desejado espaço para entrevistas. Por enquanto elas serão esporádicas. O projeto é torná-las mensais, publicadas no último domingo de cada mês.

A nossa primeira entrevistada é a radialista e jornalista (registrada nos dois sindicatos) Celamar Maione, cujos contos (há quem os considere como crônicas) são publicados todas as segundas-feiras no espaço Literário do site Comunique-se (infelizmente, só para cadastrados). Seu estilo lembra tanto um famoso dramaturgo que ela já foi chamada de "Nelson Rodrigues de saias". Eu gostaria de chamá-la de também de escritora, mas Celamar ainda não se considera uma, o que, para ela, só acontecerá quando publicar seu livro.

Fale da Celamar radialista e da Celamar escritora.
Fiz Comunicação Social na FACHA e Letras na Estácio. Letras não terminei. Comecei estagiando na Rádio Tupi e fui contratada como produtora executiva. Em seguida, fui para a Rádio Globo e fiquei um ano, também como produtora. Logo depois trabalhei na Rádio Tropical como repórter, cobrindo escolas de samba. Retornei para a Tupi onde fiquei seis anos. Voltei para a Tropical. Trabalhei também na FM O DIA como Produtora e Redatora. Novamente Tupi. Saí. Dei aula de Telemarketing. Voltei para a Tupi. E depois Nova Brasil Fm, onde fiquei pouco tempo. Fiz reportagens de carnaval na Tropical e na Tupi. Meu último carnaval foi em 2006. (...) Escritora, eu ? É uma honra ser chamada de escritora. Só me considerarei escritora quando tiver um livro. Sou uma jornalista que ama literatura.

O que te motivou a escrever as suas crônicas e poesias?
Poesia eu escrevo desde adolescente. Sou péssima poeta (nem me fale), escrevo para me distrair. Já as crônicas, durante seis anos escrevi para a Rádio Tupi AM histórias policiais , reescrevia cartas dos ouvintes desabafando, além de cartas de amor e até histórias de terror. Sempre tive boa imaginação. Crio histórias, primeiro, na minha cabeça. Até de madrugada, durante minhas insônias. Quando sento na frente de um computador, já sei o que escrever. Não saberia ficar olhando para uma tela vazia, imaginando como começar. Escrevi crônicas porque era meu trabalho na rádio. Se não fosse por isso, talvez não escrevesse. Eu tenho que ter um motivo para escrever. Caso contrário, escrever pra quê?

A vontade de ser escritora começou em que fase da sua vida?
Não pensei em me tornar escritora um dia. Penso agora. É difícil ser escritor no Brasil. Aliás, é difícil ser qualquer coisa ligada a cultura. Uma pesquisa encomendada pelo Sistema Fecomércio - RJ mostrou que 55 por cento dos brasileiros não foram ao cinema, ao teatro, a exposições ou leram livros no ano passado. (Revista O GLOBO DE DOMINGO - dia 23) É desanimador, não acha? No Rio de Janeiro até o mosquito da dengue ganha mais notoriedade do que escritor. É a grande estrela do momento. Até a bunda, preferência nacional, perde pro aedes.

Por que você resolveu escrever. O que te move? (Pergunta da colaboradora Rachel Souza)
Tenho imaginação fértil. Escrever é dom. Preferia ter facilidade para a matemática. A matemática é pragmática. O mundo é dos racionais. O ideal é mesclar imaginação, criatividade e razão. Até para amar temos que ser racionais. Confesso, porém, que ás vezes, dou uma de Cazuza, sou meio exagerada.

Como o jornalismo influenciou no seu modo de escrever literatura? (Pergunta do colaborador Dudu Oliva)
Gosto de falar de crimes e obsessões. O lado negativo do ser humano é uma fonte rica para a literatura.


As suas crônicas de segunda-feira no Comunique-se lembram os contos do Nélson Rodrigues. Perguntar se ele te inspirou é redundância. Mas você já se inspirou em outro escritor?
A minha maior inspiração é o ser humano, suas paixões, mazelas, taras e obsessões. Temas preferidos também pelo Nelson Rodrigues. Gosto dele desde os onze anos de idade. Aprendi a gostar de ler com ele. Impossível não sofrer influência. A dor o tornou um grande escritor.

Além de Nelson Rodriges, qual o autor que você gosta de ler? (Pergunta do Dudu)
Machado de Assis. Li todos os livros dele. Ele escreve sobre loucura, ciúme e paixão de maneira primorosa. Três temas que me fascinam. Capitu não traiu Bentinho (risos). Gosto muito do Rubem Fonseca também. Narrativa rápida. Irônico. Surpreendente. Quando estou triste Machado, Rubem e Nelson são melhores do que analista. Eça de Queiroz também é ótimo. Leio outros escritores, também, claro. Ler enriquece.

Como você prepara os seus textos para o Comunique-se?
Toda semana mando um ou dois textos para o editor do Literário, Pedro Bondaczuk. Ele é o responsável pela escolha. O Pedro tem todos os meus textos. Ele conhece meus pontos fortes e fracos. Ele foi o meu maior incentivador , quando me convidou para ser colunista fixa no Literário. Se não fosse pelo Pedro, talvez não estivesse escrevendo. Escreveria pra quê? Pra deixar na gaveta? Escrevo porque tenho um incentivo para escrever. Se eu deixar de escrever, vou sentir falta, mas não morro. Escrevo para ser lida. Elogiada. Para levar porrada. É o que me motiva.

Como você concilia o seu tempo de radialista, escritora e mulher?
Sempre separei meu lado profissional do lado pessoal.

Você ainda trabalha na Nova Brasil FM? Como os seus colegas e o patrão avaliam o seu talento de escritora? E as rádios onde você trabalhou?
Não estou mais na Nova Brasil. Na Tupi, quando eu escrevia as crônicas policiais, me chamavam de Nelson Rodrigues de saia, eu achava engraçado. Dia 27 de março (quinta-feira), o Pedro Bondaczuk escreveu uma crônica sobre os dois anos do canal literário no Portal Comunique-se, e falando sobre as caraterísticas de cada colunista fixo, disse que eu era o "Nelson Rodrigues de saia". Porém, ele mesmo fez questão de frisar, que tenho estilo próprio. É uma honra ser comparada ao Nelson, mas não gostaria que achassem que o imito.

Uma vez você me disse que o seu sonho era escrever para algum jornal. Algum já fez o convite?

Rádio é microfone. Sou repórter. Gosto de falar. E como falo ! Sou extrovertida. Diferente dos escritores, né? Geralmente escritor é fechado e calado, não sou nada disso. É incrível, gosto mais de escrever do que de falar. E por quê? Simples. Escrever é um ato solitário. Tranquilo. Egoísta. Você se expõe menos. Se conhece mais. A frase não é nova, mas cabe aqui: “Escrever é um grande exercício de humildade”. De mergulho no desconhecido. De crescimento. Nunca recebi convite de jornal.

Quando teremos a antologia de contos Celamar Maione? (risos)
Quando alguma editora se interessar pelo que eu escrevo. Já conquistei alguns leitores no Literário. É plantar e esperar. A vida é um grande exercício de paciência.

Você também me disse que não era muito fã dos blogs. Mas agora tem três. O que te convenceu a entrar no mercado dos blogueiros? E como eles vão de acesso?
Mudo de idéia sem problema. Sou geminiana (risos). Ainda bem que mudo de idéia. Imagina pensar a vida toda a mesma coisa? Que tédio! Blog é uma praga, né ? Mas não divulgo meus contos nos blogs. O que aconteceu é que eu tinha um site MULHERES DESESPERADAS. A proposta era escrever sobre o desencontro amoroso de maneira bem humorada. Eu escrevia e uma amiga de São Paulo era encarregada de mexer no site. Ela desistiu. O site ficou parado. Resolvi pegar os textos e aproveitar nos blogs. Daí saiu http://www.desabafodoscuecas.blogspot.com/ , http://www.desabafodascalcinhas.blogspot.com%20/, http://www.figurasdocotidiano.blogspot.com%20/. É só distração. Sabia que o site ia bem? Foi citado na Revista Época e no Jornal HOJE EM DIA, de Minas Gerais. Não são três, são quatro blogs. Tem também o http://www.celamarmaione.blogspot.com%20/, onde coloquei as poesias. Já que elas existem, resolvi deixar lá. Arquivar. Poesia é hobby. O acesso é ruim. Acho que só eu acesso . Não faço propaganda. Não atualizo sempre. É um brinquedo. Só faço propaganda dele no orkut. Quem sabe agora , se alguém aguentar ler a entrevista , se interessa em ir até os blogs ? (risos)

Como você vê o mercado para os novos escritores?
Apesar dos vários lançamentos, a resposta ainda é ruim. Deveríamos ter propagandas incentivando a leitura. A propaganda ainda é a alma do negócio. Ler torna o homem mais questionador. Menos bruto. O problema é que o Brasil não investe nem em educação e saúde, vai investir em livro ? Em cultura? Diante do quadro de descaso com a arte e a cultura, temos que aplaudir o Comunique-se, um Portal dirigido as pessoas ligadas a área da Comunicação, que abriu espaço para a Literatura, através do Canal Literário.

Você já teve vontade de surtar? De largar tudo e tentar outras possibilidades? (Pergunta da Rachel)
Se você chama de surtar, largar tudo e tentar outras possibilidades, já surtei várias vezes. Larguei muita coisa que um dia considerei importante e que deixou de ser importante. Viver é mudar. A vida é transitória. Agora estou em surto. Tento nova possibilidade.

2

sexta-feira, 28 de março de 2008


– OI, GATA. SEU NOME?

– Psiquê.

– Diferente...

– Mamãe era obsessiva por mitologia grega.

– Ela é culta, né?

– Era, morreu num incêndio. Pobrezinha, dizia que minha beleza fazia seu coração acelerar.

***
http://dudv-descarrego.blogspot.com/
0

quarta-feira, 26 de março de 2008



Quase no caminho certoPor Gustavo do Carmo

Depois das duas últimas bobagens nas campanhas Zeca-Feira e Zeca-Hora, que exploravam com humor(?) a imagem do sambista Zeca Pagodinho, a Brahma voltou a falar sério com o novo mote Brahmeiros.

Criada pela Africa, o filme original tem duração de 60 segundos e foi dirigido por Andrucha Waddington. É o maior investimento da marca nos últimos 14 meses.

As piadas sem sentido (ou com sentido apenas para quem tem costume de beber) deram lugar a um filme sério, com imagens de trabalhadores pegando no batente ao amanhecer (como engenheiros, padeiros e pescadores) e indo para o bar beber a sua Brahma depois do expediente. Tudo cantado pelo próprio Zeca, estrela dos outros comerciais, que, desta vez, aparece apenas no final, de forma discreta. O refrão "Eu sou Brahmeiro, amor / Eu sou Brahmeiro / Sou do batente, sou da luta, sou guerreiro, eu sou brasileiro" emociona e o conjunto da letra do jingle composto por Nizan Guanaes mostra que ele apostou no consumo moderado. Quase acertou o caminho de como uma propaganda de cerveja deve ser.

Quase. Porque nem todo brasileiro bebe cerveja todos os dias depois do trabalho. É o único defeito deste comercial muito bem produzido. Contudo, representa um grande avanço na divulgação de um segmento (como também tem feito a concorrente Nova Schin, que um dia fez Zeca trair a sua marca favorita) que costuma apelar para a sensualidade.


FICHA TÉCNICA:

Titulo: Brahmeiro
Duração: 60'' (com versão de 30'')
Anunciante: Brahma
Agência: Africa
Criação: Nizan Guanaes / Sérgio Gordilho / Carlos Alexandre Fonseca / Eduardo Martins
Diretor de Criação: Nizan Guanaes / Sérgio Gordilho / Carlos Alexandre Fonseca / Eduardo Martins
Produção/agência: Daniela Andrade / Chico Oliveira / Cacilda Oliveira
Atendimento: Marcio Santoro / Eduardo Simon
Produtora/filme: Conspiração Filmes
Direção/filme: Andrucha Waddington
Direção/fotografia: Ricardo Della Rosa
Produção/filme: Tim Maia
Atendimento: Luciana Mattar
Montagem / Edição: Paulo de Barros
Finalização/ Pós Produção: Melissa Flores
Produtora/som: Friends Áudio
Cantor: Zeca Pagodinho
Aprovação/cliente: Bruno Cosentino e Fabiana Anauate
1

Por Gustavo do Carmo



Texto publicado em 5 de dezembro de 2005


Achei lindo o novo comercial de TV da Gol Linhas Aéreas. No filme, um passarinho mandarim viaja como um passageiro comum em um ônibus rodoviário ao som de A Dois Passos Do Paraíso, de Evandro Mesquita e Ricardo Barreto. A propaganda foi muito inteligente com detalhe no passarinho pulando as escadas do ônibus e no seu close vendo a paisagem exatamente no momento em que a música fala "eu fico aqui sonhando". Ao final do filme, o pássaro cambaleia como se estivesse cansado da viagem. Entretanto, esta cena foi cortada na versão curta já em exibição, privando o telespectador de entender melhor a proposta do filme. É então que o locutor pergunta "Para que viajar de outro jeito se você pode voar?, anunciando uma concorrência direta com as empresas de ônibus interestaduais. O anúncio é da AlmapBBDO e os responsáveis foram Dulcídio Caldeira e César Finamori na criação, com Marcello Serpa, Cássio Zanatta e Giba Lages na direção de criação. A produção foi da Repúblika Filmes com direção de Carlos Manga Junior.

O filme lembra um outro comercial de sucesso do final dos anos 80: o da linha de som da Philco-Hitachi em que um homem ouve uma música, mas ao ter a sua diversão interrompida pelo toque do telefone, ele dá um pause e deixa o controle remoto sobre a mesa. É então que eu canário amarelinho aparece voando da janela, pousa sobre o controle e aperta o play com o bico. O filme criado pela Young & Rubicam e produzido pela 5.6. Produções ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais. E o da Gol é forte candidato a repetir o feito.





Nota atualizada: O comentário do comercial foi feito quase um ano antes do trágico acidente ocorrido no Pantanal em setembro de 2006 e que foi o estopim da crise aérea brasileira. Hoje é mais recomendado viajar de ônibus. Inclusive para o passarinho, pois com o congestionamento aéreo há perigo do bichinho ser atropelado por um avião, como aconteceu com o jato da Gol.
0

terça-feira, 25 de março de 2008

O Tudo Cultural tem o prazer de anunciar um novo colaborador. É o escritor, artista plástico, diretor de arte e teatro, dramaturgo e roteirista Miguel Angel.

Entre seus principais trabalhos estão a autoria do romance A Cena Muda, uma colaboração de arte na Revista Época entre 1998 e 2000, o argumento de um especial da Rede Globo de Televisão e a criação do seu blog Assinando embaixo e escrevendo.

O Miguel vai postar aqui no Tudo Cultural Blogspot todas as terças-feiras. Logo depois, sua participação será reproduzida no Tudo Cultural do Blog-se. Seja bem-vindo, Miguel.
0

"Quem julga pelo que ouve e não pelo que entende, é orelha, e não juiz"
(Quevedo)

Da Cizânia.( Do gr. zizánion, 'joio', pelo lat. tard. zizania)
Vírus antigo e imortal ataca novamente; responde também pelo nome do Lat. ‘Calumnia’.
Para neutralizar a reação de suas vítimas, a ‘Calumnia’ é urdida com a meticulosidade de um bote de serpente notívaga; com o veneno da infâmia forja a imagem dos que não são do cizanheiro associado ou questionem o seu padrão comportamental; arraigado de anos no âmago das pessoas, alimenta o preconceito, justificando a violência do boicote e outras perseguições que o vírus, irmão do autoritarismo, permite.
(...)

Da vacina.
Dica: Para ter sua virulência mitigada, e com fim preventivo, curativo ou paliativo, a vacina requer alto grau de abstinência de conformismo, alto teor de paciência e três vezes ao dia, Justeza (na forma cristalina) - recomenda-se a utilização de uma balança analítica que permaneça equilibrada quando dois pesos são colocados em seus pratos. E, desde que não existem garantias, recomenda-se tomar Lucubração a cada duas noites, para evitar recaídas.(...)
Perfil fotografado em laboratório (foto a ser anexada): nota-se a semelhança com os insetos isópteros. Ela é socializável, vive em comunidades populosas, formadas por indivíduos ásperos e egoísticos; constroem cizanheiros nas casas, escritórios ou bares. Vegetariana ou não, algumas atacam as raízes de crianças em idade escolar ou desavisados adultos sindicatados; mas podem alimentar-se também de intelectuais, artistas ingênuos, jornalistas oportunistas etc, causando sérios prejuízos.

Algumas espécies são antropocóricas, possuindo protozoários intestinais que danam a inteligência e o espírito de amigos, colegas, familiares e até populações inteiras, sem serem notados. O efeito pode ser devastador, provocando epidemia de suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, partidos, países e todo e qualquer "...ismo", que não o prescrito pelo DNA de seus cupinchas da societas sceleris.












Pacientes terminais

0

segunda-feira, 24 de março de 2008



Ao sentir um mal-estar prolongado, um senhor teimoso é internado no hospital. Mas só depois de muita insistência da família. No exame é detectado algo suspeito e preocupante. O filho passa uma semana com o pai achando que poderia ser o último contato entre eles. É a sinopse da peça Lucio 80-30, uma homenagem do ator Lucio Mauro Filho ao seu pai, Lucio Mauro, que está completando 80 anos de vida e 60 de carreira. Os dois são os protagonistas da peça. O médico e a enfermeira do hospital são interpretados por Alexandre e Luly Barbalho, também filhos do veterano comediante. Podemos dizer que o espetáculo, escrito e dirigido pelo próprio Lucio Mauro Filho, foi inspirado em fatos reais. Só que com mais humor. A estréia foi no último dia 14 e vai até o dia 4 de maio, no Teatro Leblon.
SOBRE A PEÇA:
Ingresso: R$ 50 (qui e sex) e R$ 60 (sáb e dom) .
Duração: 80 min
Classificação Etária: 14 anos
0

domingo, 23 de março de 2008

Por Gustavo do Carmo

Lalá, Lelé, Lili, Loló e Lulu eram cinco irmãs que adoravam ganhar ovos de Páscoa. Com exceção de Lili, faziam questão de receber no domingo e embrulhados em papel celofane bem colorido. No entanto, cada uma tinha um gosto diferente.

Lalá, a mais velha e mais esperta, só gostava do embrulho vermelho. Lelé adorava coelhinho da Páscoa. Chegou a ter um branquinho, mas acabou morrendo de depressão. A menina era muito tímida e mal cuidava do bichinho de estimação. Lili, a mais bagunceira, pedia à mãe para ganhar o ovo no sábado, mas só ganhava no domingo. Loló era gordinha e viciada em chocolate e a magrinha Lulu só gostava de ganhar ovo com bala, pois odiava chocolate.

Lalá, Lelé, Lili, Loló e Lulu cresceram. Lalá era apelido de Lavínia, que casou-se e teve três filhos. Virou uma dona de casa submissa ao marido. Lelé era Letícia. Tornou-se independente, casou-se três vezes, mas se separava sempre por causa do trabalho. Virou jornalista. Além do trauma de perder o seu coelhinho de infância, virou refém de um assaltante de banco vestido de coelho. Passou a odiar o bicho. Liliana virou militar. Teve um casal e só dá os ovos no domingo de Páscoa. Lorraine emagreceu e posou para a Playboy quando tinha vinte anos. Aos trinta, atendia a irmã Luciana, que acabou não só gostando de chocolate, como também tornou-se chocólatra e obesa mórbida.

O Tudo Cultural deseja a todos os seus leitores uma Feliz Páscoa!
2

sábado, 22 de março de 2008


Conto de Gustavo do Carmo

Judas teve uma infância difícil. Não por causa da pobreza, pois ele sempre estudou em escola particular, vestiu roupas novas de marca e teve muito carinho. Dos avós. Porque os pais ele perdeu precocemente.

A sua dura vida era por causa do seu físico franzino e, principalmente, do seu nome. Servia de chacota para os colegas em época de semana santa. Os amigos faziam questão de antecipar a Malhação de Judas para a quarta-feira, já que na quinta não tinha aula. Cobriam-no de piadas e tapas na cabeça. Terminavam a malhação jogando o coitado na caçamba de lixo. O menino chegava em casa tão sujo e humilhado que na Páscoa nem tinha prazer de comer os ovos de chocolate que ganhava da avó. Se faltava na quarta para fugir da malhação, apanhava na segunda-feira ou no primeiro dia que aparecesse. Até os professores e secretários deixavam escapar algumas piadinhas. O avô já o transferiu de escola duas vezes, mas não adiantava. Apanhava do mesmo jeito. Malhar Judas era uma tradição.

Judas foi batizado pelo pai. Este amava demais a esposa. Quando ela morreu no parto, por complicações ocorridas na cesariana, Walmir ficou tão arrasado que culpou Deus por ter matado a mulher da sua vida. Era muito religioso. Sentiu-se traído. Por isso, batizou o filho com o nome do homem que traiu Jesus por algumas moedas. Só não acrescentou o Iscariotes para não chamar muita atenção. O primeiro nome já era o suficiente para fazer da vida do pequeno Judas um calvário.

Um ano depois, Walmir descobriu mais duas traições. Sua amada esposa Madalena havia lhe traído, antes de morrer, com o seu melhor amigo Joélson, que era como um irmão. Ficou tão deprimido que se enforcou como Judas. O Iscariotes.

Aos dezessete anos, cansado de tantas humilhações físicas e morais, Judas decidiu entrar em uma academia para ganhar corpo. Seu primeiro dia foi num sábado de Aleluia. Chegou às sete horas da manhã. Fez mil flexões. Dois mil polichinelos. Só para aquecer. O instrutor havia passado apenas cinqüenta de cada. Judas insistiu para fazer cem.

Como tinha se esforçado além da conta, o instrutor passou apenas dez exercícios no aparelho de musculação. Judas fez cem. Levou uma sonora bronca do professor. Judas se justificou confessando todo o seu sofrimento de infância. O professor foi solidário, mas precisava alertar sobre os limites do corpo. Judas compreendeu. Mas continuou fazendo em excesso, escondido do instrutor.

Judas ingressou na faculdade de Educação Física. Ganhou corpo depois de um ano de musculação. Mas não o suficiente para deixar de ser humilhado pelos alunos veteranos da faculdade. Na quarta-feira, antevéspera da sexta-feira santa e último dia de aula, os colegas do campus, mais musculosos do que ele, anteciparam a Malhação de Judas no trote da universidade. Pintaram, jogaram cola, café, ovos e leite e deram alguns socos e pontapés na barriga.

Chegou em casa, como sempre, machucado, sujo e humilhado. Já adulto, só ganhava um ovo de Páscoa dos avós. Mas comia apenas para não desfeitear o carinho que tinha por eles. O chocolate, para Judas, sempre teve gosto de sangue.

Judas por pouco não abandonou a faculdade. Foi convencido a ficar por um colega recém-entrosado e pelos avós. Mas deixou de ser bonzinho para os outros. Jurou vingança contra os seus agressores.

Malhou mais. E passou a tomar anabolizantes. Seus músculos cresceram brutalmente. Parou quando ficou satisfeito com o resultado. Entrou na escola de boxe. Treinou com vontade. Lembrava dos seus algozes quando batia no saco de pancadas. Arrebentou uns quatro.

Quatro também foram os sparrings arrebentados por Judas. Um teve traumatismo craniano, mesmo com capacete. Felizmente foi leve. Judas foi convidado por um empresário para lutar profissionalmente.

Nocauteou o adversário em sua primeira luta no clube do seu bairro. Em apenas cinco segundos. A segunda luta já foi no Maracanazinho, como preliminar da luta de defesa do campeão brasileiro. Nocaute técnico em trinta segundos no primeiro assalto. No mesmo ginásio, já valendo o cinturão nacional, o resultado se repetiu em menos tempo: vinte segundos. De quebra, acumulou o título sul-americano. E por falar em quebra, o cearense que o enfrentou levou quinze pontos no supercílio.

Seis meses depois, viajou a Punta Del Este para defender o campeonato continental. Em dez segundos, o argentino que o desafiou deixou o ringue direto para o hospital. Judas voltou para o Brasil como um herói e celebridade.

Aceitou uma proposta de cinco milhões de dólares para disputar o título mundial dos pesos pesados em Las Vegas. Judas ia enfrentar o mito do esporte que lhe deu as suas maiores oportunidades.

Em apenas dois anos, desde que se matriculou na academia para ganhar músculo, cansado de tantas humilhações que sofria no colégio às vésperas do sábado de Aleluia, todos os anos, simplesmente por causa do seu nome, Judas se transformou no maior nome do boxe brasileiro em todos os tempos, mesmo sem ainda conquistar um título mundial, que era questão de tempo.

O tal mito era um cubano, vinte quilos mais pesado do que ele. Uma montanha. Montanha não. Uma cordilheira, que aliás, era o apelido do pugilista. Tinha o rosto tão inchado quanto os músculos do seu corpo. Judas parecia o franzino dos seus tempos de colégio perto dele.

A luta ocorreu num sábado de Aleluia, hora dos Estados Unidos, pois já era madrugada de domingo de Páscoa no Brasil. Acompanhado de belas garotas de maiô da organização, Judas entrou com roupão amarelo brilhoso, com desenhos alusivos à nossa bandeira. Golpeava o ar a qualquer momento. Ao ser anunciado, o nome Judas Santos não foi tão ovacionado como o de Carlos “Cordillera” Miguelez. Este sim, foi aplaudido de pé.

Soou o primeiro gongo que anunciava o início da luta. Os adversários ficaram se estudando. Judas percebeu que estudou demais ao levar o primeiro cruzado de direita do oponente. Ainda sentia o gosto enferrujado do sangue latejando em seu protetor dental quando levou o segundo. O terceiro levou no olho. Em quinze segundos levou uma seqüência de golpes ininterruptos que o treinador do brasileiro foi obrigado a jogar a toalha. Judas perdeu a luta, não conquistou o cinturão mundial e ainda viu a sua derrota ser chamada de A Malhação de Judas.

Na semana seguinte, ficou sabendo que foram encontrados traços de anabolizante no exame antidoping. Perdeu todos os cinturões que tinha. E a credibilidade. A imprensa passou a malhá-lo. E já não era mais sábado de Aleluia.
3

sexta-feira, 21 de março de 2008


– DESCEREI A MONTANHA
Um ano depois:
– Voltei. Imaginar o mundo daqui é mais grandioso.
***
0

segunda-feira, 17 de março de 2008

Como o tempo passa! Anteontem fez dez anos que perdemos a irreverência do cantor e compositor Tim Maia. O síndico morreu depois de quase duas semanas de uma agonia que começou quando ele não conseguiu iniciar o seu último show no Teatro Municipal de Niterói. Ele já não estava bem. Mesmo assim, quis cantar para acabar com a fama de que não comparecia aos seus compromissos. Ainda tenho na memória as imagens de sua tentativa de acompanhar a orquestra na música Não Quero Dinheiro, Só Quero Amar. Ele deixou o palco e foi internado logo em seguida para, infelizmente, nunca mais voltar.

A Dica da Segunda desta semana é em homenagem a ele, indicando o livro escrito pelo amigo Nelson Motta: Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia.






Texto: Divulgação da Editora Objetiva


“Mais grave! Mais agudo! Mais eco! Mais retorno! Mais tudo!”. O grito de guerra ainda ecoa nas festas, vivo nas canções de Tim Maia. Transgressor, amoroso e debochado, o cantor que gostava de se definir como “preto, gordo e cafajeste” se consagrou como um dos artistas mais queridos e respeitados da música brasileira, rei do samba-soul.


No ano em que se completam dez anos de sua morte, a história de Tim Maia é resgatada em Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia, por um de seus amigos mais próximos. O jornalista, compositor e produtor musical Nelson Motta parte da memória da intensa convivência com o cantor, de quem era fã, para contar uma história de som, fúria e gargalhadas. Apoiado numa pesquisa minuciosa, Nelson revela um dos personagens mais ricos, divertidos e originais do Brasil moderno.


Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia é uma viagem pela vida do cantor, a começar pela infância e juventude, no bairro carioca da Tijuca. É o próprio Tim quem dá o tom bem-humorado da narrativa: "No dia 28 de setembro de 1942, na rua Afonso Pena 24, minha mãe, Maria Imaculada, concebeu o gordinho mais simpático da Tijuca. E recebi o nome de Sebastião Rodrigues Maia".


Nelson conta que a amizade com Tim começou em 1969, quando produziu para o disco de Elis Regina o dueto que apresentou ao mundo o vozeirão do cantor. Por isso, é testemunha de histórias incríveis, como as aventuras vividas nos Estados Unidos, no início da carreira, graças a um improvável convite da Arquidiocese. A viagem não terminou bem: Tim voltou ao Brasil deportado, acusado de roubar um carro e de portar substâncias ilegais.


Como produtor musical e amigo, Nelson acompanhou essa jornada até os últimos dias da vida do cantor. No livro, ele narra um último encontro em Nova York, poucos meses antes da morte de Tim, em 1997:


"Estava muito feliz de reencontrá-lo tão alegre e bem-disposto, achei até que estava um pouco mais magro – embora ainda imenso – do que em nosso último encontro no Rio. (...) Só consegui sair de lá horas depois de muita conversa e gargalhadas, entre várias rodadas de café completo, ovos mexidos e incessante carburação, me divertindo com as histórias que qualquer ficcionista consideraria inverossímeis, mas eram apenas fatos e acontecimentos corriqueiros do cotidiano de Tim Maia".


MAIS INFORMAÇÕES:
www.objetiva.com.br/valetudo
0

sábado, 15 de março de 2008

Por Gustavo do Carmo

Os spams são aquelas mensagens que chegam à nossa caixa de e-mails trazendo informações que nada têm a ver com a vítima, digo, com o destinatário. Muitas trazem até vírus, aqueles programas que se instalam automaticamente nos computadores e criam espiões (spywares) para revelar nossas senhas bancárias e de cartão de crédito para os pilantras vagabundos consumirem às nossas custas. Ou então retardar a velocidade de funcionamento do computador e até impedir o seu funcionamento (malwares). Alguns estão apenas tentando honestamente divulgar os seus produtos neste mercado capitalista selvagem. Mas que são chatos, isso eles são. Para estes, a atitude é mais simples: apertar a tecla Delete e os mandar para a lixeira. Para os anteriores, manter e passar o anti-vírus atualizado.

Por causa dos spams, os provedores criaram filtros que impedem o download dessas mensagens indesejadas. Entre eles, o meu Ajato. No entanto, como eu uso com mais freqüência o Outlook Express para baixar os meus e-mails, tenho notado a demora de algumas respostas a perguntas e solicitações importantes que eu fazia nas mensagens que eu enviava. Como algumas pessoas têm o costume de ignorar os meus contatos, não me preocupei. Nem insisti e cobrei a resposta porque fica chato e eles se sentem ofendidos. Então, fui levando.

Até que o dono de um site que aceitou vender os meus livros me perguntou se o meu anti-spam estava bloqueando as mensagens dele. Decidi conferir e acabei constatando que o rapaz tinha razão. Entrei no webmail e as mensagens que ele mandava chegavam como spams e não baixavam no Outlook.

Na configuração, vi que estava selecionado o modo intermediário, sem que eu mesmo tivesse feito esse ajuste. A descrição do chamado nível Normal é assim: “Sua caixa de entrada irá receber todas as mensagens dos remetentes autorizados e mensagens dos remetentes que não parecem ser SPAM. As mensagens restantes vão para a pasta de verificação ou a pasta de Spam”. Temos aí um preconceito virtual. Mas tudo bem. O problema é que o anti-spam do Ajato está filtrando as mensagens importantes e deixando passar muitos spams. Já o nível alto só aceita mensagens da lista de contatos ou dos autorizados. E se você desligar, vem tudo pra sua caixa.

Como eu não vou adivinhar o remetente de uma proposta de emprego ou de um potencial anunciante para o meu blog, prever o e-mail da pessoa que responderá a uma solicitação minha, colocar na minha lista de contatos gente que só me responde uma vez e também não tenho paciência para autorizar todo mundo que eu conheço, podendo me esquecer de alguém, eu nem mexi na configuração.

Então, passei a conferir as minhas mensagens periodicamente também pelo webmail, tendo o trabalho de ter que digitar senha (não a salvo por medo de algum spyware). Graças ao discriminatório sistema do Ajato, agora entro no webmail torcendo por um spam. Chego a me emocionar quando aparece o aviso: “Você tem 1 Spam”.


E para aqueles que pretendem usar a desculpa de que o anti-spam filtrou as suas mensagens a má-notícia é que nem assim elas estão chegando.
3

sexta-feira, 14 de março de 2008

Autor: André Viegas Data: 2007-12-06 http://olhares.aeiou.pt/077/foto1626634.html

Todos estavam em um silêncio-falante. Enojado, fui embora dali e caminhei por algum tempo. Observava a paisagem e iniciava uma relação harmoniosa com a natureza. De repente, comecei a sentir medo. Entrava num território desconhecido. Voltei ao silêncio-falante. Ainda não estou pronto para o SILÊNCIO.
***
0

quarta-feira, 12 de março de 2008

Conto de Gustavo do Carmo


Estava havia oito horas no shopping. Acompanhava a esposa que tentava fazer compras. Tentava, porque, em cada loja que ela entrava, ficava uma hora experimentando vestidos e calçados. Não levou nenhum deles. Dizia que não ficaram bonitos nela. Mesmo provando mais de dez peças.

Até as seis primeiras lojas, Naldo a acompanhou. A partir da sétima, decidiu sentar-se no banco mais próximo à boutique ou sapataria onde estivesse Sabrine. Não agüentava mais bater perna no shopping. Sabrine já não precisava e nem queria mais o marido ao seu lado, reclamando. Ela o autorizou a fazer o seu roteiro pelo shopping. Ele estava livre para ir a uma livraria, a uma banca de jornal, babar pelos aparelhos eletrônicos ou procurar por alguma roupa ou acessório masculino.

O que Naldo queria mesmo era descansar e comer alguma coisa. Subiu até a praça de alimentação, no quinto piso do shopping. Estava no primeiro. Encontrou o setor das lanchonetes lotado. Aliás, o shopping inteiro estava lotado. Era véspera de Dia das Mães. Voltou para a área das escadas rolantes, onde tinha alguns bancos. Sentou-se exausto. Apagou.

Não viu o tempo passar. Acordou em uma cama. Não a sua, mas uma forrada com lençol de algodão puro. Recostava a cabeça em dois travesseiros forrados com fronhas do mesmo tipo. Estas tinham estampas de coração, bordadas à mão pela dona-de-casa ou a sua filha que, com certeza, costumava dormir naquele quarto, pois a roupa era cor-de-rosa e de solteiro. A cabeceira era de mogno trabalhado.

Uma bela moça entrou no quarto. Pele alva, cabelos negros, olhos amendoados, também da cor de ébano. Usava um vestido azul claro de linho com renda branca, como o laço de fita de cetim ajeitado em seus fios ondulados e repartidos ao meio. Parecia ter um corpo bonito, mas estava escondido sob a roupa comportada. Ela perguntou:

— Você está bem?

— Onde eu estou? Quem é você? O que eu estou fazendo aqui?

— Eu te encontrei caído lá na varanda dos fundos. Estava delirando. Por isso eu te trouxe para cá.

— Que lugar é esse? Eu estava no shopping com a minha esposa.

— Shopping? O que é isso?

— Shopping Center. Local onde a gente compra roupas, eletrodomésticos. Tem boutiques, lanchonetes...

— Nós fazemos as nossas roupas com a modista. O papai e o meu irmão, no alfaiate. Eletrodomésticos nós compramos na Avenida Rio Branco, na Rua da Carioca e na do Ouvidor. Agora, lanchar, nós lanchamos em casa ou na confeitaria. É isso que você quis dizer?

— Mas em que mundo você...

— Calma. Você ainda está delirando. Dorme mais um pouco. Eu vou falar com a minha mãe.

Ainda sem entender onde estava, Naldo acatou a ordem de descanso dada pela bela jovem e permaneceu deitado no quarto que lhe parecia muito antigo. Naldo começava a desconfiar que voltou no tempo. Estava sonhando. Levantou da cama e se viu vestido com uma camiseta branca e um short de malha. Roupas bem diferentes da camisa pólo e calça jeans que usava no shopping com Sabrine.

Aproximou-se da porta e ouviu a moça conversar com um homem que logo acreditou ser o irmão, pois uma mulher, que era reprimida naqueles tempos, nunca falaria para o pai que encontrou um homem na rua. A menina também parecia ser muito ingênua. Naldo ouviu a moça implorar para que o irmão mantivesse segredo para os pais. O rapaz, aparentemente mais velho, prometeu e entrou no quarto.

Naldo, rapidamente, voltou a se deitar na cama quando sentiu alguém se aproximando. O homem, um moreno alto e musculoso, olhos apertados pela maçã do rosto fortemente inchada, cabelos raspados nas laterais e na nuca, entrou no quarto e perguntou autoritário:

— Vem cá, rapaz! Quem é você? De onde você veio?

— Eu não sei. Eu estava no shopping fazendo compras com a minha esposa, quando sentei no banco, dormi e acordei aqui.

— Aqui no quarto da minha irmã???? Perguntou o homem musculoso, furiosamente, puxando Naldo pela gola da camisa.

— Calma, Ulisses. Eu que o trouxe para cá. Intervém a moça, preocupada. — Ele estava caído na varanda. E também disse que estava nesse tal de shopping com a esposa.

— Então você tem esposa. E como veio parar aqui? Cadê ela?

— Eu não sei. Deixei ela em uma boutique e subi para a praça de alimentação no quinto andar.

Os dois irmãos ficaram perplexos com as palavras que ouviram do hóspede.

— Noêmia, esse cara é maluco. Como é que você traz um cara desses pra cá? É a última vez que eu vou acobertar essas ações de caridade que você tem mania de fazer. Da próxima eu falo para o papai.

— Ele deve ter perdido a memória. Disse a moça, já apresentada pelo irmão com o nome de Noêmia, que tentava compreender a loucura de Naldo, sem sequer desconfiar que ele veio do futuro.

— É verdade. Eu não me lembro de mais nada. Esqueci até o nome da minha esposa.

— Está bem, disse o irmão, resignado. — Eu vou dizer para o papai que você é um amigo meu do quartel e estava na guerra comigo.

— Guerra? Que guerra?

— De que planeta você veio, hein? Da Guerra Mundial, ora! Eu estou começando a achar que você é um extra-terrestre! Brincou o rapaz.

— Desculpa, eu não me apresentei. Meu nome é Noêmia.

— E o meu é Ulisses.

— Prazer, Reginaldo. Mas os mais íntimos me chamam de Naldo.

— Fique à vontade, Naldo. Eu ia te emprestar algumas roupas, mas vi que a Noêmia já fez isso. Vamos para o meu quarto antes que os nossos pais te vejam no quarto dela.

— Posso perguntar uma coisa?

— Claro.

— Que dia é hoje? Em que ano nós estamos?

— Credo. Você está desmemoriado mesmo. Parece até que esteve na guerra. Hoje é dia vinte de abril de mil novecentos e quarenta e sete.

A revelação da data já seria suficiente para Naldo despertar do sono. Já era noite quando foi apresentado, como parceiro do front de Ulisses, à mãe do casal de irmãos, Dona Gertrudes. Uma senhora muito bondosa como a filha, que vivia na cozinha, exceto na hora em que Naldo foi encontrado, porque estava costurando na sala. Ela era alta, magra e tinha cabelos castanhos claros e compridos, presos em um rabo-de-cavalo.

Naldo já estava sentado à mesa de jantar, quando chegou Seu Floriano, um senhor gordo, baixinho e com calvície acentuada. Estava apreensivo e pálido. Queria contar uma notícia importante para a família, mas ficou com vergonha de revelar na frente do cara que acreditou ser o amigo do filho.

O desespero de Floriano era tanto que nem deu atenção a Naldo durante o jantar. Aliás, nem quis jantar. Ficou sentado na poltrona de couro, lendo jornal. Além da poltrona, havia uma cadeira tripla. Não existia televisão. No buffet ficava o rádio, daqueles de madeira, cunhada como um arco, com alto-falante amarelado. Dona Gertrudes, os dois filhos e Naldo jantaram na mesa, em silêncio.

O visitante sentiu que o clima da família não estava bom. Quis ir embora. Ulisses não deixou. Naldo insistiu. Seu Floriano, querendo ficar a sós com a família, pediu ao filho para deixá-lo ir. Ulisses explicou que ele não poderia sair sozinho na condição que ele estava. Disse ao pai que ele estava desmemoriado e acabou confessando que ele mesmo (para proteger a irmã) o encontrou na varanda da cozinha, dizendo que estava em um tal de shopping-center fazendo compras com a esposa.

— E como ele veio parar aqui? Perguntou o pai, assustado.

— Ele não sabe.

Enquanto ouvia pai e filho discutirem, Naldo começou a ter alucinações. Parecia que ia voltar ao presente. Parecia que Sabrine o acordaria para voltar pra casa, com a mão carregada de sacolas. Naldo teve um estalo.

— É isso! Esta casa aqui ocupava o terreno do shopping onde eu estava. Eu voltei sessenta anos no tempo!

Todos na casa ficaram assustados com as palavras de Naldo. Tiveram certeza que ele era louco. Naldo ainda disse que vários prédios e casas daquela rua iriam abaixo para dar lugar a edifícios que tocariam no céu. O mar em frente seria aterrado para transformar-se em uma via expressa. A cidade se tornaria bastante violenta. O Brasil iria perder a Copa de 1950 no Maracanã para o Uruguai por 2 a 1, com gol de Gigghia no final, calando os torcedores no estádio, mas a seleção ainda ganharia cinco vezes o torneio. A primeira conquista seria em onze anos.

Seu Floriano ficou ainda mais pálido. Desmaiou. Nem ouviu o resto da profecia de Naldo. A mulher e os filhos o acudiram. Reginaldo saiu de casa. Sentiu o ar fresco do Rio daqueles bons tempos, como o cheiro do mar que ainda não estava aterrado. Ao lado da casa da família onde se hospedou, havia um colégio onde Noêmia e Ulisses estudaram. No outro lado da esquina, existia outra casa. A cidade era calma. Apesar do trânsito já um pouco intenso de bondes e carros. Naldo estava pronto para voltar ao presente.

Depois de algum tempo, foi chamado. Por Ulisses. Sentaram-se na varanda. O filho do dono da casa contou que o seu pai está à beira da falência e ofereceram-lhe uma boa quantia em dinheiro para vender o terreno da casa. A casa onde ele e a irmã nasceram seria demolida para a construção de um prédio de dez andares que abrigaria vários escritórios comerciais.

Naldo desculpou-se por ter assustado a família e prometeu evitar falar do futuro. Ulisses não se aborreceu. Disse que o amigo tinha razão. Um dia, a casa realmente acabaria e eles teriam que ir embora. Os filhos precisavam se casar. Naldo e Ulisses atravessaram a noite conversando na varanda calma e segura de um Rio que já se foi. Sessenta anos depois, Sabrine comprava no shopping o sapato que procurava há séculos.
2

segunda-feira, 10 de março de 2008

Texto e Foto das Capas: Divulgação


A Casa da Mãe Joana

Autor: Reinaldo Pimenta
Editora: Campus
Preço: R$ 56,90




  • Por que uma pessoa é cheia de nove horas?
  • De onde veio o puxa-saco?
  • Por que os dias da semana têm a palavra feira?
  • Qual é a origem dos nomes dos naipes?
  • Onde Judas perdeu as botas?
  • Por que o doce brigadeiro ficou com esse nome?
  • Quando é que se volta à vaca fria?
  • Por que mandar alguém plantar batatas?
  • Como surgiu a palavra bingo?
  • Que quer dizer OMO?
  • Por que julho e agosto ficaram juntos com 31 dias?
  • De que cor é o burro quando foge?

A história das palavras é a história do homem. Elas nascem e atravessam idiomas, mudando quase sempre na forma — para se adaptarem à fala de um povo — e muitas vezes no conteúdo — revelando o olhar e o pensar dos novos usuários. A casa da mãe Joana é uma coleção de origens curiosas de palavras, frases e marcas. O livro tem como objetivo divertir informando. Por isso, o critério da seleção foi a etimologia-surpresa. Não há nada de surpreendente na origem das palavras cavalo (do latim caballu) e chuva (do latim pluvia). Mas, se alguém disser “Pode tirar o cavalo da chuva!”, eis um caso de etimologia-surpresa.

Aapresentação em ordem alfabética pode induzir o leitor à idéia de estar diante de uma obra de referência cuja utilidade se restringiria a esporádicas consultas. Mas sua função primordial é ser lido e entreter. No entanto, é importante ressaltar que nenhuma das etimologias apresentadas foi inventada, com um intuito exclusivo e simplório de fazer graça. Todas, sem exceção, resultaram de estudos com base em artigos e obras de autores especializados no assunto. A bibliografia ao final é a fonte desse trabalho e uma satisfação obrigatória ao leitor.

Mais informações no site da Editora Campus e da Saraiva


A Casa da Mãe Joana 2

Autor: Reinaldo Pimenta
Editora: Campus
Preço: R$ 54,00



Continuações em geral não dão certo, especialmente no cinema, porém, no caso de A Casa da Mãe Joana 2 isso não acontece. Este livro não é um risoto de palavras feito com as sobras do primeiro. É um prato servido quente, com ingredientes frescos e prazerosos. São novas histórias - curiosas, surpreendentes e divertidas - sobre o nascimento de palavras, frases e marcas. O que aqui se repete, sem mofo, é o estilo da apresentação, com humor (divertir informando) e seriedade (sem exceção, todas as etimologias resultaram de pesquisas em obras de especialistas, relacionadas na bibliografia). Outra novidade ficou para o fim do livro: um índice analítico que abrange as duas obras. Nele, a palavra procurada remete para seu respectivo verbete ou para outro verbete em cujo interior se explica a origem da palavra em questão.

Mais informações no site da Saraiva

Nota do editor do blog: Os livros são muito interessantes. Até eu fiquei com vontade de comprar. Mas são tão caros.

2

sexta-feira, 7 de março de 2008


Uma Mistura Quase Perfeita
Por GUSTAVO DO CARMO


Ruy Castro ficou famoso por suas biografias que sempre figuraram na lista dos livros mais vendidos. A bossa nova (Chega de Saudade), o Rio de Janeiro (Carnaval de Fogo), Nelson Rodrigues (O Anjo Pornográfico), Garrincha (A Estrela Solitária) e Carmen Miranda foram os personagens que tiveram seus segredos revelados por esse rubro-negro carioca apaixonado.

Uma das poucas investidas do escritor na ficção, Era no Tempo do Rei, a princípio, parece mais um livro com a pretensão de comemorar os 200 anos da chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, que se completam hoje. Para não deixar de lado a sua habilidade de pesquisador, Ruy misturou cenas verdadeiras da cidade no início do século XIX com uma fictícia amizade entre o príncipe D. Pedro, futuro primeiro imperador do Brasil, então com 12 anos, e Leonardo, um menino abandonado pelos pais, um casal de imigrantes portugueses e que morava com o padrinho, o barbeiro Quincas, mas adorava fugir e viver correndo pelas antigas ruas apertadas e sujas do Rio na época da chegada da Corte. Leonardo já nasceu da ficção, pois é o futuro sargento do romance de Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.

Os dois passam a ser os protagonistas do romance ao se conhecerem na Torre da Igreja da Candelária, quando Pedro fugia de um dos diversos apuros que costumava se meter. E é a partir deste ponto que a trama se desenvolve e empolga a leitura, que se limitava a uma descrição lírica de um Rio de Janeiro jovem, restrito ao Centro, à Zona Sul, São Cristóvão e suas ruas narradas pelo nome original, além das praias ainda existentes. D. João e Carlota Joaquina são apenas personagens coadjuvantes deste romance, mas ajudam a movimentar o enredo.

Ao mesmo tempo que tem uma linguagem coloquial, típica do autor, o texto prima pela qualidade lingüística, com um toque de linguagem clássica que remete aos romances de Machado de Assis. Por esse motivo, tive um pouco de dificuldade para entender e me interessar pela história. Isso aconteceu até o quarto capítulo. A partir de então, ela se mostrou ágil e atraente como anunciado.

SOBRE O LIVRO:

Era no Tempo do Rei
Ruy Castro
Alfaguara (Objetiva)
Formato (larguraxaltura): 15x23,5 cm
248 páginas
Preço de mercado: R$ 36,90

Excepcionalmente, a Resenha desta Quinzena está sendo publicada numa sexta-feira. É que hoje, dia 7 de março, comemoramos os 200 anos da chegada da Família Real no Rio de Janeiro. Por isso, o leitor deve ter percebido a antecipação da participação semanal do colunista Dudu Oliva para ontem. O meu texto artístico de sábado será publicado na quarta-feira. Dois dias depois, volta o texto do Dudu e, no sábado, novamente o meu texto nos seus dias habituais. Não haverá mudança na programação da Dica da Segunda. A próxima resenha será publicada normalmente na quarta-feira, dia 26.

4

quinta-feira, 6 de março de 2008


Credito da imagem: Sakura, personagem do anime Naruto.
Texto de Dudu Oliva


Olá !!

Fica comigo. Por que insiste em seguir um cara que não lhe dá bola? Prefere viver uma paixão impossível? Você é daquele tipo de pessoa que se apaixona pelo sentimento e não pelo outro? Ou projeta a sua imagem no objeto amado e conseqüentemente é apaixonada por si mesma? Pensa bem. Não vou lhe esperar por muito tempo. A fila anda, moça bonita do cabelo rosa.
2

segunda-feira, 3 de março de 2008

A Dica da Segunda desta semana é especialíssima. Não será apenas uma dica e sim, quatro. Ainda comemorando os 443 anos da cidade do Rio de Janeiro, completados no último sábado, indico duas exposições com fotos antigas, uma lista de fotologs com o tema e, saindo do assunto, começo com a minha segunda participação na revista virtual Minguante.
1

Pela segunda vez, a revista virtual portuguesa Minguante, especializada em Microcontos, publicou dois pequenos textos meus. Para ler, clique na imagem. Para ler o texto anterior, O Drops, clique no meu nome que está acima do texto atual (Papai), no canto direito, lá na página do Minguante.



A edição número 9 da Minguante também conta com textos do colaborador do Tudo Cultural Dudu Oliva e da amiga Adelaide Amorim.
0

Texto: Gustavo do Carmo
FOTO: LUCIANO FERREZ


Acontece desde o último dia 26, no 2o andar do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), a exposição Família Ferrez: novas revelações.

São 396 fotos inéditas do Rio de Janeiro e de outros estados brasileiros como Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Pernambuco, além de Senegal e diversos países europeus. Foram selecionadas a partir de 8.000 negativos deixados pelo colecionador e pesquisador Gilberto Ferrez. Os registros foram feitos pelo próprio e também por seu pai, Júlio, e o tio Luciano, filhos de Marc Ferrez, francês radicado no Brasil que se tornou o maior nome da fotografia oitocentista do país ao registrar as paisagens naturais, construções e costumes da sociedade na época. Filhos e neto deram continuidade ao trabalho durante a primeira metade do século passado.

Entre as imagens cariocas, estão a reforma do Largo da Carioca, a construção da Cinelândia, a abertura da avenida Presidente Vargas, panorâmicas do centro tomadas de Santa Teresa, o perfil original do Mercado Municipal na Praça XV, a expansão da cidade em direção à Zona Sul, vistas da Pedra da Gávea e a construção do Cinema Pathé (verdadeiro making of que mostra em detalhes todos os passos da obra).

O material foi encontrado entre os documentos da família, durante a organização do acervo, feita pelas filhas de Gilberto, pioneiro entre os historiadores da fotografia no Brasil, já falecido. Foi doado em outubro do ano passado ao Arquivo Nacional. A curadoria é de Júlia Peregrino e Pedro Karp Vasquez.

A mostra fica aberta de 3ª a domingo, das 10h às 21h, até o dia 4 de maio. A entrada é gratuita. O Centro Cultural Banco do Brasil fica na Rua Primeiro de Março, 66, Centro. Informações: (21) 3808-2020.
0

Texto: Gustavo do Carmo
Fonte: Wikipédia, fotolog do Flavio Marinho e site Alma Carioca




FOTO: AUGUSTO MALTA


Outro grande fotógrafo que registrou imagens de um Rio que não existe mais também ganhou uma exposição na cidade.

O Rio de Janeiro de Augusto Malta acontece no Instituto Moreira Salles. Começou no mesmo dia da exposição dos Ferrez e está aberta até o dia 15 de junho na Sala 1 e no Gabinete Fotográfico.

A mostra, do acervo do próprio instituto, reúne originais do autor que registrou as paisagens e transformações da cidade nas primeiras décadas do século XX. O alagoano Augusto Malta foi contratado em 1903, por Pereira Passos, para ser o fotógrafo oficial da prefeitura do então Distrito Federal. Sua missão era registrar as imagens da cidade e também as obras da administração. Principalmente antes, durante e depois. Um exemplo, mostrado na foto, é a obra de calçamento da Rua Garcia D'Ávila, em Ipanema, realizada em 1928 pelo prefeito Antônio Prado Júnior.

Entre os outros fatos documentados por sua obra estão a demolição do Morro do Castelo, a Revolta da Vacina, a inauguração da Avenida Central (hoje Rio Branco), a Exposição Nacional de 1908, a Exposição Internacional do Centenário da Independência, em 1922 e a inauguração da estátua do Cristo Redentor. Também registrou imagens da vida cotidiana, a arquitetura, as alterações urbanísticas (como as primeiras favelas), manifestações culturais como festas, o carnaval, as "Batalhas das Flores" e desfiles cívicos e militares. Exerceu a atividade até 1936. Morreu em 1957.

A foto da ilustração foi publicada originalmente no livro Fotografias do Rio de Ontem, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - Governo Marcos Tamoyo. Mas salvei do fotolog do Flavio Marinho


IMS do Rio de Janeiro Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
CEP: 22451-040 – Rio de Janeiro-RJ
Tel: 3284-7400 – Fax: 2239-5559.
De terça a domingo, das 13h às 20h.
Visitas monitoradas: 3284-7400
Mais informações: http://ims.uol.com.br/ims/view_assunto.asp?id_pag=80
0

As duas exposições acima terminam entre maio e junho. Tempo de sobra para aproveitar. Se, mesmo assim, você não tiver como ir, não se desanime. Faço agora uma lista de fotologs e sites onde é possível conferir, a qualquer momento, fotos do Rio Antigo. Têm imagens dos fotógrafos destacados nas duas exposições, de outros acervos e até mesmo dos próprios fotologgers, registradas até os últimos vinte e cinco anos.

http://www.fotolog.com/andredecourt
http://www.fotolog.com/flaviom
http://www.fotolog.com/tumminelli
http://fotolog.terra.com.br/sdorio
http://fotolog.terra.com.br/carioca_da_gema
http://fotolog.terra.com.br/nder
http://fotolog.terra.com.br/luizd
http://fotolog.terra.com.br/cartepostale
http://fotolog.terra.com.br/ilhadogovernador
http://fotolog.terra.com.br/reclames_antigos
http://fotolog.terra.com.br/znorte
http://www.almacarioca.com.br/

E para quem quer saber como está o Rio Antigo hoje, é só acessar o fotolog http://www.fotolog.terra.com.br/rafael_netto
0

sábado, 1 de março de 2008

Por Gustavo do Carmo

A história que eu vou contar aconteceu em janeiro. Mas a oportunidade de contar só surgiu agora, quase dois meses depois. O anti-carioca que ler esta crônica vai logo dizer: em São Paulo não tem isso. Os táxis são mais organizados. Engano dele, pois já levei um golpe de taxista de lá também.
0


Hoje, 1o de março, é aniversário da cidade do Rio de Janeiro. Cidade tão mal-tratada por seus habitantes, que a sujam, favelizam, agridem e até matam seus irmãos com assaltos e assassinatos, criticam e a trocam por dinheiro (alguns por falsa segurança). Nem a única emissora de televisão nascida e (por enquanto) sediada aqui dá o devido valor. Quando dá é apenas regional.

Pra começar, o seu aniversário não é comemorado com um merecido feriado oficial. Acho que é a única do Brasil que não comemora desta forma. Com tantos feriados desnecessários inventados nesse país e até mesmo aqui na cidade, realmente fica incorreto pedir mais um. Mas gostaria que houvesse uma troca. Mesmo assim, o feriado só faria efeito em 2010. No ano que vem ainda vai cair no domingo.

Eu gosto desta cidade e não a trocaria por nada. Pois ela já foi a capital do país e para mim será sempre o topo do meu tão sonhado sucesso profissional. Se for para deixar a cidade, prefiro deixar o Brasil.

Gostaria de fazer a minha parte para que ela se torne novamente maravilhosa. Mas sozinho é impossível. Assim, a única coisa que eu posso fazer é amá-la.
Também gostaria de fazer uma homenagem mais positiva. Neste sentido, indico o link para a crônica que eu escrevi sobre a vitória do Cristo Redentor como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno em julho do ano passado. Muita gente criticou negativamente o meu comentário:


Mas a crônica inédita de hoje, publicada acima deste post, mostra uma homenagem infelizmente negativa. Uma cena carioca que retrata como a informalidade e a cara-de-pau estão tomando conta não só da nossa cidade, como também do país inteiro.
0

Arquivo do blog